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O Imaginário Na Narrativa De Clarice Lispector Universidade Regional do Alto Uruguai e das Missões – URI Campus – Santiago Eloí de Oliveira Batista
Tema Reconstituição do imaginário, na tentativa de concretizar o subjacente a obra, através de imagens, tensões, sensações buscando preencher as lacunas na narrativa, pelas representações do leitor crítico
Problema Como a constituição do imaginário, na narrativa infantil, pode influenciar, tornar-se estímulo, aperfeiçoamento e qualificação ao educando na formação do leitor eficiente?
Objetivo geral Promover, investigar, ampliar e divulgar a obra infantil de Clarice Lispector, através da reconstituição do imaginário, com isso, recuperar pontos de indeterminação na história lúdica, que venham contemplar a melhoria na formação e qualificação de um leitor competente
Objetivos específicos Ler e analisar os pontos de fuga e obscurecimento do texto literário infantil de Clarice Lispector Preencher as lacunas textuais através da, constituição de imagens a partir da leitura Enfocar a importância da metodologia para recepção de textos infantis com base na estética literária e oficinas de sensibilização Divulgar no meio acadêmico a importância da qualificação de estudos críticos, atuais, sobre a produção literária infantil de Clarice Lispector
Justificativa Considerando os parcos estudos e leitura da obra infantil de Clarice Lispector, urge a necessidade, como suporte a professorandos do Curso Normal de Nível Médio, no que diz respeito à formação de leitores eficientes, que no futuro vão ser modelo às crianças
Delimitação da pesquisa Optou-se por delimitar este estudo sobre “ O imaginário na narrativa de Clarice Lispector”, tentando resgatar o valor do texto literário e ampliar com novas produções a obra infantil da autora, tendo em vista os poucos recursos no ambiente escolar e o deficiente desempenho em leitura dos estudantes, de modo geral Neste estudo encaminhou-se a pesquisa na perspectiva de uma nova leitura, no sentido da reconstituição do imaginário do leitor, com intuito de preenchimento das lacunas da história e como subsídio aos professores, com isso, promover um trabalho de literatura, (re) siguinificando-a a partir de novas teorias críticas, à formação do leitor
Metodologia O método empregado nesta investigação, para fundamentar o tema, trata-se de uma pesquisa bibliográfica Os elementos básicos LIVRO/LEITOR/LEITURA constituir-se-ão de subsídios, para dar asas ao imaginário e sua relação com o ensino de Literatura, bem como, estimular o interesse e o prazer de ler, também, ver e sentir o livro como objeto social capaz de contribuir para ampliar a visão do mundo
Metodologia (Cont.) Outro argumento, é a abertura do debate coletivo, procurando integrar a formação acadêmica com a realidade do profissional na escola, abrangendo com mais vigor o campo da literatura infanto-juvenil, pouco investigada na sala de aula A reflexão sobre o ato de ler por prazer até alcançar o nível de leitura crítica, depende de uma mediação docente capaz de envolver o leitor e transmitir experiências afetivas e culturais, que venham ao encontro dessa construção processual. Daí a opção por encontros de oficinas com o livro literário como testemunho de uma caminhada docente
Literatura e Imaginário O imaginário através dos tempos O progresso tecnológico da imagem e a evolução das técnicas de expressão e transmissão de imagem, que chegou até nós em forma de vídeo, cds, etc...eles permitiram o acompanhamento da evolução das civilizações bem como, a revolução da imagem mental perceptiva das lembranças e das ilusões Com isso, todos os “processos de produção, transmissão e recepção das imagens” produzidas, no contexto das nossas experiências culturais, das nossas informações, vão ser denominadas de “imaginário”(Durand)
Literatura e Imaginário O imaginário através dos tempo (Cont.) O imaginário faz parte da nossa vida na medida que cresce e ganha importância na nossa cultura atual, no mundo das imagens e na mídia Este é capaz de concretizar-se e representar as nossas sensações, traçando com isso, relações combinatórias dando significado a imaginação, constituindo a imagem e a idéia de invenção, mais especificamente, criação
Literatura e Imaginário O imaginário através dos tempos (Cont.) Frente a narrativa, a recepção textual se constitui em criar os estímulos ao leitor para que com a leitura se estabeleça o preenchimento das lacunas do texto através das imagens criadas pela experiência cultural do leitor, com isso, enriquecer os horizontes de mundo histórico e social do indivíduo Dessa forma, a construção do Imaginário do leitor deve ser alimentado, para que haja expressão, ou seja, criação das imagens e tensões, percorrendo os porões das entrelinhas da obra, empregando com isso, os recursos da psique humana até o alcance da visão mais aprofundada da interpretação, não definitiva, e, assim desvelando a sintaxe textual, ainda que provisoriamente
Literatura e Imaginário O imaginário sócio-cultural Na modernidade, vislumbram-se mudanças profundas no enfoque do imaginário calcada nas evolução cultural das gerações. Tais mudanças, no passado eram de pouco alcance devido aos meios de comunicações ineficientes. Por outro lado, as mudanças políticas e as guerras transformaram o imaginário, chegando globalmente à sociedade, revolucionando a “civilização da imagem”, graças à expansão do vídeo e outros meios de expressão pela mídia
Literatura e Imaginário O imaginário sócio-cultural (Cont.) Durand denuncia o perigo tríplice para a geração contemporânea quando a imagem sufoca o imaginário, nivela valores do grupo e quando os poderes constitutivos da sociedade são erodidos por uma revolução civilizacional que escapa ao seu controle Frente a essas concepções é preciso priorizar a imagem literária sobre qualquer outra, uma vez que a literatura tem um caráter enriquecedor do imaginário, socializador do grupo e culturalmente estimulador da criatividade, do pensamento e da capacidade crítica do leitor
Literatura e Imaginário O imaginário e a formação do leitor Com o surgimento da escola e a nova visão da infância, se estabelece outra chama a ser acesa na constituição da formação do leitor Frente a essa concepção, a literatura Infanto-Juvenil tem crescido muito nos últimos tempos e ao professor, como mediador desse processo, cabe, portanto, adotar critérios de seleção de qualidade literária, escolha de obras que promovam a leitura como ato criativo e formador de prazer e sentido plural de leitura
Literatura e Imaginário O imaginário e a formação do leitor (Cont.) Leitura é uma atividade social e, individual, introspectiva, de construção processual depende da interação do sujeito no ambiente da cultura letrada Essa se qualifica pela prática oriunda de experiências criadoras, pelo uso de estratégias bem conduzidas, para que se efetive a sintaxe do texto, isto é, a construção do significado num nível crítico As relações entre literatura e educação são problemáticas.
Literatura e Imaginário O imaginário e a formação do leitor (Cont.) A partir da origem da literatura, quando as crianças e adultos compartilhavam dos mesmos eventos de leitura, sem nenhum laço afetivo que os aproximassem, a literatura tinha cunho pedagógico e escolarizante A reconstituição e expressão do imaginário está proporcionalmente, relacionada ao letramento do educador Este como elemento modelador de leitura e desencadeador do processo, deve servir de ponte entre o leitor e o meio cultural
Literatura e Imaginário “ O ato de ler atualiza esse processo desvelador da arte da palavra desenvolvendo a expressão do sujeito-leitor numa dimensão crítico-reflexiva”. (Miguez – 2000, p. 15)
Literatura e Imaginário O imaginário e a formação do leitor (Cont.) O imaginário é o campo da liberdade da criação e do prazer. Para efeito, o educador- leitor é capaz de instigar a criatividade, efetivar e suscitar junto com os alunos as imagens contidas no texto literário, com isso, fomentar conceitos e ampliar horizontes de mundo que os cerca Nesse enfoque, além do significado, pretende-se estimular os alunos, com a finalidade de compreender, interpretar e extrapolar os sentidos do texto fortalecendo, com isso, o imaginário, preenchendo as indeterminações da obra
Literatura e Imaginário Como desenvolver o imaginário e com isso expressá-lo? Pretende-se com esse trabalho, dar um pontapé na reflexão, que ora acionada sugere-se o debate coletivo na escola, na busca de condições ambientais, implementação de acervo bibliográfico infantil mais qualificado e iniciativas para recepção textual de forma criativa mais consciente, que venham a deleitar o leitor e como conseqüência, valorizar a disciplina de Literatura Infantil nos Cursos Normais
Literatura e Imaginário “ A criança deve conseguir alimentar seu imaginário e expressá-lo. O imaginário se cultiva. Admirar-se, maravilhar-se é espontâneo na criança pequena. Mas essa disposição logo desaparece no contato com explicações lógicas trazidas pelos meios de comunicação e pela escola. Ir além da aparência, pressentir o desconhecido e o mistério, munir-se de um jogo de espelhos que refletem outras luzes, ir em busca de seu domínio secreto, são esses os caminhos do imaginário”. (Postic, 1993 - p.20)
Literatura e Imaginário Como desenvolver o imaginário e com isso expressá-lo? Cultivar, instigar, enriquecer o imaginário da infância são aspectos que dinamizam a inteligência, desenvolvem a linguagem, encantam e fascinam o campo criativo do sujeito e auxiliam na maturidade, uma vez que as imagens provocam ressonâncias, leva a interagir com o outro e com o mundo. Dessa experiência, sair-se-á mais fortalecidos e com estruturas psicológicas maturacionais, mais aprimoradas para uma vida mais saudável social e culturalmente
Literatura e Imaginário Como desenvolver o imaginário e com isso expressá-lo? (Cont.) Assim, as dinâmicas de sala de aula devem desafiar o educando para fortalecimento da leitura significativa, no processo de formação de bons leitores e não só, decodificadores de textos, apenas A bibliografia consultada serviu de embasamento teórico, como referencial para fundamentar as concepções de leitura, a fim de estimular o imaginário do leitor, com isso, aproveitar melhor a obra literária e tornar rica as experiências em leitura com a finalidade de preencher as lacunas de indeterminação
Literatura e Imaginário O imaginário na formação pedagógica Atualmente, faz-se o apelo para que a Literatura Infantil ocupe o espaço como arte, rompendo com o aspecto escolarizante e dessa forma, conquiste o valor da leitura estética ao desvelar o mundo para crianças e o jovens O papel da escola como espaço institucionalizado é alimentar o imaginário para ensinar a ler e ampliar o mundo cultural estético Cabe ao educador ser o elo encadeador do processo criativo do leitor pelo viés do imaginário conduzindo-o pelos caminhos da criação
Literatura e Imaginário O imaginário na formação pedagógica (Cont.) Para fazer a aproximação do leitor/texto é importante considerarmos as fases de desenvolvimento, capacidade intelectual e social da criança, na aprendizagem e na relação com o meio, para que a intervenção seja adequada, eficaz e que atenda a necessidade do grupo
Literatura e Imaginário A leitura estética na alimentação do imaginário: proposta metodológica A opção pela obra infantil de Clarice Lispector foi proposital, tendo em vista que a constituição da narrativa muito bem exemplifica o evento. A autora usa uma formatação moderna, dialógica, rica em imagens do cotidiano. Sua obra é capaz de conduzir o leitor, mergulhando-o numa trajetória de tensões, refazendo caminhos em busca do equilíbrio sócio-emocional A crise da leitura nos meios educacionais conduz esta reflexão, com base em: Há deficientes leitores Cabe a escola e ao professor o desenvolvimento de leitores Há necessidade de elos entre escola/educador/livro e leitura
Literatura e Imaginário A leitura estética na alimentação do imaginário: proposta metodológica (Cont.) Nessa perspectiva, orientou-se as oficinas, com o objetivo modelador de leitura, isto é, chamando a atenção para o ato emancipatório de ler como atividade individual social e processual que depende da interação do sujeito com o meio. Também com o intuito de se oferecer estímulo aos professores formadores de leitores no Curso Normal, com a intenção de refletir sobre o papel da escola e do educador Pretende-se constituir o desenvolvimento social cognitivo e estético do estudante, recuperando o prazer e a sensibilidade para a apreciação da obra de arte
Literatura e Imaginário A leitura estética na alimentação do imaginário: proposta metodológica (Cont.) A prática da leitura depende radicalmente, da maneira como é conduzida, a utilização do texto literário, o critério de seleção da obra, o efeito temático, a qualidade do conteúdo, da forma e da criatividade na ilustração. Estes, quando bem explorados com uma metodologia criativa, produz efeitos benéficos, com isso, desencadeando um sentido plural de leitura A adoção de um método depende da concepção que o educador tem de mundo, clareza por que ele o utiliza e, qual a função social da leitura. Se o modelo desejado é um leitor crítico, propõe-se leitura através de estratégias bem construídas
Literatura e Imaginário Leitura estética na alimentação do imaginário: proposta metodológica (Cont.) A proposta de oficinas, com base na estética da recepção (Jauss) pretende recuperar a ação dialética, como método de leitura, e com isso, ampliar os horizontes de mundo do leitor A partir das reflexões chegou-se a reapropriação de uma metodologia que venha detonar as múltiplas facetas da imaginação infantil. Por sua vez, Jauss, membro da escola de Constança, sugere a estética da recepção sobre a qual, o autor afirma recuperar o prazer e o sentido do texto, como arte e criação
Literatura e Imaginário Leitura estética na alimentação do imaginário: proposta metodológica (Cont.) Para estabelecer o processo recepcional da obra, usou-se a hermenêutica literária (Jauss, 1989), que supõe três etapas: A COMPREENSÃO, como o primeiro contato com a leitura da obra, as reações imediatas, às manifestações e representações das imagens criada pela interação leitor-texto; a INTERPRETAÇÃO, quando o sentido do texto é reconstituído no horizonte da experiência do leitor, fazendo a fusão do que está implícito, isto é, buscando as imagens do não-dito, mas criadas pelo universo cultural do leitor fazendo a retrospectiva do campo da obra; e a da APLICAÇÃO quando interpretações prévias são trabalhadas e medida a história de seus feitos, isto é, dando conta dos eventos históricos passado/presente registrando o impacto de uma obra sobre o público leitor e o sistema literário
Literatura e Imaginário Oficinas de vivência recepcional da leitura e expressão criadora Optou-se por oficinas: Títulos: A mulher que matou os peixes (1999) e A vida íntima de Laura (1991), como proposta de oficinas com base na estética da recepção esta sugere a recuperação do sujeito leitor através da alimentação do imaginário
Considerações Finais O imaginário pode ser enriquecido pelos mecanismos da psique humana O professor é o mediador do processo criativo e estimulador do prazer de ler promovendo novos espaços, para aprendizagens Aos educadores de leitura cabe buscar estratégias metodológicas nas novas teorias críticas, que atendam o processo de recuperação do imaginário pelas plurais leituras
Considerações Finais (Cont.) A narrativa clariciana rompe com a tradicional, atende a expectativa do leitor, aborda problemas sociais, faz das personagens os seus próprios confidentes, envolve o leitor na construção das indeterminações da obra Pretende-se com a pesquisa, acionar a reflexão, o debate coletivo na escola, promover condições ambientais para a leitura, seleção de acervo bibliográfico de qualidade e aplicação de estratégias metodológicas inovadoras nos cursos de formação de professores
Recomendações Diante do exposto, confirma-se a necessidade: seleção de textos relevantes abertos a plurais significações não usá-los como pretexto para ensino de gramática ampliar para os horizontes do leitor, causar prazer atentar para organização da obra, seu potencial criativo. enriquecedor do imaginário e tensão para manter o leitor interessado criar estratégias (oficina) metodológicas de ver e sentir a obra de arte
A GENTE COMEÇA A SER FELIZ QUANDO É CAPAZ DE RIR DA GENTE MESMO!!! TENHA UM BOM DIA, UMA BOA TARDE, UMA BOA NOITE, UMA ÓTIMA VIDA...
Summary: O imaginario na obra de Clarice Lispector
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