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CULTURA NEGRA CARIOCA: De Lima Barreto a MV Bill AS VOZES DA PERIFERIA
Eu só quero é ser feliz Andar tranqüilamente Na favela onde eu nasci...
QUEM SOMOS NÓS?
ALFONSO HENRIQUES DE LIMA BARRETO
SOU LIMA BARRETO Nasci escravo no Rio de Janeiro em 13/05/1881. Jornalista. Escritor. Editor. 1911 comecei minha carreira como escrito com o livro Recordações do Escrivão Isaías Caminha 1915 escrevi o meu livro mais conhecido O Triste fim de Policarpo Quaresma . Morri no Rio de Janeiro em 01/11/1922 deprimido aos 41 anos.
ALEX EBINALDO BARBOSA
SOU MV BILL Nasci no Rio de Janeiro, na Cidade de Deus em 3/01/1974. MV é a sigla de Mensageiro da Verdade. Sou fundador da CUFA (Central Única das Favelas). Escrevi o livro e o roteiro documentário Falcão – Meninos do Tráfico.
DIÁLOGO - A miséria geral, a pobreza das coisas o ar triste e abatido da gente pobre. - Enquanto rico vive bem o pobre vive mal. - Ele tinha que segurar o barraco Sua situação lhe deixava desesperado.
- Nós não “tem” ferramenta... isso é bom para o italiano ou “alemão”, que o governo dá tudo ... O governo não gosta de nós... - As crianças de favela não tem direito ao lazer. - Porém não quero esmola quero ouro e diamante. Adiante, o sonho não morre.
- Era um suplicio, um castigo ... um governo qualquer, ou um acordo entre cultivadores, podia levar a efeito a extinção daquele flagelo pior que saraiva, pior que geada, pior que a seca... - A política é movida através da propina, um inocente é condenado sem ter feito nada.
- Não é o crepúsculo; é a hora da angústia, é a luz da incerteza. A nossa miséria é mais completa... dá mais forte percepção do nosso isolamento no seio da natureza grandiosa. - Daqui debaixo aonde eu tô a realidade e bem mas dura. Aqui não tem playground, não tem carro do ano. Aqui não tem piscina com playboy nadando. Aqui não tem shopping, não tem boate.
- Fiquei com horror á guerra que ninguém pode avaliar... Uma confusão, um infernal zunir de balas, clarões sinistros, imprecações- e tudo isto no seio da treva profunda da noite... - Soldado da guerra a favor da justiça Igualdade por aqui é coisa fictícia Você ri da minha roupa, ri do meu cabelo Mas tenta me imitar se olhando no espelho Preconceito sem conceito que apodrece a nação. Filhos do descaso mesmo pós-abolição.
- Tudo aí dorme, cochila, parece morto. - Essa vida é absurda e ilógica: eu já tenho medo de viver. Tenho medo porque não sabemos para onde vamos... - Aqui não tem lazer, nem quadra de esporte ficamos com a boca fechada porque não queremos ir para o inferno.
- Tornava-se preciso reagir, desenvolver o culto das tradições, mantê-las sempre vivazes nas memórias e nos costumes... - Sem ideologia, a maioria fala de amor no singular. Se eu falo de amor é de uma forma impopular. Quem não tem amor pelo povo brasileiro. Não me representa aqui nem no estrangeiro.
- Os governos levam a prometer o que não podem fazer, de forma a criar desesperados, tem sempre mudanças e mudanças - O coletivo de favela agora é arrastão. Descriminados na rua, na praia, na condução. - Da militância sou refém... sabe que não tem vitória sem suor...
- Notara que, sempre que chegava, os carroceiros e trabalhadores, que jantavam nas mesas sujas, abaixavam a voz e olhavam-no desconfiados... - Ordem e progresso no país de terceiro mundo, não queremos ser tratados de qualquer maneira, como se todos na favela fossem vagabundos, quem está por cima não esquenta não.
- Miséria e morte é o nosso dia-a-dia. Pelo menos entre nós não existe judiaria. Um amigo estudou não teve oportunidade. Brigou, lutou por sua dignidade. Mais uma vez, por falta de opção, o seu trabalho foi na boca com uma nove na mão...Por isso que muito cara fica revoltado com o sistema que deixa os pobres acorrentados. - Depois não sei de quantos pontapés destes e outros mais brutais, sou outro, insensível e cínico, mas forte talvez; aos meus olhos, porém, muito diminuído de mim próprio, do meu primitivo ideal, caído dos meus sonhos, sujo, imperfeito, deformado, mutilado e idoso.
- Eu tinha cem mil-réis por mês. Vivia satisfeito e as minhas ambições pareciam assentes. Não fora só a miséria passada que assim me fizera; fora também a ambiência hostil, a certeza de um passo para diante me custava grandes dores, fortes humilhações, ofensas terríveis. - Aqueles que sonham com uma vida em liberdade, de verdade. Capacidade para bater de frente e modificar o que foi pré-designado pra gente. Dignificar o que foi conquistado, mudar de estado, sair de baixo, sem esculacho é o que eu acho. Não me encaixo nos padrões que visam meus irmãos como vilões, na condição de culpados
LIMA BARRETO MV BILL
C.E MAL. JUAREZ TÁVORA TRABALHO REALIZADO PELA TURMA 2006 ENSINO MÉDIO – NOVEMBRO DE 2009 PARTICIPANTES: Cristiano Gonçalves de Melo Deise Rosa de Câmara Dierfeson Viana Lima Dyone Willian Silva da Conceição Fátima Pereira Machado Teixeira Jabis José Santana Jefferson Robert dos Santos Joaquim Mônica Santana Rodrigues Monique da Conceição Rodrigues Rodrigo dos Santos Pereira Silvana da Conceição Velasco Tiago Pereira dos Anjos Evandro Pereira Souza Helen Ticiane Viana Melo
FRAGMENTOS TIRADOS DOS TEXTOS LIMA BARRETO Recordações do Escrivão Isaías Caminha; O Triste fim de Policarpo Quaresma. MV BILL Preto em movimento; Contraste Social; Como sobreviver na favela; Movimento do Gueto.
EM UM SÉCULO. O QUE MUDOU?
Summary: Trabalho alunos 2º Ano Ens. Médio
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