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História ilustrada por Ruben Faria Adaptada e formatada por Maria do Carmo
Pimpona era uma galinha branca, grande e bonita, boa poedeira, mas era muito vaidosa. Julgava-se a mais importante da capoeira, cacarejava com ar superior, e não queria ser branca como as outras galinhas. _ Ai se eu tivesse uma madrinha como a Gata Borralheira! _ Era só Zás, com a varinha de condão, e eu ficava, num instante, cheia de penas brilhantes e coloridas como o galo.
Um dia, depois de pensar no assunto, decidiu fazer como a Carochinha, enfeitando-me com rendas fitas e laços de cores garridas. Assim fez, e assim foi passear para junto da capoeira. Quando as outras galinhas a viram, começaram todas à gargalhada, Foi tal a barulheira que a dona da quinta, a senhora Balbina, veio a correr aflita, para ver o que estava acontecendo. Também ela se fartou de rir. _ Ah! Ah! Ah! Ria a senhora Balbina _ Só podia ser a Pimpona! É mesmo tonta esta galinha!
A Pimpona é que não achou muita graça à risota e foi-se afastando ao mesmo tempo que perdia os enfeites e resmungava: _ São todas umas parvas! Não percebem nada de moda! Desembaraçou-se das fitas e foi arranjar outra solução. E outra ideia nasceu na sua cabeça de galinha. _ Vou pintar-me da cabeça às patas e elas vão ver quem é que se vai rir. Assim fez. Conforme pode, lá se pintalgou de verde.
Terminada a pintura, sentiu-se bela e decidida a mostrar-se às suas amigas como se fosse a mais bela galinha do mundo. Só que as outras galinhas troçaram dela e até o gato lhe disse coisas desagradáveis. _Ó Pimpona já chegou o Carnaval? _ Estás mascarada de extraterrestre? _ Hás-de emprestar-me o fato!
Pimpona, envergonhada passou o dia sozinha, não tendo coragem para voltar à capoeira. Ali mesmo no meio do campo, meteu a cabeça debaixo da asa e preparou-se para dormir. Quando regressava a casa, o Senhor Belmiro encontrou uma coisa estranha, verde e arredondada e achou que tinha lá deixado esquecida uma melancia.
Puxou da navalha e debruçou-se para lhe cortar o pé, quando a Pimpona saltou e fugiu apavorada…có có ró có có… có có ró có có… julgando ser aquele o último dia da sua vida. _ A!_ Exclamou o senhor Belmiro, abrindo muito a boca! É a Pimpona, só podia ser aquela galinha maluca.
Mas lá resolveu passar a noite, pensando nas desventuras porque tinha passado. Mal rompeu o dia correu à arrecadação. _ Não gostam de verde? _ Pois vão ver o que é uma galinha vistosa __ disse enquanto escolhia uma tinta cor de laranja! _ Branca como elas nunca! Umas deslavadas!
_ Agora é que elas vão ver o que é uma galinha moderna! Mas assim que chegou junto das outras galinhas, ouviu: Lagarto pintado Quem te pintou? Foi uma velha que aqui passou
A galinha envergonhada foi-se esconder, cobrindo-se com uma asa. _ Mas que linda abóbora _ exclamou a senhora Belmira _ Deve ter ficado aqui esquecida. Vou levá-la. Vai dar-me uma bela sopa. Debruçou-se para a colher, quando a galinha de repente, fugiu da mão da senhora Balbina que ficou muda de espanto. _ É outra vez a Pimpona. Só pode ser aquela galinha tonta – disse enquanto a via correr.
A Pimpona insistiu, foi para a arrecadação, misturou mais algumas cores, pensando que agora é que iria ficar bonita. Gastou as ultimas tintas e, convencida do bom resultado do seu trabalho, saiu para a quinta. Mas tudo aconteceu como das outras vezes , ou pior , pois até os pintainhos que andavam por ali a brincar, vieram ver o que se passava e riram também.
Cansada de tanta troça, foi andando pela quinta, sem saber bem o que havia de fazer à sua vida, quando o filho da senhora Balbina a descobriu: _ Ena que linda bola! Um forte pontapé levou a galinha tonta para bem longe dali. Có có ró có có có ró có có. Isto é demais, isto não se faz _ Zangou-se a Pimpona Estou farta disto.
No dia seguinte a galinha não apareceu, nem no outro, nem no outro. Todas as manhãs a senhora Balbina dava a volta à quinta e à arrecadação, na esperança de a encontrar, mas nada! Da Pimpona nem sombra. _ Era a minha melhor galinha; gorda, boa poedeira, boa chocadeira _ Dizia a senhora Balbina. _ Já não volta – afirmava o senhor Belmiro _ Tantas noites fora da capoeira, foi apanhada por alguma raposa.
Até que um dia quando já ninguém esperava, voltou. Voltou branca como sempre fora, mas atrás dela, vinham piando doze lindos pintainhos. As companheiras que sempre tinham troçado dela vieram felicitá-la por tão linda ninhada. D. Balbina não cabia em si de contente. Foi logo buscar água e uma mão cheia de arroz, para matar a sede e a fome à Pimpona e aos seus filhinhos.
_ Que lindos que são! E são todos amarelinhos. _ Todos não! _ corrigiu a senhora Balbina _ Este é todo branco como a mãe! _ Disse apanhando-o do chão. _ Então esse já tem nome _ retorquiu o senhor Belmiro. Se é branco como a mãe, é o Pimpão.
Vitória vitória, acabou a história. História acabada, história abençoada
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