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Quem há-de abrir a porta ao gato quando eu morrer? Sempre que pode foge prá rua, cheira o passeio e volta para trás,
Mas ao defrontar-se com a porta fechada (pobre do gato!) mia com raiva desesperada.
Deixo-o sofrer que o sofrimento tem a sua paga, e ele bem sabe.
Quando abro a porta corre pra mim como acorre a mulher aos braços do amante. Pego-lhe ao colo e acaricio-o num gesto lento, vagarosamente, do alto da cabeça até ao fim da cauda. Ele olha-me e sorri, com os bigodes eróticos, olhos semi-cerrados, em êxtase, ronronando.
Repito a festa, vagarosamente, do alto da cabeça até ao fim da cauda. Ele aperta as maxilas, cerra os olhos, abre as narinas e rosna.
Rosna, deliquescente, abraça-me e adormece.
Eu não tenho gato, mas se o tivesse, Quem lhe abriria a porta quando eu morresse?
Poema “Quem há-de abrir a porta ao gato”, António Gedeão Música: “Return of the moonlight”, Paul Mauriat Imagens: Net Formatação: GinaSF 20-03-2010 12:22
by GINA | Added: 2 years ago
Language: Portuguese | Topic: Art & Culture
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