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“Aniversário” Álvaro de Campos
Caracterização do passado na estrofes 1 e 2: tempo da infância feliz, da alegria partilhada pela família, da inocência e despreocupação.
Uso do pretérito imperfeito do indicativo nessas estrofes: exprime um tempo passado que teve duração, a duração da infância.
“Sim, o que fui… o que só hoje sei que fui” (vs. 11 – 15) O que foi o poeta? – 4 primeiros versos da 3ª estrofe: O poeta foi aquilo que ele mesmo supunha ser e foi amado.
Relação do 5º verso da 3ª estrofe com a estrofe anterior: Na infância, o sujeito poético era feliz, mas não sabia que o era. Só no presente, em que já perdeu essa felicidade inocente da infância é que sabe que foi feliz.
Valor expressivo do pretérito perfeito na estrofe 3: Afirma o passado completamente concluído, morto.
Tempo degradado, de ausência, perda, vazio e solidão, um tempo sem sentido. “O que eu sou hoje…” (4ª estrofe) Como caracteriza o seu presente?
Principais recursos estilísticos para caracterizar o presente: Imagens, metáforas e comparações muito expressivas “como a humidade no corredor do fim da casa” – metáfora do paraíso “como um fósforo frio”
Desejo formulado na estrofe 5: Desejo impossível de regresso / recuperação do passado.
“Vejo tudo outra vez…” (v. 31) Na estrofe 6, a memória do passado sobrepõe-se ao presente: A expressão “Vejo tudo outra vez” inicia a presentificação do passado que, assim, substitui o presente.
À euforia dessa presentificação do passado segue a disforia da tomada de consciência: Tomada de consciência de que é impossível recuperar a felicidade perdida da infância e de que o presente vazio é a única possibilidade.
Do confronto entre o passado e o presente, o que sobra para o futuro? A velhice.
Valor anafórico e semântico das repetições mais significativas: “No tempo em que festejavam o dia dos meus anos” – marca a tentativa repetida de reviver o passado e estabelece uma espécie de circularidade (1º e último = ligeira variação).
“O que eu fui” – 3ª estrofe – em contraste com a anáfora “O que eu sou hoje” – marca a antítese passado/presente. “Ó meu Deus, meu Deus, meu Deus!” – verso dramaticamente repetitivo, desesperado.
Para além dos valores semânticos apontados, as repetições têm valor fónico, na medida em que conferem musicalidade ao poema, cadência.
Summary: Análise do poema Aniversário
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