Os processos sociais de constituição das habilidades [RTO]

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TERAPIA OCUPACIONAL 2010.1

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Tema Os processos sociais de constituição das habilidades Autora Professora Doutora Kátia Maria Penido Bueno Data da Apresentação: 28 de maio de 2010 SEMINÁRIO Recursos Terapêuticos Ocupacionais Professora Ângela Bittencourt Alunos: Andreia – Alexandre – Blan - Luiz

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BUENO, K. M. P. Os processos sociais de constituição das habilidades. Rev. Ter. Ocup. Univ. São Paulo, v. 18, n. 2, p. 47-53, maio/ago., 2007. Origem do Artigo Parte da pesquisa de doutorado intitulada Os processos sociais de constituição das habilidades: tramas de ações e relações. [Grifo nosso] Linha de Pesquisa: Educação Projeto de Pesquisa: A construção da longevidade e da excelência escolar em famílias de diferentes meios sociais. Apoio: CNPq Sobre a Autora Professora Doutora do Departamento de Terapia Ocupacional da Faculdade de Ciências Médicas de Minas Gerais – FCMMG; Doutora em Educação pela FAE/UFMG; Terapeuta Ocupacional do Serviço de Urgência (SUR) do Centro Psicopedagógico da Fundação Hospitalar do Estado de Minas Gerais/FHEMIG. Fonte da Fotografia: Artista Plástico Daniel Ferreira Associação dos Pintores com a Boca e os Pés Site: http://www.apbp.com.br

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Introdução A autora compreende que as habilidades se constituem e emergem dos processos de socialização. A partir deste ponto de vista, a pesquisa da autora opõe-se às explicações do senso comum que atribuem as habilidades aos dons e talentos naturais, descendentes de predestinações biológicas, genéticas ou religiosas. Objetivo Segundo a autora, em muitas áreas da Terapia Ocupacional, os recursos avaliativos são direcionados para diversos campos de habilidades dominadas ou não pelo sujeito. A autora espera contribuir para a reflexão e o debate sobre os fundamentos e as formas de compreensão dos processos de constituição das habilidades e sua relevância na prática dos recursos da intervenção terapêutica.

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Apresentação da Pesquisa Por ser uma terapeuta ocupacional, o interesse da autora foi direcionado para o campo de habilidades que envolvessem o domínio de um saber-fazer arraigado ao senso comum (onde seriam atribuídos, por exemplo, aos dons, predestinação e, possivelmente, missão divina). Por esta razão, concentrou sua pesquisa nos campos artísticos e esportivos, optando respectivamente: Campo Artístico => música; analisando um instrumento erudito, o piano, e outro popular, o violão. Campo Esportivo => hipismo e futebol Critérios de escolha dos sujeitos a serem pesquisados Faixa Etária: 13 e 18 anos Porque esta faixa etária: Os sujeitos apresentariam um certo tempo de dedicação e aprendizado, estando ainda em processo de formação e significativa presença familiar. Indicação dos sujeitos: Especialistas de cada área indicavam os mais talentosos, com desempenho destacado e, especificamente no futebol, perspectiva de futuro promissor dentro do campo.

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Fonte da Fotografia: Artista Plástico Clênio Ventura Associação dos Pintores com a Boca e os Pés Site: http://www.apbp.com.br Instrumentos Metodológicos utilizados na pesquisa Entrevista semi-diretiva: Com o próprio sujeito – seus pais – irmãos – avós maternos e paternos – professores – treinadores – e um amigo. Observação do perfil etnográfico (estudo do aspecto sócio-cultural): Por um período médio de 6 meses em cada campo, a autora acompanhou aulas; treinamentos; jogos; provas; concursos; audições e apresentações; festas e atividades sociais da família (quando possível). Análise de registros e documentos: Coleta de materiais disponibilizados pelas famílias, relacionadas às histórias do sujeito com sua habilidade, ou seja, importantes registros que podem expor sentidos e significados relativos às habilidades e suportes de memória dos processos de constituição. Foram analisados pela autora: fotos; filmes; troféus; medalhas; folhetos; reportagens; programas etc.

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A origem dos estudos da constituição das habilidades fundamenta-se em dois grupos teóricos: Primeiro Grupo Os conceitos do sociólogo Pierre Bourdieau (falecido aos 71 anos em 2002), denominados “Habitus” e “Estrutura de Patrimônios”. Habitus => A autora explica que este conceito é compreendido como um elemento mediador entre as estruturas sociais e as práticas do indivíduo ou grupo ao qual pertence; por exemplo: o hábito familiar de ouvir determinado tipo de música ou a participação em certas práticas esportivas que criam disposições (hábitos) para gostos, referências e estilos de vida. Estrutura de Patrimônios => Segundo a autora, este conceito é compreendido como o conjunto de riquezas sociais possuídas por um grupo ou indivíduo em sua composição interna (valores econômico, social e cultural); por exemplo: uma rede durável de relacionamentos facilitam o acesso a informações, convites e orientações quanto à escolha e manutenção do exercício das habilidades. Base Teóricas da Pesquisa – A sociogênese da Habilidades

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Segundo Grupo: A partir do conceito “socialização” do teórico (sociólogo) Bernard Lahire (1999, 2002), o papel da família é colocado com relevância e o conceito de “socialização” – processos e modalidades – tornam-se indicadores centrais desta pesquisa. Modalidades de Socialização (destacada por Lahire): Aprendizagem Prática => Pode ocorrer de modo informal na família, por exemplo: quando o sujeito é iniciado em alguma prática no uso de instrumentos e lhe é mostrado o modo de uso, o vocabulário etc. Ou, também, juntos com especialistas professores, instrutores, instituições. Socialização Tácita => Forma indireta e subjetiva, por meio da influência do “fazer como”, implícita na expressão coloquial (senso comum): “ele/ela puxou a mim”. Inculcação ideológico-simbólica => São efeitos socializadores no contexto cultural, social e histórico, difundidos por diversas instituições: escola, televisão, rádio, jornais etc.

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Fonte da Fotografia: Terapia Assistida por Animais - TAA Site: http://www.criativaterapiaocupacional.com Parâmetros/Eixos condutores da Pesquisa Ainda a partir de Lahire (1999) e diante dos grande volume de dados coletados, a autora definiu 7 eixos condutores para análise da pesquisa: Modelos Socializadores/Educativos familiares => A habilidade pode ser nutrida, favorecida e sintonizada com os modelos socializadores. Deste modo, os dados coletados foram analisados quanto às formas de presença educativa dos pais, seus estilos de interação; forma de administrar o relacionamento; o conjunto de valores professados; a dinâmica normativa. Tipos de Mobilização => Busca-se ressaltar como a habilidade [sua constituição] se inscreve no funcionamento e cotidiano familiar, considerando os aspectos tempo – orçamento – transporte – deslocamento – escolha das instituições – estímulo – vigilância dos estudos – lazer. Relações Intersubjetivas => Referente às relações afetivas e não verbalizadas, aspectos inconscientes que se manifestam no desejo de realização profissional de um familiar por meio do desenvolvimento (constituição) da habilidade de um sujeito, membro daquela família.

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Parâmetros/Eixos condutores da Pesquisa Relações Intergeracionais => Análise da herança familiar e como ela se insere no quadro das trajetórias das gerações; memórias; mitos e tradições familiares. A habilidade pode evidenciar a intenção de se perpetuar os atributos e qualidades familiares [manifestado com a expressão “isso está no sangue, vem de família”]. Ações pertinente ao próprio sujeito => Análise do papel desempenhado pelo próprio sujeito, condutor central de todo o processo de aquisição e exercício da habilidade, ou seja, a autoapropriação da habilidade; as ações e mobilizações rumo ao exercício da habilidade; a autodeterminação e o autoinvestimento. Grupos de referência e influência das condições sociais => Neste eixo a autora busca compreender como as condições sociais orientam o exercício da habilidade e os projetos futuros relativos a ela. Também são analisados outros grupos de convivência, além do familiar. Estes grupos são: os religiosos; de amizade e vizinhança. O aprendizado formal => Segundo a autora, é necessário considerar o espaço institucional formal e analisar suas afinidades e dissonâncias em relação à socialização familiar, ressaltando que cada campo de habilidade organiza de modo específico os espaços de ação e reconhecimento. [Continuação]

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Síntese do Caso do Futebol – Perfil de Configuração Robson, 14 anos, artilheiro de todos os campeonatos dos quais participou. Família de origem bastante modesta, com condições sócio-econômicas próximas da pobreza. Família composta pelo pai, mãe, Robson e um irmão mais novo pequeno (3 anos). Esse caso é caracterizado pela forte e intensa mobilização paterna que canaliza suas ações e energia para o propósito de formação da habilidade do filho e para conseguir torná-lo profissional. Tal propósito é um sonho acalentado antes mesmo do nascimento do filho. Em uma das entrevistas o pai me mostra uma foto de Robson, provavelmente antes dos dois anos de idade, vestido com uma grande camisa de seu clube e segurando uma bola, ajudado por alguém, que, significativamente, tampa todo o seu rosto. Em seguida afirma orgulhoso: Esse sempre gostou de bola, esse era danado! É importante também relatar que, em sua adolescência, o pai teve sua própria trajetória com o futebol e o desejo de tornar-se profissional interrompidos a partir da proibição da mãe e da necessidade de inserir-se precocemente no universo do trabalho. Em relação à atividade do filho com a bola, o pai envolve-se em suas brincadeiras, acompanha-o em suas atividades, gere, planifica e organiza o cotidiano, aconselha, orienta, direciona gastos, assume sacrifícios, fornece reconhecimentos e apóia moral e afetivamente o filho, ajudando-o a manter o ânimo e o investimento. Ele se fará presente em todas as fases da atividade de Robson. Há ainda um forte processo identificatório que leva Robson a tornar-se um herdeiro ativo do desejo do pai, incorporando-o como seu. Nos momentos de entrevista e contatos com a família, o pai sempre utilizava o pronome pessoal nós e os verbos na primeira pessoa do plural, para referir-se às atividades do filho com o futebol, mesmo quando relatava situações onde não estivera presente. A perspectiva da ascensão econômica está presente como aspiração, mas essa é uma característica mais geral da totalidade da parcela jovem que tem procurado a carreira de jogador de futebol nos últimos anos. A vida da família está marcada pelo sentido de luta tentando vencer adversidades, revelado pelo uso repetitivo das expressões “a gente corre atrás”, “é preciso correr atrás”. Assumem uma série de sacrifícios e esse sentido de luta vai envolver toda a atividade do filho. Fonte da Fotografia: http://br.esportes.yahoo.com

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Modalidades Socializadoras identificadas na Síntese do Caso do Futebol (slide anterior) Socialização por Aprendizagem => Prática informal exercida pelo pai e pelas oportunidades do ambiente comunitário Socialização Tácita => Forma indireta e subjetiva, identificadora da influência do “fazer como”, semelhante à expressão coloquial (senso comum): “ele/ela puxou a mim”. Inculcação Ideológico-Simbólica => Socialização maciça, tem o caráter muito homogêneo, onde todas as ações convergem para o futebol. Os valores dos processos socializadores tanto familiar quanto institucional formal são semelhantes e próximos; por exemplo: convergências nos valores obediência, poder e autoridade, esforço, submissão, humildade e disciplina, impregnam a própria identidade do sujeito (Robson) com o processo socializador, contribuindo com sua dedicação e persistência em um ambiente altamente seletivo e competitivo. O pertencimento ao clube formaliza seu aprendizado a socialização torna-se cada vez mais homogênea, ou seja, o clube é uma “presença” em seu próprio sentido e exercício da habilidade.

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Conclusões da Pesquisa A partir dos estudos realizados, a autora conclui que os processos de constituição das habilidades estão associados e sofrem influências: das condições e trajetórias sociais dos sujeitos e suas famílias; das intenções e dos propósitos socializadores; são sustentados por ações mobilizadoras da família; relacionam-se a aspectos intersubjetivos; vinculam-se a histórias e memórias familiares; são dependentes de múltiplas mobilidades de socialização Cada habilidade traz a marca e a história de suas relações e da estrutura da rede humana em que se desenvolveu. O sujeito é o condutor central de todo processo [constituição das habilidades], ele dá vida e tonalidade próprias à habilidade e, embora exerça-a de modo singular, a forma individual não exclui as interações e contextos nos quais o sujeito vive.

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Reflexões propostas A autora afirma compreender com clareza que a posse e o exercício de um conjunto de habilidades faz parte da condição humana; evidencia a riqueza cultural na qual cada ser humano está imerso; as habilidades estão vinculadas a significados, valores, memórias, trazendo em si todo o sentido de realização e de apropriação de modos de ação construídos culturalmente. Considerações finais A autora considera como uma das especificidades profissionais [do terapeuta ocupacional], a compreensão e explicitação dos processos de constituição [das habilidades] desenvolvimento e recuperação, [todos] embutidos nas ações humanas, o que permite [ao terapeuta] um olhar que desnaturaliza as aquisições [não se encontra no senso comum]. A autora ressalta a importância da história ocupacional como um instrumento privilegiado de acesso à compreensão desses processos. A autora reitera: todas as entrevistas pautaram-se nas considerações acima e os eixos de análise estabelecidos funcionaram como parâmetros interpretativos

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Referências Bibliográficas: LAHIRE, BERNARD. Educação e Pesquisa, São Paulo, v.30, n.2, p. 315-321, maio/ago. 2004 SETTON, M. G. J. Universidade de São Paulo, Faculdade de Educação, Revista Brasileira de Educação v. 14 n. 41 maio/ago. 2009 ELIAS, Norbert. SCOTSON, J. L. Os estabelecidos e os outsiders: sociologia das relações de poder a partir de uma pequena comunidade. Rio de Janeiro: Jorge Zahar Ed., 2000.

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GRATOS POR SUA ATENÇÃO ÓTIMA SEMANA!

Summary: Atividade Solicitada Blan Tavares ........................................... Os slides expostos nesse perfil, têm por finalidade somente apresentar a habilidade operacional, textual e visual da autora, portanto, fora do padrão convencional. Importante ressaltar, que os slides, ao serem elaborados para apoio às apresentações presenciais (por exemplo: palestras), deverão corresponder ao padrão específico e praticado conforme as regras pedagógicas vigentes, ou seja, textos curtos e objetivos com imagens que correspondam à proposição temática.

Tags: blantavares habilidades recursos terapeutico terapia blan tavares

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