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música e novas mídias provocações para o debate sobre produção, circulação e consumo
três contradições deejays • DJs garimpam vinis para incrementar suas coleções de raridades; eles alegam, entre outros aspectos, que o som das mídias analógicas tem qualidade superior à mídia digital usuários • cada vez mais, apreciadores de um gênero musical e fãs baixam as discografias de seus ídolos para ouvir em seus aparelhos de MP3, MP4, MP5 etc. artistas • hoje, são inúmeros os artistas e grupos que iniciam suas carreiras divulgando seus trabalhos na internet, e depois assinam contrato com gravadoras
três contradições música = commodity • como bem cultural, a música foi ao longo do tempo submetida a um processo de transformação em mercadoria, através de relações de compra e venda 1 autenticidade valor de culto ato performático ‘comodificação’ da música produção ≠ performance • para constituir-se como mercadoria, diferentemente de outras formas de arte, a música exigiu uma separação entre os processos de produção e performance microfone e tecnologias de gravação • a gravação em estúdio não é somente o registro de uma experiência anterior e original, é um novo processo de criação musical guitarras elétricas e LPs • a indústria de instrumentos contribui para a transformação de “ruído” em “melodia” (cf. samplers, sintetizadores) e dá vazão a técnicas de intervenção que alteram o status da música eletrônica (scratch p.ex.)
três contradições 1
três contradições 2 individualismo privacidade modularidade pirataria tecnologias de armazenamento • a introdução do LP (e, em seguida, do cassete) expande a capacidade de armazenamento e define uma nova concepção musical – o “álbum” – juntamente com uma nova concepção estética – a das capas dos discos miniaturização do consumo e territórios • em oposição à recepção coletiva, tipicamente aristocrática, a recepção burguesa é privada e a apropriação, individual (cf. aparelhos de walkman) e afirmativa (cf. soundblasters) ‘desencapsulação’ • o processo de gravação digital isola todas as fontes musicais (vocais, samples etc.) e reforça a cultura do remix e os formatos “abertos” (cf. inclusive karaokê) ‘desfragmentação’ e consumo participativo • com o MP3, a unidade básica da música comercial passa a ser a “faixa”, não mais o “álbum” – com isso, o consumidor escolhe baixar apenas as músicas que mais lhe agradam
três contradições 2
três contradições 3 modelos de negócio circulação de bens culturais consumo desintermediação desintermediação • o home studio e as novas TICs de maneira geral possibilitam não só que novos artistas surjam mas que eles sejam alçados a um espaço que antes era inteiramente controlado pela indústria (o efeito colateral é o “culto do amador”) distribuição = consumo • as novas mídias, em especial a web, estreitam o processo de comunicação, tornando as etapas de distribuição e consumo, em alguma medida, sinônimas autodivulgação e marketing viral • a “desintermediação” ocorre não apenas nos processos de criação e produção artística, mas ainda na fase de divulgação; hoje, cada artista é divulgador de si mesmo modelos de negócio abertos • modelos de negócio em que a sustentabilidade não se baseia em direitos de propriedade intelectual
três contradições 3
recursos produção difusão • criação e manutenção de portfólios (blogs e perfis em redes sociais) • viralidade e disseminação da informação (mídias sociais, p.ex. mySpace, Twitter, Facebook) • distribuição alternativa, merchandising e ecommerce • suportes de mídia alternativos (videogames, ringtones etc.) • remix e criação colaborativa • feedback e relacionamento com o público • gestão de carreiras independente • modelos de negócio abertos como eventual antídoto à cisão produção/ performance e à compreensão da música como commodity
música e novas mídias casos comentados
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alterações na experiência artística produção • a mídia digital subverte o valor de autenticidade da música e o conceito de autoria e valoriza a criação colaborativa consumo • a mídia digital altera as condições de recepção, tornando a música um produto modular de consumo participativo distribuição • a mídia digital possibilita ao artista realizar ações de autodivulgação e autopublicação na rede
O template utilizado nesta apresentação é uma adaptação customizada do modelo Circles Green nº F0840972, disponibilizado livremente pela Ícones e imagens, exceto quando indicados em particular, são parte integrante das coleções disponibilizadas livremente pelos seguintes projetos Viktor Chagas é escritor, jornalista, e professor do MBA em Gestão e Produção Cultural da FGV e do Departamento de Estudos Culturais e Mídia da UFF. Integra a equipe do projeto Overmundo <http://www.overmundo.com.br>, ocupando atualmente a Coordenação Editorial e de Projetos de Comunicação do Instituto Overmundo.
Summary: Seminário Diálogos e Inovação (MBA em Gestão e Produção Cultural, FGV)
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