meu filho, minha vida

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Meu filho, minha vida. coisas distintas, mas complementares.

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Há pais que se apresentam de tal maneira apegados à vida de seus filhos que se anulam, e passam a ter com eles uma relação simbiótica. Se, por um lado, sufocam os filhos com seus mimos e cuidados extremos, de outro, gravitam em torno deles sem viver a própria vida. Essa relação tende a se tornar extenuante, pois mina as forças de ambas as partes, sem permitir que cada uma viva as experiências que são peculiares a seu próprio mundo.

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Cada passo dos filhos é seguido pelos olhos atentos dos pais, que monitoram gestos e atitudes, numa vigilância castradora. Há, ainda, uma situação equivalente, em que os pais cultivam um certo deslumbramento com relação às experiências dos filhos. É uma clara postura de fuga, de quem busca preencher e maquiar o cotidiano que não lhe apetece, ou então concretizar expectativas e anseios próprios em realizações alheias.

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È necessário rever urgentemente certas atitudes paternalistas ou protecionistas. Ser filho ou ser pai são papéis itinerantes: os atores sociais ora ocupam uma posição, ora outra, e, em diversas ocasiões, ambas. Pais e filhos possuem uma relação de interdependência, acentuada na infância, fase que exige orientação, e na maturidade dos pais, cuja idade avançada requer cuidados. Entretanto, nada disso anula o fato de que cada um tem vida própria e é livre.

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Sustentar a família ou educá-la é algo nobre. Contribui para a formação do indivíduo, da sociedade e para o progresso do mundo. Já anular-se em função da família ou de um de seus integrantes é atitude passível de reprovação severa e de reavaliação. O grupo familiar pode e deve crescer junto, mas comportar-se de tal forma a viver gravitando em torno de alguém, mesmo que seja um ente caro ao coração, é sintoma de profundo desequilíbrio. Todos precisam crescer e ter vida própria, libertar-se do protecionismo ou da submissão que anula o progresso.

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O filho precisa sentir-se livre, caminhar com as próprias pernas, sem a proteção paternal que tolhe a liberdade. Envolver o jovem em uma redoma e isolá-lo do mundo, a pretexto de protegê-lo, só lhe embota a visão, dando-lhe a noção de uma realidade que é pura fantasia. Cedo ou tarde, ele terá de descobrir como as coisas funcionam de fato. Não é melhor que ele possa viver essas experiências em sua companhia, em vez de enfrentar sozinho o desconhecido?

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Com freqüência ocorre superproteção com filhos de pais separados, ou mesmo de viúvos que optaram por não se casar novamente. Os meninos são submetidos ao olhar severo e à atenção (bem como à tensão) incessantes da figura materna ou paterna. Seus cuidados, mimos, excessos e preocupações, de toda natureza; os filhos ficam seriamente prejudicados, tolhidos em sua liberdade. Em situações de viuvez e em que o genitor não se acha vinculado a nenhum relacionamento amoroso, é comum que direcione para os filhos toda a sua carência afetiva, projetando neles expectativas e desejos que jamais serão alcançados. Exercem, sem perceber, uma educação que escraviza a sensibilidade e o sentimento.

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Estabelecida a simbiose emocional, surgem outros fantasmas que atemorizam o relacionamento: o ciúme castrador, o domínio da vontade, a manipulação e a chantagem sentimental. O aspecto de fragilidade e de vítima de abandono torna-se então o papel mais óbvio, desempenhado com tal esmero que as atuações poderiam concorrer em premiações teatrais. A mente humana prega peças e engendra dramas e espetáculos surpreendentes.

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Ninguém é de ninguém. Que pais e filhos descubram o sabor de viver em harmonia sem se fundirem emocionalmente. Ninguém precisa deixar de viver emoções e sentimentos próprios e saudáveis, anulando-se perante o outro.

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Os filhos precisam prosseguir a caminhada e experimentar viver em plenitude, tanto sua infância e adolescência como os percalços da vida adulta. Os pais igualmente necessitam seguir adiante e aprender a amar sem possuir nem fundir-se aos seres amados. Cada um delimite e preserve sua personalidade, sua privacidade e sua existência, compartilhando todos os passos com os parceiros de jornada.

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Não é bom concordar com os filhos ou com os pais sem uma avaliação prévia. Dizer não na hora certa, experimentar um programa com os amigos, sem a presença dos familiares, ou ainda construir relações sociais e afetivas saudáveis, tudo isso representa elemento dinamizador da felicidade. Não se constrói satisfação duradoura baseada em emoções alheias, mesmo que sejam as emoções dos filhos. Quando crescem, voam como andorinhas, pois necessitam de seu próprio espaço para alcançarem a liberdade de expressão e a felicidade pessoal.

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A fusão emocional de pais e filhos é extremamente daninha e representa grande ameaça para a liberdade e a felicidade de cada um. Que ambos persigam o ideal de uma relação de parceria, com o devido respeito para com as experiências, aspirações e preferências de cada um.

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Psicografia: Robson Pinheiro pelo espírito de Everilda Batista. Extraído do livro: Uma alma do outro mundo me fez gostar do meu mundo. Imagem: Internet. Música: Too young. Formatação: Anna Ponzetta

Summary: mensagem

Tags: pais filhos

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