De tarde

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CESÁRIO VERDE Análise do poema “De Tarde”

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“De Tarde” Manet, Le déjeuner sur l´herbe

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“De Tarde” Naquele pic-nic de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo caso dava uma aguarela.

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“De Tarde” Foi quando tu, descendo do burrico, Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal de grão-de-bico Um ramalhete rubro de papoulas.

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“De Tarde” Pouco depois, em cima duns penhascos, Nós acampámos, inda o Sol se via; E houve talhadas de melão, damascos, E pão-de-ló molhado em malvasia.

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“De Tarde” Mas, todo púrpuro a sair da renda Dos teus dois seios como duas rolas, Era o supremo encanto da merenda O ramalhete rubro das papoulas!

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“De Tarde” Este poema é uma paisagem com figuras, o registo espacial, em termos puramente estéticos, de um momento passado no campo. Monet, Les Coquelicots à agenteuil

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“De Tarde” Nas quadras iniciais, o poeta isola, como «uma coisa simplesmente bela», a visão que «naquele pic-nic de burguesas» merece ser pintada na aguarela que o poeta descreve: Naquele pic-nic de burguesas, Houve uma coisa simplesmente bela, E que, sem ter história nem grandezas, Em todo caso dava uma aguarela. Foi quando tu, descendo do burrico, Foste colher, sem imposturas tolas, A um granzoal azul de grão-de-bico Um ramalhete rubro de papoulas.

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“De Tarde” A analogia entre o poema e uma aguarela é totalmente justificada. “De Tarde” é um quadro impressionista transposto em palavras que especificamente se dirige à imaginação do leitor:

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Destaca-se o vermelho intenso do “Ramalhete rubro das papoulas” emerge de um decote rendilhado do vestido de uma rapariga e que contrasta, em cor e forma, com a brancura dos seus dois seios «como duas rolas» “De Tarde”

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“De Tarde” No fundo, os «burricos» pardos, o azul surpreendente de um campo, e o sol vermelho do fim da tarde. Os pormenores da composição podem variar na imaginação individual de cada leitor, mas o seu ponto dominante tem inevitavelmente de ser o «ramalhete rubro das papoulas».

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“De Tarde” “Em todo caso dava uma aguarela” Cores “Granzoal azul de grão-de-bico” Azul / Verde “Um ramalhete rubro de papoulas” Vermelho “Talhadas de melão e damascos” Amarelo/Laranja “Sol” Amarelo / Dourado

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“De Tarde” “Em todo caso dava uma aguarela” Cores “pão-de-ló” Amarelo “malvasia” Vermelho “Todo púrpuro a sair da renda Dos teus dois seios” Vermelho / Branco

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“De Tarde” “Em todo caso dava uma aguarela” Realce do vermelho “Ramalhete rubro das papoulas” Sensualidade

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“De Tarde” Relação entre o título “De Tarde”, o momento do dia e a dominância do amarelo “Inda o sol se via” Fim de uma tarde de Verão Ambiente dominado pelos dourados, amarelos vivos e laranja

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“De Tarde” Relação entre o título “De Tarde”, o momento do dia e a dominância do amarelo Também presentes no: grão-de-bico, Melão, Damascos, Pão-de-ló. Forte conotação sensual

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“De Tarde” Mas… Vermelho (ramalhete rubro das papoulas) Branco (“seios” arredondados semelhantes a “duas rolas” ) Vs.

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“De Tarde” Carácter sensual / sensorial Sensações visuais Cores Sensações gustativas Alimentos: “Talhadas de melão e de damascos” “Pão-de-ló molhado em malvasia” Sensações tácteis “Pão-de-ló molhado em malvasia” “(…) todo púrpuro a sair da renda Dos teus dois seios como duas rolas” Cruzamento de sensações – emprego sucessivo de sinestesias

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“De Tarde” Vida A luz do sol, que “inda se via” O corpo da mulher; os dois seios Os abundantes alimentos (talhadas de melão, damascos, pão-de-ló) “as papoulas rubras” (vida sanguínea e receptoras do calor dos seios da mulher, que fortificam a sua cor)

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“De Tarde” Presença de vários planos Plano Geral Enquadramento global do pic-nic Grandes Planos A figura feminina O ramalhete As talhadas de melão O pão-de-ló molhado em malvasia Os seios

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“De Tarde” Personagens Observador Eu (sujeito poético) Observada Tu (mulher bela, sedutora, sensual) Burguesa Tu (“Foi quando tu…” Eu Tu Nós (dois elementos que se destacam no “colectivo burguês)

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“De Tarde” Unidade forma / conteúdo Feição descritiva e pictórica Tendência narrativa Vs.

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“De Tarde” Preocupações plásticas Cor “uma aguarela”; “um granzoal azul de grão-de-bico”; “um ramalhete rubro”; “todo púrpuro”; “renda”; “dois seios como duas rolas”.

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“De Tarde” Preocupações plásticas Forma “penhascos”; “sol”; “talhadas de melão”; “damascos”; “pão-de-ló”; “dois seios como duas rolas”.

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“De Tarde” Tonalidade narrativa - dinamismo Pretérito Perfeito (houve, foi, foste colher, acampámos); Expressões temporais (“Foi quando tu…”; “Pouco depois…”; “inda o sol se via” Mas Imperfeito (“era”) Forma verbal “a sair” = Gerúndio Imposição da plasticidade de uma aguarela Adjectivos / Comparação (“dos teus dois seios”) / Exclamação final

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“De Tarde” Estrutura Interna 1ª parte: primeira quadra Introdução: apresenta-nos o texto como uma aguarela representativa de um pic-nic de burguesas em que houve uma coisa simplesmente bela.

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“De Tarde” Estrutura Interna 2ª parte: segunda e terceira quadras Descrição do pic-nic.

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“De Tarde” Estrutura Interna 3ª parte: quarta quadra Refere-se à memória mais grata que ficou daquela merenda: o ramalhete de papoulas.

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“De Tarde” Estrutura Externa Quatro quadras Versos decassilábicos Rima cruzada (ABAB) e consoante em todas as estrofes; alternadamente pobre e rica (três primeiras estrofes), pobre (última estrofe).

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“De Tarde” Síntese Núcleo central Seios / Ramalhete Púrpuro Rubro Sensualidade

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“De Tarde” Síntese Narrativa vs. Plástica Era – estatismo pictórico Vs. Outros verbos – movimento / dinamismo (que acaba por desaparecer na estância final) Pic-nic pára na imobilidade plástica de uma aguarela.

Tags: tarde cesario verde

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