Concepções de atenção a vítimas, autores e famílias - Tratamento

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SEMINÁRIO DO FÓRUM CATARINENSE PELO FIM DA VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS TRATAMENTO Lages - Santa Catarina - Setembro de 2010 Sérgio Roberto Monteiro Dias Orientador: Pedro Bertolino

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SÉRGIO ROBERTO MONTEIRO DIAS Psicólogo e Psicoterapeuta (CRP 12/00757) Graduado em Psicologia pela UFSC (1991) Formação em Psicologia Existencialista Científica pelo NUCA - Núcleo Castor Estudos e Atividades em Existencialismo (1992) Integrante do Colegiado do Curso e Formação em Psicologia Existencialista Científica do NUCA. → Desde 1991 atua como psicoterapeuta de adolescentes, adultos e famílias. → Exerce suas atividades profissionais no Consultório PERFIS – Psicologia e Psicoterapia Existencialista Científica desde 1991, em equipe interdisciplinar. 03/27 CURRICULUM Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 2

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FAMÍLIA E PERSONALIDADE A PEDOFILIA – Quem abusa/Pesquisas FAMILÍAS COM PEDOFILIA A SOLIDÃO FAMÍLIAS SEM PEDOFILIA A SOCIOLOGIZAÇÃO – Exemplo TRATAMENTO: Com a família (o pedófilo e a vítima) Intervenção psicoterapêutica Resultado 03/27 ESTRUTURA DA APRESENTAÇÃO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 3

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É no interior da família que constituímos e estruturamos nossa personalidade: na sanidade ou no enlouquecimento. “.... os padecimentos emocionais são devidos a conflitos/impasses na vida de relações, mormente aqueles verificados no seio do sociológico familiar ou interior da família. Então, fica evidenciado também que a gênese das distorções de personalidade ou padecimentos emocionais, quando constitucionais, será sempre encontrada nas relações de infância ou adolescência dos respectivos pacientes”. (Bertolino, Pedro. Nova Psicologia e Nossa Psicoterapia. 2010) Os psiquiatras Dr. David Cooper no livro Psiquiatria e Anti-psiquiatria (1982) e Dr. R. Laing e A. Esterson no livro Sanidade, Loucura e a Família (1979) em suas verificações no estudo de famílias são unânimes ao constatar que é no plano das relações interpessoais que se compreende as complicações psicológicas de seus integrantes. Dr. J. H. Van den Berg em seu livro O Paciente Psiquiátrico (1981) deixa muito clara a mesma constatação ao referir-se ao paciente psiquiátrico: “... sua educação falhou.” Isto é, o processo de desenvolvimento de sua personalidade no tecimento de ser com os outros, a começar por sua família, falhou e o mesmo foi empurrado para a solidão e o enlouquecimento. 03/27 FAMÍLIA E PERSONALIDADE Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 4

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03/27 A PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - um dos problemas graves no interior das famílias é a pedofilia ou abuso sexual de criança por adulto. É uma forma de violência mesmo sendo feita de modo dissimulado, parecendo carinho. A pedofilia: desdobra para complicações no desenvolvimento da personalidade da criança, vítima do abuso, já durante a infância e adolescência, bem como para complicações psicológicas severas na vida adulta. quando ocorre no interior de uma família seus desdobramentos psicopatológicos atingem não apenas a criança abusada, mas todos os seus integrantes. - por causa do aspecto moral, judicial, policial e psicológico é um grave problema e arrebenta emocionalmente a família toda. - depende da constituição interna da família e do clima antropológico. 5

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03/27 A PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - é um processo de enlouquecimento. - é a busca de prazer com criança por parte do adulto, mas leva a criança ao prazer e ao vício que continua na vida adulta. - é como o vício da droga, é adquirido na infância e continua na vida adulta. - não é doença hereditária, é adquirida na infância, em função do abuso sofrido. É um problema de estruturação da personalidade, portanto, um problema psicológico que se propaga sociologicamente. - alcança todas as classes sociais. - está no conjunto das violências contra crianças. 6

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03/27 A PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Quem abusa? - pai, mãe, irmão mais velho, professor, padre, religioso, vizinho, avós, tias, irmã mais velha, ..... - é um equívoco afirmar que é só o homem que abusa. Não é. O abuso com sedução: - a criança é seduzida, capturada pela excitação. É prazeroso e a criança gosta. Depois ela procura o adulto para repetir – é este o processo que leva ao vício. mesmo quando o abuso fica em sigilo entre o abusador e a vítima, estes acabam em falsa posição – o adulto fica desesperado porque uma hora pode aparecer que abusou e a criança desesperada porque pode aparecer que foi abusada. 7

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03/27 A PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Pesquisa científica atual: (Londres/Inglaterra) - atesta que todo o abusador adulto foi abusado na infância ou teve envolvimento com atmosferas de abuso ou violência sexual: (um filho que é criado pelos pais levando surras – vai depois como adulto criar os filhos na violência ) - embora nem todo abusado na infância vai ser abusador na idade adulta por que o que decide o processo não é o fato isolado do abuso, mas a relação que vai estabelecer com ele. Como vai ser a relação da família e da criança com esse abuso. - se relação for conveniente, se for sociologizante, pode resolver e não vai afetar o adulto e não vai levá-lo a propensão psicopatológica de abusar. - também geralmente, todos aqueles que praticam violência, foram violentados ou padeceram violência na infância. é do tipo epidemia que vai se multiplicando e passando de uma geração a outra dando até a impressão de coisa genética em termos biológicos, sendo entretanto, uma propagação social e sociológica devido ao vicio da pedofilia. 8

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03/27 FAMÍLIAS COM PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Famílias em que ocorre a pedofilia: - a incidência da pedofilia no interior de famílias ocorre marcadamente em famílias desestruturadas. - famílias cujas relações esvaziam-se no puramente social e administrativo, isto é, quando as relações entre pais e filhos e entre irmãos tornam-se indiferenciadas não ocorrendo a objetivação e a demarcação do filho como filho de seus pais, ou do pai como pai do seu filho, a mãe como mãe de seu filho. famílias que não tem cotidiano interno, reciprocidade. Casa cada um é cada um, a família está desarticulada. - o pedófilo está solto, desimplicado do seu sociológico - sendo o tipo de espaço para surgir a pedofilia. - condição tanto para a criança confundir o adulto com qualquer adulto, quanto o adulto confundir o filho com qualquer criança, a genitália da criança com qualquer genitália, vindo a praticar a pedofilia. - o adulto não tem a percepção que é seu filho e fica no recorte da genitália (fetiche) por isso tem atração pedófila e abusa. 9

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03/27 FAMÍLIAS COM PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - famílias em que os integrantes não conversam e não se confrontam em termos de alteridade e reciprocidade, não havendo demarcação de limites de ser por dentro, onde ninguém tem seu próprio espaço de ser demarcado. - na família onde todos estão recortados, as relações ocorrendo só no plano administrativo, enfim, no isolamento sociológico e na solidão é onde há maior incidência de pedofilia e violência contra criança. - quando não tem interioridade sociológica todos ficam expostos, soltos, isolados sociologicamente, na solidão. - Caso de Isabela – é família desintegrada, não é filha da madrasta, a madrasta apanhava do pai, o pai não se tecia na ação, não se envolvia com a filha, ameaçava e dava safanão, a madrasta com ciúmes da menina impedia o pai de ser pai. Visivelmente uma família que não tinha sociológico. Se o pai se confrontasse com a menina como filha não teria feito o que fez. 10

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03/27 A SOLIDÃO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO “.... O paciente psiquiátrico está isolado. Daí vem seu mundo diferente. (....) A sua educação falhou. Daí as suas dificuldades com as outras pessoas, sendo que este ultimo mal engloba todos os outros. Está isolado, está solitário. A solidão é a essência da sua doença, seja qual for o diagnóstico. Assim pois a solidão é o fator essencial da psiquiatria. Se a solidão nunca ocorresse na existência humana, poder-se-ia admitir que os distúrbios psiquiátricos seriam desconhecidos, com exceção de algumas doenças causadas por defeitos anatômicos ou fisiológicos do cérebro. ” (Berg, Dr. J.H. Van den. O paciente Psiquiátrico. Ed. Mestre Jou. São Paulo. 1981. Pág. 106). as pessoas ficam isoladas sociologicamente e caem na solidão - a falta de tecimento sociológico leva ao enlouquecimento porque leva a solidão e a solidão é o grande problema. 11

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03/27 FAMÍLIAS SEM PEDOFILIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Famílias em que não ocorre a pedofilia: quando há uma efetiva relação de reciprocidade entre pai e filho e entre irmãos não ocorre pedofilia no interior da família. - quando ocorre a comunicação e o compartilhamento sociológico acontece a viabilização do desenvolvimento regular da personalidade da criança bem como da saúde psicológica de seus integrantes. uma criança que tiver reciprocidade não vai se deixar abusar ou vai falar, vai ter limites de ser por dentro. um adulto que tiver reciprocidade não vai abusar. - A sociologizacão, é o tecimento de ser entre as pessoas da família e desdobra para a segurança de ser e tranquilidade emocional. 12

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03/27 A SOCIOLOGIZAÇÃO - EXEMPLO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO “O homem que amava caixas” - exemplo de sociologização. - é na ação que se decide, a conversa deve complementar a ação. - ocorre no plano da percepção interpessoal. - Implica comunicação (dizer dizendo-se ao outro, compartilhar emoções, o que fez, o que vai fazer....) - “Fazer caixas” como solução da sociologização e superação da solidão. 13

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03/27 A SOCIOLOGIZAÇÃO – EXEMPLO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 14

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03/27 A SOCIOLOGIZAÇÃO – EXEMPLO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 15

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03/27 TRATAMENTO: COM A FAMÍLIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - o tratamento tem que ser feito com a família e não com uma ou outra pessoa isolada da família. - tem que ser feito com o conjunto da família porque é no sociológico familiar, no interior da família e depende do clima antropológico da família que a personalidade se estrutura de modo regular ou se complica. - tem que promover a reestruturação sociológica da família para recolocar o pedófilo e a vitima no sociológico familiar. - há casos de adultos abusados ou em propensão à pedofilia, que não se tem acesso direto a família, mas se trabalha a relação das pessoas com seus familiares e com seu perpetrador ou sua perpetradora do abuso, criando condições para que o paciente ou a paciente resolva sua relação com os mesmos e reelabore psicologicamente sua relação com eles. - por isso o que tem que ser trabalhado é a família, o interior da família e o que tem que resolver são as relações interpessoais no interior das famílias. 16

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03/27 TRATAMENTO: O PEDÓFILO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO O pedófilo é a pessoa viciada em prática sexual de voyerismo ou de abuso de criança e com prática recorrente (obsessão/compulsão). - é a pessoa que tem estrutura emocional propensa à prática sexual com crianças. Não é um ato isolado de pedofilia que faz da pessoa um pedófilo. É uma prática e um sistema emocional - vício. - a pedofilia não é uma doença, é uma prática, um vicio adquirido na infância. - a solidão e o medo são decisivos para a ocorrência da pedofilia: o pedófilo sabendo excluído, secretamente isolado do seu sociológico busca como saída no desespero para a sua solidão – e a conseqüente prática pedófila. Exemplos: - O caso do Pe. No norte do estado que em 2009 foi preso. Ele foi abusado na infância quando coroinha por um padre. A instituição que deveria formá-lo para ser padre foi formando para a pedofilia. - O Caso do austríaco: se ele tivesse reciprocidade com a esposa e ela não foi – foi o que lhe restou, abusar. Se houvesse reciprocidade com a esposa e com os filhos ele não iria suportar ficar 24 anos com uma filha prisioneira e abusando dela. 17

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03/27 TRATAMENTO: O PEDÓFILO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Característica do Pedófilo ( depois que envolve o filho ou a filha na pedofilia): - é extremamente moralista, protetor (a); é extremamente controlador, policiador (não quer que a criança se aproxime dos outros); - excesso de proteção; - vitimização – se faz de vitima para a família (o sofredor, o doente....); - ameaça suicidar-se, diz que vai morrer, ameaça ir embora de casa... - principal característica: é dizer que é mentira, nega tudo frente à vítima 18

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03/27 TRATAMENTO: A VÍTIMA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - sendo a mentira a principal arma de defesa do abusador, deixa a criança sem entender o que está acontecendo, ouvindo que não ocorreu o abuso, que então foi fantasia sua, começa seu processo de enlouquecimento. a vítima, capturada no prazer de ato, busca o prazer, o tem e depois descarta, não pensa, diz que não aconteceu. a criança vai progressivamente iniciando o processo de fugir do padecimento da localização do ato de prazer pedófilo, estendendo-o para a adolescência e a vida adulta e vai formando o duplo: fica divida entre o prazer de ato pedófilo e desejo de ser mulher, heterossexual, mãe ..... o descarte progressivo do padecimento da localização é conducente a psicotisação ou enlouquecimento final. 19

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO 20

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Psicoterapia Existencialista Cientifica a intervenção da psicoterapia existencialista cientifica, sempre interdisciplinar, ao promover o restabelecimento ou o desencadeamento da sociologização (tecimento-de-ser e reciprocidade) entre os membros da família em que houve abuso, conduz o abusador à superação do fetichismo, da obsessão/compulsão por abusar e do enlouquecimento e desse modo possibilita a recuperação tanto do abusador quanto da vítima. - o problema da pedofilia é ultrapassado na medida em que ocorrem as iniciativas psicoterapêuticas na direção da reestruturação da personalidade do pedófilo e se estendem à criança abusada prevenindo complicações psicológicas futuras, dentre as quais o desenvolvimento da sua própria pedofilia na vida adulta. 21

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO A psicoterapia Existencialista Cientifica faz a recolocação do pedófilo e sua vitima no sociológico familiar. - a intervenção é na personalidade, na estrutura emocional do pedófilo e da vitima, bem como dos demais familiares. - quando o paciente está na compulsão ou propensão para abusar este é o melhor momento para ir tratar do problema, entretanto é muito difícil para o paciente chegar e de saída abrir o problema na psicoterapia. O paciente tem que ser preparado para isso. - iniciamos a verificação de acessos emocionais depois avançamos para a verificação de episódios (sócio-antropológicos atual e de gênese) que colocam o paciente em carne e ossos (dentro de sua pele), na situação, possibilitando que o mesmo se experimente e se constate ou se perceba sujeito na excitação pedófila. - Intervenção é feita através dos acessos emocionais de atração/excitação no problema da percepção. - com o episódio sócio-antropológico fazemos o movimento regressivo em espiral até o episódio gatilho da complicação psicológica do paciente – e a partir do qual se instalou a complicação e a sucessão de outros episódios que consolidaram a complicação. incursão pelo clima antropológico – tem o objetivo de colocar o paciente dentro de sua pele, na sua complicação alcançando seu processo inteiro de complicação, do momento atual até a gênese. - caminho do cogito pessoal – levantamentos dos episódios desde o gatilho da complicação até o momento do fechamento do cogito (totalização da personalidade). 22

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO A psicoterapia Existencialista Cientifica promove: a mudança da dinâmica psicofísica do paciente, conduzindo-o a condição de sujeito de a tornar-se uma impossibilidade psicofísica cair no fetichismo e abusar. a superação do fetichismo, do recorte, da obsessão/compulsão por abusar, do enlouquecimento. tanto o abusador quanto a vítima superam o prazer de ato que contradiz o prazer de ser e faz o abusador sofrer antes de cometer o abuso. Por isso ele luta contra o prazer de ato. - Conduz o pedófilo à estrutura de escolha como sujeito do seu ser e de seus atos: implicando o mesmo numa posição ideológica, numa escolha de ser no sociológico sem ser pedófilo, levando-o a se resgatar nos perfis (pai, marido, avô)... 26

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03/27 Tratamento: Psicoterapia Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Caminho da intervenção psicoterapêutica: a) verificação da situação emocional (verificação de acessos e estados emocionais) possibilita chegar ao núcleo do sofrimento dos pacientes. b) uso de bengala química (medico: clinico geral ou neurologista) – intervenção interdisciplinar. c) pela verificação dos acessos e pela montagem dos episódios com o paciente colocando-o como sujeito implicado na situação com as coisas, os outros, na ação e sendo afetado pelas coisas e os outros num contexto material, o paciente é levado ao padecimento da localização (de ser o sujeito que ele foi no ato espontâneo) e com isso vai se confrontando com o seu ato e com o ser que resultou desse ato, o ser que será no interior do seu sociológico ( pedófilo - não cabendo no sociológico), enfim com seu impasse psicológico que implica sempre o pertencimento ou não pertencimento do sujeito no seu sociológico. d) o pedófilo como toda a pessoa na complicação psicológica foge do padecimento da localização. (padecer a localização é uma espécie de remorso, de ressaca moral, em que o paciente se confronta com o que ele fez e quem foi e não cabe no sociológico, não se reconhece pertencendo e ocorre o apavoramento com a solidão). 27

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03/27 Tratamento: Psicoterapia Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO e) na medida em que um pai abusador do filho ou da filha, que uma mãe abusadora do filho ou filha,.... for levado (a) à sociologização e reciprocidade com a filha, para a percepção da filha como sua filha vai: recuperando-se pai de sua filha com sua filha ou mãe de sua filha com sua filha. vai progressivamente para os acessos de padecimento (remorso, náusea-de-ser, tensao-de-ser) vai ficando apavorado com a excitação pela filha, essa excitação fica insuportável até chegar um ponto em que não vai conseguir mais ter excitação pela filha. Vai buscar a filha como sua filha e não vai recortar, entrar no fetiche por uma parte do corpo da filha. essa atração e prazer de ato, esse fetiche vai contrastar com o desejo-de-ser pai e o pedófilo vai superando a contradição de ser (divisão) em que entrou: desejo de ser pai e excitação pedófila pela filha. f) essa mudança vai ocorrer no plano espontâneo perante a filha ou qualquer criança. O paciente não terá mais excitação pedófila porque sua percepção não é de um recorte e sim passa a ter uma relação com a pessoa inteira sendo espontaneamente um ser inteiro perante o outro. - Resgata seu projeto e desejo-de-ser no pertencimento ao sociológico. 28

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Pedofilia e percepção viciada (fetiche): - o pedófilo tem atração pela vítima porque desenvolve dependência emocional do prazer pedófilo e é atraído para o prazer pedófilo. - se sente como que empurrado para isso porque tem experiência de atração sexual pela criança. Ele experimenta uma força que ele não consegue dominar, uma força estranha que é a mesma força emocional do vicio da droga. - acontece espontaneamente dele se colocar em atitude de percepção frente à filha como objeto de prazer sexual. Ao colocar-se assim nessa atitude de percepção fica preso num detalhe, num fetiche. ao colocar-se diante da filha como objeto de prazer, a percepção fecha o foco sobre num detalhe – rosto, pele branca, cabelo escuro, etc. ele só consegue ser atraído pela criança por detalhes e não pela filha. no detalhe desaparece a criança, a filha. isso que faz a atração/excitação pedófila parecer como insuperável e coloca pedófilo em atitude de derrota – ele não se dá conta que fez um caminho até ali. - as vezes a coisa continua na vida adulta – relação homossexual mãe e filha e pai e filha. - Isso é o mesmo que acontece com a pessoa viciada em droga. 31

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO É a pessoa que entra na pedofilia e é ela quem sai, com ajuda da psicoterapia se localizando do processo da percepção e escolhendo sair. - se o pai se coloca numa posição de pai que vai perceber a filha como filha, não vai ter o prazer pedófilo. assim também vai perceber por atitude critica posicional de si e do objeto se dizendo quem ele é – homem perante a filha e não no recorte, no detalhe, no fetiche. se a mãe se posiciona em posição critica como mãe não vai entrar em excitação pela filha, pela irmã, ou por outras mulheres. Numa posição reflexiva critica a pessoa não é pega de surpresa numa atração pedófila. - para a mãe se mover tranqüila sem se policiar o tempo essa atitude precisa ser rotineira, precisa de uma mentalidade – é equivocada a atitude de ficar de prontidão, de pacto do primeiro gole. - para mudar a mentalidade, tem que haver uma posição contra a pedofilia no plano da percepção, precisa ser uma escolha. Não vou ser pedófila, “não vou me excitar por criança, vou ser mãe, avó...” Tem se localizar da percepção recortada do objeto, do fetiche, o detalhe pelo qual se atraiu. Ficou atraída pelo rosto, não ficou pela filha inteira. -foi por rosto e se encarar que é o rosto da filha, não vai ter atração pedófila pela filha. “Estou percebendo a filha”. - a personalidade é inteira - não tem como ser adulta heterossexual em casa e pedófila na rua. É uma decisão e uma escolha de ser que alcança todos os perfis da personalidade. - daí que vem necessidade de posição clara de escolha contra a pedofilia. 32

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Complexidade e dificuldades no tratamento: - quando a situação é instalada o pedófilo faz de tudo para chegar no problema: vai brigar e desafiar o psicólogo porque sabe que vai aparecer o problema e ele não quer que apareça, cerca os filhos por todos os lados. por um lado cobre todos de favores, mas por outro lado também bloqueia. prefere ver os filhos enlouquecerem do que abrir o problema para resolver. há famílias onde tem três ou quatro filhas mulheres enlouquecidas porque foram abusadas pelo pai e outras que não enlouqueceram e abusam das filhas e dos filhos. famílias inteiras envolvidas nos abusos sexuais nas quais fica relação de lesbianismo da mãe com a filha, das irmãs entre si, depois dessas irmãs com as filhas, das avós com as netas, com o pai no meio disso tudo fechando todo processo. na hora de sentar e resolver o perpetrador fundamental que é o pai, a cuja cumplicidade a mãe fez tudo, bloqueia tudo, impede a terapia, faz campanha com os filhos contra a terapia, interrompe a terapia se puder, faz de tudo para não deixar colocar o problema à tona, muitas vezes até dizendo: "Eu prefiro que você enlouqueça a dizer que isso é verdade". Quando a coisa é gritante, se vê que é verdade e está tudo confessado e declarado. - mas o problema pode ser trabalhado e resolvido; 33

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO - o difícil é chegar ao problema porque sendo o abuso da criança praticado por pessoas próximas e pessoas que a amam, é abafado por essas pessoas e pela vítima até porque a criança abusada é ameaçada pelo pedófilo. - supondo que o pedófilo seja um pai. Ele diz para a filha: “se tu disseres para alguém eu me mato ou eu te mato”. “Se tu disseres isso tua mãe vai morrer, cala a boca, não fala para ninguém.” Desse modo a criança fica chantageada por uma pressão especial porque quem está fazendo essa pressão é alguém que ela ama e que ela não quer perder. então, sendo essa contradição, essa pressão de um pai que ama a filha e abusa dela, ou a mãe a criança fica no medo e não fala. E esse porão de segredo enlouquece a ambos e ao conjunto da família. A situação fica muito complexa. - ninguém em situação psicológica regular abusa de criança. É sempre psicopatologia. 34

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03/27 TRATAMENTO: PSICOTERAPIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Tratamento Regular ocorre: - quando é possível abrir o problema na terapia com o conjunto da família e esse conjunto se dispõe, embora tenha dificuldades com as quais a psicoterapia sabe lidar, se resolve o problema. Razões: - não é porque houve pedofilia ou um abuso que a família tem que ser destruída. Essa ocorrência desastrosa e lamentável tem que ser posta no lugar e a família tem que seguir em frente. - um acontecimento desse arrebenta com a família que já é desestruturada. Aí todo o trabalho da psicoterapia vai ser reorganizar a família com isso junto, pois disso desdobram as turbulências educacionais, as turbulências nas relações interpessoais, as acusações, os mal-entendidos, etc. - temos teoria e metodologia,sabemos o que está acontecendo e o que tem que ser feito. E o caminho entre o que está acontecendo e o que se tem que fazer é que é o trabalho do profissional psicólogo existencialista científico. Havendo disposição da família o que temos por fazer é intervir não problema através de estratégias de trabalho: sessões de conjunto, sessões individuais, etc. 35

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03/27 TRATAMENTO: RESULTADO Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Superação da pedofilia: 1- Reestruturação psicofísica do pedófilo e da vítima 2- Reestruturação sociológica da família (comunicação e fazer caixas juntos) 3- Recolocação do pedófilo e vítima no sociológico familiar (mãe se recupera no perfil mãe e filha no perfil filha. Bem como os irmãos entre si). 4- Rompimento e superação do bolsão de solidão e todos saem da loucura. 5- Restabelecimento do projeto e desejo- de- ser pai, mãe, filha, filho, filha, irmão..... 36

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03/27 BIBLIOGRAFIA Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO BERG, Dr. J.H. Van den. O paciente Psiquiátrico. Ed. Mestre Jou. São Paulo. 1981. - COOPER, David. Psiquiatria e Antipsiquiatria. Ed. Perspectivas S A. São Paulo. 1982. LAING, R.D. e ESTERSON, A. Sanidade, Loucura e a Família. Interlivros.Belo Horizonte.1979. - KING, Stephen Michael. O Homem que Amava Caixas. Ed.BRINQUE-BOOK. São Paulo. 1997. Site do Nuca : www.nuca.org.br   BERTOLINO, Pedro. Nossa Psicologia e Nossa Psicoterapia. Site do Nuca. Setembro 2010. ________________. Histeria e Ciência Médica. Site do Nuca. 2008. - ________________. Tardieu: Humanismo e Medicina. Site do Nuca. 2008. - MORAES, Talvane Marins de & outros. Abuso Sexual em Crianças e Adolescentes: revisão de 100 anos de literatura. Site do Nuca. 2008. 37

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03/27 AGRADECIMENTOS Sérgio Monteiro Dias – Psicólogo e Psicoterapeuta CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - TRATAMENTO Obrigado a todos ! 38

Summary: Apresentação sobre "Concepções de atenção a vítimas, autores e famílias - Tratamento", elaborada pelo psicólogo Sérgio R.M. Dias e pelo filósofo e antropólogo Pedro Bertolino para o Fórum Catarinense pelo fim da violência e exploração sexual infanto-juvenil, realizado na cidade de Lages - SC - em Setembro de 2010.

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