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SEMINÁRIO DO FÓRUM CATARINENSE PELO FIM DA VIOLÊNCIA E EXPLORAÇÃO SEXUAL INFANTO-JUVENIL CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS PREVENÇÃO Lages - Santa Catarina - Setembro de 2010 Daniela Justino de Castro Orientador: Pedro Bertolino
DANIELA JUSTINO DE CASTRO Psicóloga e Psicoterapeuta (CRP 12/00498) Graduada em Psicologia pela UFSC (1988) Formação em Psicologia Existencialista Científica pelo NUCA - Núcleo Castor Estudos e Atividades em Existencialismo (1990) Integrante da Diretoria do NUCA Integrante do Colegiado do Curso e Formação em Psicologia Existencialista Científica do NUCA. → Iniciou sua atuação profissional como psicoterapeuta em 1988, trabalhando principalmente com psicologia infantil e complicações no desenvolvimento da personalidade da criança, orientando os pais e intervindo articuladamente com a escola. → Desde 1988 também atua como psicoterapeuta de adolescentes, adultos e famílias. → Exerce suas atividades profissionais no Consultório PERFIS – Psicologia e Psicoterapia Existencialista Científica desde 1988, em equipe interdisciplinar. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CURRICULUM 2
CONTEXTO ANTROPOLÓGICO AÇÕES PREVENTIVAS A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta ESTRUTURA DA APRESENTAÇÃO 3
CONTEXTO ANTROPOLÓGICO CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO CONTEXTO ANTROPOLÓGICO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 4
Desde a mais remota antiguidade crianças e jovens são vítimas de violências e abusos sexuais, violências físicas e psicológicas, negligências e maus-tratos. Esses problemas se perpetuaram através de séculos até a Revolução Francesa, como costume e com status de legalidade: - segundo obra de Suetônio sobre a vida dos Césares, o imperador romano Tibério tinha inclinações sexuais que incluíam crianças como objeto de prazer. Retirado à Ilha de Capri com várias crianças, o Imperador as obrigava a satisfazer sua libido através da prática de diversas formas de atos sexuais (Carter-Lourensz e Johnson-Powell, 1999) - na Grécia antiga recém nascidos com defeitos físicos eram descartados vivos pelos pais em esgoto a céu aberto, desde que houvesse 3 testemunhas que confirmassem o defeito. - era comum a ocorrência de espancamentos e agressões que levavam à morte da criança. - crianças eram escravizadas e forçadas a trabalho pesados, cruéis e nocivos. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO CONTEXTO ANTROPOLÓGICO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 5
As conquistas humanistas e os avanços legais e políticos a partir da Revolução Francesa trouxeram, em desdobramento, maior atenção a essas violências. Pois que vieram garantir direitos de cidadania às crianças e às mulheres, inclusive no interior da família. A respeito da matéria “ultrajes ao pudor” o Código Penal francês de 1832 estabelece: “O que tiver cometido o crime de estupro ou for culpado de outro qualquer atentado contra o pudor, consumado ou tentado com violência contra indivíduos de um ou de outro sexo, será punido de reclusão.” (Art. 331) “Se o crime for cometido na pessoa de uma criança que ainda não tenha completado quinze anos, o culpado terá a pena de trabalhos forçados temporariamente.” (Art. 332) “A pena será de trabalhos forçados por toda a vida, se os culpados são da classe dos que têm autoridade na pessoa em que cometeram atentados, se são seus mestres ou criados de soldada, ou se são autoridades públicas (funcionaires public) ou sacerdote de qualquer culto, ou se o culpado, seja quem for, foi ajudado em seu crime por uma ou mais pessoas.” (Art. 333) CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 6
Em função dessa legislação de 1832, a escola de Medicina Legal do Dr. François Fodéré, através das perícias legais, fez aparecer o fenômeno da pedofilia que escandalizou a sociedade francesa e a civilização naquele momento. O autor mais destacado desta escola foi Dr. Ambroise Tardieu com suas publicações científicas no período de 1850 a 1880, a respeito dos maus-tratos e violências, sobretudo sexuais, contra crianças, adolescentes e mulheres: - no interior das famílias - nas escolas - nos locais de trabalho O problema passou a ser de interesse científico e uma questão de saúde pública. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 7
Dr. Tardieu, assim como toda a escola de Medicina Legal de Dr. François Fodéré, constatou as sequelas dos abusos e atentados contra crianças fazendo desdobramento para a condição de personalidade ou condições psicológicas na vida adulta. A partir da segunda metade do século XX os estudos sobre maus-tratos em crianças foram acentuados por pediatras americanos – em 1962 os doutores Kempe, Silverman, Steele, Droegemueller e Silver publicaram o artigo The Battered-Child Syndrome que levou à alteração da legislação americana e de outros países, bem como a criação de políticas públicas para atender, proteger e prevenir abusos e maus-tratos contra crianças e jovens. No mesmo período estudos da anti-psiquiatria no mundo todo constataram cientificamente que os problemas psicológicos são decorrentes de acontecimentos no interior das famílias ao longo da infância e da adolescência. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 8
Então, todas essas verificações do século XIX feitas pela escola de Medicina Legal de Dr. Fodéré, mais os estudos da pediatria americana de 1962, aos quais se acrescentam, entre outros, os estudos do psiquiatra holandês Dr. J. H. Van den Berg e os estudos dos psiquiatras londrinos David Cooper e Ronald Laing na parte de proposição de metodologia e de compreensão científica evidenciam que a prática dessas violências tem função decisiva para a personalidade na vida adulta. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 9
São, então, estabelecidas novas legislações e planejadas iniciativas em diversos níveis da sociedade para proteção às crianças e adolescentes e para prevenção de violências, abusos e maus-tratos cometidos contra estes: - Declaração dos Direitos da Criança, da ONU, em 1959 - Convenção Internacional sobre os Direitos da Criança, da ONU, em 1989 - Constituição Brasileira, em 1988 - ECA, em 1990 - políticas públicas para atender, proteger e prevenir abusos Passa a haver combate policial, judiciário e de opinião na mídia a essas práticas. O problema passa a ser enfrentado também pelo Serviço Social, pela Psicologia, pela Pedagogia e pela Medicina. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 10
Desse modo, abuso sexual, pedofilia, violências de todas as ordens, negligência e maus-tratos contra crianças e adolescentes são problemas que dizem respeito: - à personalidade - aos costumes - à mentalidade O enfrentamento disso precisa ser com: - intervenções científicas - intervenções educacionais - intervenções jurídicas - intervenções policiais CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta CONTEXTO ANTROPOLÓGICO 11
AÇÕES PREVENTIVAS CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO AÇÕES PREVENTIVAS Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 12
Pedofilia, atentados, violências sexuais e de todas as ordens contra crianças e adolescentes se sustentam em costumes e numa mentalidade que até os dias de hoje encara com tolerância e normalidade tais práticas. COMO ALTERAR ESTA MENTALIDADE? COM UMA MUDANÇA NA EDUCAÇÃO E ATUAÇÃO EM TODAS AS FRENTES COM: - conhecimento científico atualizado. - trabalho de profissionais de todas as áreas: Serviço Social, Direito, Pedagogia, Psicologia, Medicina, etc. - trabalho de profissionais de todos os setores da sociedade: polícia, hospitais, escolas, creches, etc. - campanhas educativas nos meios de comunicação, nas escolas, junto às famílias e pessoas em geral. - articulação dessas iniciativas preventivas: escola – família, por exemplo. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO AÇÕES PREVENTIVAS Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 13
Esse trabalho educativo tem que chamar atenção para: - os danos dos abusos, pedofilia, agressão física e moral à integridade da criança. - as sequelas para a vida adulta (complicações psicológicas/propagação sociológica). - as possibilidades de esclarecimento, orientação e tratamento. - as possibilidades de evitar o problema. - os riscos de punição pela polícia e pela justiça, uma vez que se trata de crime abominável. Com isso fica mais difícil que haja: - envolvimento do adulto com a pedofilia, maus tratos, abusos, etc. - silêncio, tolerância e consentimento com o problema dentro da família, no círculo social ou profissional. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 14
Mas a educação é um processo complexo que não consiste em simples troca de informação ou aquisição de conhecimento. Envolve e precisa alcançar o saber-de-ser, ou seja, a estrutura de personalidade da pessoa. Esse saber-de-ser é estruturado no processo histórico de relações com os outros e com as coisas ao longo da infância e adolescência, sobretudo no sociológico familiar. É isso que precisa ser alcançado com o trabalho psicológico de consultório, uma vez que os problemas de abusos, violências e maus tratos dizem respeito à personalidade. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 15
O trabalho psicológico de consultório pode ser: PREVENTIVO E EDUCATIVO OU INTERVENTIVO CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 16
Preventivo e educativo para fazer orientações, esclarecimentos e acompanhamento de complicações nas relações interpessoais da criança ou adolescente, nas relações pais e filhos durante a infância e adolescência: - esse trabalho envolve a família. - é feito quando começam os conflitos, as violências e as agressões para evitar o agravamento desses problemas. - não caracteriza ainda uma situação de complicação psicológica. - o problema é inicial, ocorre no interior da família e não envolve a intervenção judicial ou repressão policial. - é preventivo porque evita a complicação e o enlouquecimento da criança e da família. - estabelece, esclarece e coloca um diagnóstico diferencial, científico para evitar interpretações do comportamento da criança, na medida em que verifica a situação, demarca o problema e identifica as determinantes sócio-antropológicas do que está acontecendo. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 17
Interventivo para detectar o problema psicológico do adolescente ou adulto, com sua constituição e suas determinantes, e intervir para a superação do mesmo, alterando seu saber-de-ser e sua dinâmica psicofísica na vida de relações: - esse trabalho precisa envolver a família. - é feito quando o problema já está instalado. - é preventivo também porque evita a propagação sociológica da mentalidade e do problema CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 18
Se tivermos famílias bem resolvidas em sua interioridade, teremos personalidades bem estruturadas e não haverá violências, abusos, maus tratos, pedofilia e atentados de todos os tipos. É isso que perseguimos por todos os meios em atuação. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta AÇÕES PREVENTIVAS 19
A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 20
Para fazer a prevenção em todos os níveis, bem como a intervenção técnico-científica nos casos de abusos, maus tratos e violências em geral, há necessidade de profissionais devidamente preparados para essa atuação. Para isso é preciso que tenham conhecimento científico atualizado a respeito da constituição e do desenvolvimento da personalidade. É isso que passaremos a expor a seguir. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 21
A personalidade se estrutura num processo de relações com os outros, as coisas, no tempo e no espaço ao longo da primeira e segunda infância. Ninguém nasce com uma personalidade formada. A personalidade vai resultar do que os outros fizerem da criança e do que ela fizer daquilo que os outros fizerem dela, dialeticamente, dentro do sociológico familiar e no antropológico transcendente. A totalização desse processo ocorre na adolescência, que é quando a personalidade se unifica e a pessoa tem a demarcação de suas possibilidades no mundo – é isso que eu sou, é isso que eu posso ser. A partir daí a pessoa vive como quem tem um destino traçado, se experimenta fadada a ser daquele jeito, sendo que esse saber-de-ser que resultou do processo de relações passado é experimentado psicofisicamente por ela como sendo sua possibilidade de ser futura. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 22
Cuidado esse processo de desenvolvimento da personalidade com orientações e intervenções educativas com a família, a escola, etc., é possível levar à constituição de uma personalidade bem estruturada, sem complicações, num trabalho expressamente preventivo. Sem o cuidado devido, ocorrendo complicações nesse processo de constituição da personalidade e, como desdobramento, complicações psicológicas na vida adulta, só uma intervenção psicoterapêutica científica nesse saber-de-ser pode alterar a dinâmica psicológica da pessoa, que sem isso pode mudar social ou materialmente, mas não muda psicologicamente. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 23
CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 24
Encontramos uma personalidade sempre em certa materialidade (antropológico), na relação com certos grupos de pessoas (sociológico), sendo determinado corpo-consciência, estando em determinado lugar no tempo. Nascemos num país, numa cidade, num bairro, geralmente num sociológico familiar, com determinada vizinhança, frequentando escola, com determinadas atividades sociais, tendo certos amigos, etc. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 25
CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 26
Conforme o clima antropológico, isto é, conforme esse espaço físico, material, o tempo real, a cultura, a mentalidade, os grupos com os quais a criança está tecida, estão as condições de possibilidade de ocorrência de determinadas atmosferas humanas. Conforme o clima, ela vai envolver-se em determinadas situações concretas e episódios sócio-antropológicos nos quais irá afetar-se e que terão função decisiva na formação de seu saber-de-ser, de sua personalidade. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 27
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Em cada episódio desses pelos quais a criança passa, envolvendo os outros e a materialidade, se arma uma atmosfera, um campo de pressão em que a criança tem experiências psicofísicas de atração ou de repulsão. Ela é afetada espontaneamente pelos outros e pelas coisas no plano da percepção e tem emoções (folhinhas). Em desdobramento disso, precisa apropriar-se do que lhe ocorreu, passando pelo sociológico ao qual pertence. Ao fazer isso (levando as folhinhas para o ninho), tem uma experimentação de ser tal pessoa, que cabe ou que não cabe nesse sociológico por ser quem foi naquela situação concreta. Assim, se forma o saber-de-ser (fungo), que lhe dá seu campo de possibilidades no mundo. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 29
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A formação da personalidade passa pelos outros e pelas coisas – os outros são mediações para nossa relação com as coisas, as coisas são mediações para nossa relação com os outros. A criança geralmente nasce e se desenvolve num sociológico familiar e aí vai tendo suas principais mediações para a constituição de sua personalidade, que tem como seu núcleo o projeto e desejo de ser do grupo ao qual pertence. Toda criança deseja, em primeiro lugar, pertencer ao seu sociológico familiar de gênese – deseja ser filha de seus pais, irmã de seus irmãos, neta de seus avós, etc. Isso lhe permite experimentar-se tendo seu lugar no mundo, seu espaço de ser. Quando há implicação sociológica no grupo familiar ao qual a criança pertence, e não apenas uma relação social ou administrativa, a criança tem segurança de ser e de pertencer a esse grupo. Quanto mais a criança tem, no plano da ação, a mediação das pessoas do seu grupo familiar para sua relação com as coisas, mais decisiva fica a função dessas coisas para ela. E quanto mais se lança para a relação com essas coisas, mais se experimenta pertencendo ao seu sociológico familiar. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 31
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A criança vai progressivamente envolvendo-se em episódios no sociológico familiar ao qual pertence e no antropológico transcendente (com amigos, na escola, na vizinhança, etc.). Vem para a família com o que lhe aconteceu lá fora, tendo que fazer a elaboração reflexiva e apropriar-se do que aconteceu. Isso a leva à experimentação de ser alguém que, por ter feito o que fez lá fora, pertence ou não à família. Quando vai para fora, a criança vai com essa experimentação e com isso se envolve mais em situações desse tipo ou, ao contrário, não consegue mais se envolver. Assim segue sucessivamente até o fechamento do cogito, quando ela se unifica em suas possibilidades de ser, se definindo em seu projeto e desejo de ser. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 33
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Com o fechamento do cogito, na adolescência, há a transcendência da órbita circular uniforme para a órbita elíptica. O jovem abre para o pertencimento a outros grupos e encarna o projeto e desejo de ser em que foi posto e pelo qual veio se movendo ao longo do caminho do cogito. Então, toma em suas mãos, como sujeito, seu projeto e desejo de ser para fazer sua vida própria – namorar, casar, definir uma profissão, etc. Aí é que, como sujeito do seu ser, faz de si algo a partir do que os outros fizeram dele. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 35
E qual é o processo de constituição de uma personalidade com complicações psicológicas? CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 36
É pelo mesmo processo pelo qual se constitui uma personalidade regular que se constitui uma personalidade complicada psicologicamente: - MODELO DA GERAÇÃO DO DINAMISMO SÓCIO-ANTROPOLÓGICO: também é na relação do sujeito com o antropológico e o sociológico, ou seja, com a materialidade, os outros e as coisas, e com os grupos aos quais pertence. - MODELO DO CLIMA ANTROPOLÓGICO: também depende do lugar e do tempo onde essa criança nasce e cresce, da mentalidade, da moral e dos valores nesse clima antropológico, dos grupos de pessoas e situações com as quais venha a envolver-se nesse clima, ou seja, depende das atmosferas que se armam e nas quais esteja envolvida. - MODELO DO FORMIGUEIRO: disso vai depender as folhinhas que vai levar para o formigueiro e o fungo (o saber-de-ser) resultante. - MODELO DO TECIDO SOCIOLÓGICO: e isso será possível conforme a mediação dos outros e das coisas. - MODELO DO CAMINHO DO COGITO: então vai numa sucessão de episódios no seu grupo e no antropológico se fazer dialeticamente. - MODELO DA TRANSCENDÊNCIA: e disso vai resultar a impossibilidade de transcendência. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 37
Então, toda pessoa complicada psicologicamente, seja pedófilo, abusador, perpetrador de violências contra crianças e jovens passou por esse processo de constituição da personalidade. Vendo mais concretamente, um adulto pedófilo, por exemplo, teve, necessariamente, em seu clima antropológico ao longo da infância e adolescência, uma mentalidade que comportou a pedofilia. Aí houve espaço, condescendência, tolerância para isso em termos de opinião. No sociológico familiar um liberalismo sexual, sem demarcação de limites, levando à noção de que tudo que é prazeroso está bom. Ou então foi algo acontecido em termos de prática envolvendo a própria criança ou alguém do sociológico, do antropológico, tendo ela se envolvido nessas atmosferas – não necessariamente sendo abusada. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 38
Assim, utilizando esse conhecimento da ciência de nossos dias, é possível somar os esforços dos diversos profissionais, das organizações da sociedade, da mídia, da polícia, da justiça, da escola, da família, da psicologia de consultório intervindo para a prevenção e para a superação do problema das violências contra crianças e adolescentes. Nossa luta e nosso desafio enquanto psicólogos e profissionais do NUCA é colocar esse conhecimento científico a disposição das pessoas. É com tudo isso que podemos enfrentar o problema, que estamos avançando e é por esse caminho que precisamos avançar mais, uma vez que se trata de um fenômeno que pode e que vai ser revertido. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta A PERSONALIDADE E O SOCIOLÓGICO FAMILIAR - CONSTITUIÇÃO REGULAR E CONSTITUIÇÃO DO PROBLEMA 39
- BERG, Dr. J. H. Van den. O paciente Psiquiátrico. Ed. Mestre Jou. São Paulo. 1981. - BERTOLINO, Pedro. Nova Psicologia e Nossa Psicoterapia. Site do NUCA. 2010. - BERTOLINO, Pedro. Histeria e Ciência Médica. Site do NUCA. 2008. - BERTOLINO, Pedro. Tardieu: Humanismo e Medicina. Site do NUCA. 2008. - COOPER, David. Psiquiatria e Antipsiquiatria. Ed. Perspectivas S A. São Paulo. 1982. KING, Stefen. O Homem que Amava Caixas. LAING, R.D. e ESTERSON, A. Sanidade, Loucura e a Família. Interlivros. Belo Horizonte. 1979. - MORAES, Talvane Marins de & outros. Abuso Sexual em Crianças e Adolescentes: revisao de 100 anos de literatura. Site do Nuca. 2008. CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta BIBLIOGRAFIA 40
NUCA - Núcleo Castor de Estudos e Atividades em Existencialismo Site: http:// www.nuca.org.br YouTube: http://www.youtube.com/user/NucleoCastor Blog: http://existencialismosartreano.blogspot.com/ Consultório PERFIS: http:// perfispsicologia.blogspot.com Demais Consultórios vinculados ao NUCA : http://www.psiconsultoriosassociados.com.br/ CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 41
Obrigada a todos! CONCEPÇÕES DE ATENÇÃO A VÍTIMAS, AUTORES E FAMÍLIAS - PREVENÇÃO Daniela Justino de Castro – Psicóloga e Psicoterapeuta 42
Summary: Apresentação sobre "Concepções de atenção a vítimas, autores e famílias - Prevenção", elaborada pela psicóloga Daniela J. de Castro e pelo filósofo e antropólogo Pedro Bertolino para o "Fórum Catarinense pelo fim da violência e exploração sexual infanto-juvenil", realizado na cidade de Lages/SC - em Setembro de 2010.
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