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Slide 1

- Feridas Abertas -

Slide 2

Josué de Castro
nasceu no Recife,
no ano de 1908.

Slide 3

Formado em Medicina,
dedicou todas as suas
energias em prol da
construção de um mundo
livre da mais cruel e
aviltante calamidade social:

a Fome.

Slide 4

Condenou com veemência
a conspiração de silêncio que, na mídia, nas academias, e nos parlamentos, teimava
em não abordar a questão
da fome no país.

Slide 5

A inserção da temática da fome no panorama político, científico e moral no Brasil deve-se aos seus incansáveis esforços.

Slide 6

A seu respeito, afirmou Darcy Ribeiro:

“Josué é uma das pessoas que eu mais admiro.

Eu digo mesmo que Josué
é o homem mais inteligente e mais brilhante
que eu conheci..."

Slide 7

Travou a sua batalha pela erradicação da fome
desde o começo dos anos 30 até a década de 70,

vindo a falecer em 1973.

Slide 8

Entregou sua existência efêmera de sessenta e cinco anos de vida a uma das causas mais nobres,

- a promoção da
dignidade humana.

Slide 9

Pela enorme consideração
e cuidado que sempre manifestou pelos pobres,

o médico pernambucano
é lembrado hoje como
o profeta dos excluídos.

Slide 10

Em setembro de 2008 comemorou-se o centenário de nascimento de Josué de Castro.

Slide 11

Josué Apolônio de Castro

05.09.1908 – 24.09.1973

Influente médico, professor, sociólogo, escritor, intelectual, humanista, ativista brasileiro, nordestino, humano.

Slide 12

Para marcar o centenário
de seu nascimento,
o “Jornal do Commercio”,
do Recife, veiculou um caderno especial chamado
“Feridas Abertas da Fome.”

Slide 13

A reportagem seguiu
os caminhos da fome baseando-se em estudos
e mapas elaborados,
há cinqüenta anos, pelo médico e geógrafo Josué de Castro.

Slide 14

Uma equipe formada
pelo fotógrafo Arnaldo
Carvalho, pela repórter Ciara Carvalho, e pelo motorista Reginaldo Araújo

rodou quase dez mil quilômetros, em 15 dias, pelos nove estados do Nordeste do Brasil.

Slide 15

Uma equipe formada
pelo fotógrafo Arnaldo
Carvalho, pela repórter Ciara Carvalho, e pelo motorista Reginaldo Araújo

rodou quase dez mil quilômetros, em 15 dias, pelos nove estados do Nordeste do Brasil.

Slide 16

O que eles testemunharam,



- o seu contato com
as pessoas “invisíveis” aos olhos da nossa sociedade -,

demonstra que ainda
temos um longo
caminho a percorrer
até a realização dos ideais
de Josué de Castro.

Slide 17

O fotógrafo Arnaldo
Carvalho relata:

“Não foi fácil fazer
esse material.

Foi muito cansativo
tanto psicologicamente quanto fisicamente...”

“Cada localidade visitada
era um soco no estômago, atrás do outro...”

Slide 18

Veja a seguir
um resumo da reportagem que
a equipe realizou.

Sertão nordestino

Setembro de 2008

Slide 20

Serra do Cafundó, CE

Slide 21

Ouricuri, PE 

Slide 22

Ouricuri, PE 

Slide 23

Ipubi, PE 

Slide 24

Marta, jovem mãe,
moradora da Vila dos Costas,
distrito de Natura, Paraíba,
recebe a equipe do jornal na desolação de seu lar.

Slide 25

A fome de seus filhos,
somada à sua própria fome.

Fome de comida, de esperança, de dignidade...

Slide 26

No seu povoado, Vila dos Costas, as famílias vivem como refugiados.

As terras onde moravam foram inundadas pela barragem de Acauã.

Slide 27

O governo levantou as casas no endereço novo,

mas se esqueceu de levar dignidade para a nova morada.

Slide 28

Quando a reportagem pede para conhecer a cozinha de sua humilde casa,

descobre que no armário de duas portas tudo o que tem é resto.

Slide 29

Restos de fuba, de sal e
um pacote aberto de açúcar.

O arroz e o feijão acabaram há uma semana.

Slide 30

A mulher forte, com um jeito discreto, quase cabreiro, que cria sozinha os filhos e ainda cuida de dois sobrinhos,

já ao final da visita da equipe de reportagem, desaba num choro incontido que a todos impressiona.

Slide 31

O choro de Marta, nos relata o fotógrafo,
não é um choro de humilhação,
de resignação, de tristeza por não ter o que comer.

De quem aceita o destino
porque assim Deus quis.

Slide 32

O seu choro não é senão
um choro-explosão, um choro-revolta,
um choro de indignação
e de vergonha porque
assim o homem quis.

Slide 33

Marta Maria da Silva, 28 anos,
é analfabeta e parece ter a exata consciência de que o flagelo da fome, imposto a ela e aos seus três filhos,
não é obra divina. E sim humana.

Slide 34

Coisa do homem contra o homem.

E isso ela se recusa a aceitar;

daí o seu choro incontido.

Slide 35

Não há maneira de enxugar lágrimas como estas.

Lágrimas que brotam de um coração vitimado pela injustiça.

Slide 36

Marta abraça o filho de dois anos.

Pequeninas mãos enxugam as
suas lágrimas.

Slide 37

Quem consola,

e quem é consolado?

Slide 38

Qual o limite de dor e desalento

que um coração humano consegue suportar?...

Slide 39

“Ninguém merece passar por isso.

repete Marta...

Ninguém”,

Slide 40

...antes de esconder-se
no quarto,

para chorar mais alto e sozinha.

Slide 41

A equipe de reportagem precisa partir.

Deixa para trás Marta, seus três filhos, e o mar de lágrimas provocadas pela insensatez humana.

Slide 44

Rafael, 2 anos, morador de Ipubi, PE,
perdeu a visão do olho direito devido
a forte desnutrição. 

Slide 45

Quando chegou ao hospital, Rafael era só pele,
osso e feridas. E a nata que lhe cobria os olhos, - a remela da fome.

Slide 46

Os cuidados médicos infelizmente puderam salvar o olhar de um dos olhos apenas.

Slide 47

Ana Vitória, 1 ano e 2 meses, que mora num município vizinho, teve menos sorte ainda, perdendo a visão dos dois olhos devido a forte desnutrição. 

Slide 48

Existe uma cegueira moral e social, anterior à cegueira que se apodera dos pequeninos olhos
de Rafael, de Ana Vitória, e de outras tantas crianças.

Slide 49

Algumas crianças, na loteria biológica, não são contempladas com uma família abastada materialmente.

Ninguém escolhe a família em que nasce.

Slide 50

É por isso que o exercício da caridade
se faz tão importante.

Slide 52

Rafael, como muitas outras crianças da região, vive à base de garapa, - água com farinha -, e raramente bebe leite.

Slide 53

Habitantes de um outro planeta,

- o planeta da exclusão,
da miséria e da fome.

Slide 54

A mãe de Rafael lhe oferece o almoço,
um ralo mingau de arroz.

Slide 55

Diante das prateleiras todas vazias,

a repórter pergunta o que a família
irá jantar naquela noite.

Slide 56

A jovem mãe, desconversando, responde:

“Comeremos qualquer coisa, antes de deitar.”

Slide 57

A repórter, não satisfeita com
a resposta evasiva, repete a pergunta.

Slide 58

Desta vez, como resposta,

apenas o silêncio.

Slide 59

Um dolorido silêncio, sinônimo de desalento, desamparo, fome...

Slide 60

Pequeninos olhos que estarão em jejum,

quando amanhã pela manhã se abrirem.

Slide 62

Serra do Cafundó, CE

Esta infinita
canseira,

Essa noite
sem remédio,

Este castigo impiedoso,

Essa eterna
espera sem fim...

Slide 63

O tempo passa igual para todos,

O peso de um dia é mais severo para uns do que para outros.

mas não os
seus efeitos.

Slide 64

Algumas pessoas passam por tanto infortúnio nas suas vidas que não estariam mentindo acaso dissessem:

Slide 65

Tenho morrido muitas vezes.

Tenho morrido mil mortes...

Slide 66

Quanto tempo ainda levará até que aprendamos a ler nos olhares

aquilo que não
se traduz por palavras?...

Slide 70

Em quinze dias,
a equipe de reportagem percorreu quase dez mil quilômetros,

pelos nove estados do Nordeste do Brasil.

Visitou lares famintos de um Nordeste árido e
seco de esperança.

Slide 71

Algumas das localidades marcadas pela fome e pela desolação encontram-se listadas dentre os municípios tidos como modelo pelo programa “Fome Zero”.

O que revela quão distante estamos de uma sociedade onde a dignidade da vida seja uma realidade para todos.

Slide 72

Apesar das incipientes vitórias alcançadas no combate à miséria nos anos recentes,

infelizmente, ainda é vasto o caminho a ser percorrido acaso queiramos que “justiça social” deixe de ser um vago conceito e se transforme em viva realidade.

Slide 73

A legião de excluídos
no Brasil soma quase
14 milhões de pessoas.

Quatorze milhões
de bocas incertas da comida de amanhã.

Slide 74

Compartilhe esta mensagem com outras pessoas.

Em especial com a classe política,
com governantes e dirigentes.

Slide 75

De modo que, quando entre uma CPI e outra
no conforto de seus gabinetes estiverem,

ao menos saibam da existência
das vidas aqui relatadas:

Slide 76

A Maria que espera,

a Marta que chora.

Slide 77

A pequena Ana Vitória,

que, quando em breve começar a dar os seus primeiros passos...,

Slide 78

...haverá de tatear seu caminho pelo mundo,

uma vez que a fome lhe secou os olhos
ainda criança pequenina.

Slide 80

As desigualdades sociais se tornaram
tão cruelmente excludentes

não sabem nem
por onde começar
para que tenham
os seus mínimos direitos observados.

que aqueles que vivem à margem da sociedade, por falta da mínima instrução, e devido à luta diária que travam pela sobrevivência,

Slide 81

Se nós, que fomos contemplados com o conforto material e com tantas oportunidades nesta vida, nos calarmos,

eles certamente serão relegados
ao pleno esquecimento.

Slide 83

“Abre a tua boca
a favor do mudo,

pelo direito de todos
os que se acham
em desolação.”

“Abre a tua boca;
julga retamente;

e faze justiça aos pobres
e aos necessitados.”

Livro dos
Provérbios

Slide 84

Apenas por meio da consciência social poderemos amenizar
o sofrimento causado pela miséria,

que em pleno século XXI ainda cega, castiga
e mata...

Slide 85

“Só a participação
cidadã é capaz de
mudar o país.”

Betinho

(1935 – 1997)

Slide 86

Betinho

(1935 – 1997)

“Só a participação
cidadã é capaz de
mudar o país.”

Slide 87

Crianças que nada podem fazer
senão esperar.

Uma longa e
penosa espera.

Slide 88

Por trás das frias estatísticas oficiais que camuflam a verdade,

Existem tragédias particulares que se
perdem na frieza
dos números.

Slide 89

As emboscadas das estatísticas oficiais
revelam com pompa
as melhoras econômicas
e sociais,

mas escondem
e não fotografam
os rostos daqueles que,
a despeito de tudo,

ainda sobrevivem do lado mais rasteiro dos gráficos.

Slide 90

14 milhões
de brasileiros.

Slide 91

Por quanto tempo ainda ignoraremos os nossos irmãos castigados pela miséria e pela fome?

Slide 92

Aquele cujo coração
se dispõe a ajudar
encontrará os meios necessários.

Existem projetos sérios, como “O Unicef e o Semi-árido Brasileiro”, que atua nos nove estados
do Nordeste.

Slide 93

Entre outras metas,
o programa busca elevar a qualidade do ensino numa região onde 350 mil crianças entre 10 e 14 anos estão fora da escola.

Sem contar que, diante das precárias estruturas, muitas vezes as crianças que vão
às aulas nada aprendem.

Slide 94

Para conhecer mais sobre o programa do Unicef, acesse:

www.unicef.org.br

(clique em “Onde atuamos”,
e “Semi-árido”)

O programa apenas
alcançará os seus objetivos com a participação da sociedade.

Slide 95

Para os que queiram ajudar, há também a aridez das condições de vida de
tantas e tantas crianças
nas periferias de
toda cidade grande...

Slide 97

Serra do Cafundó, CE

Slide 98

Se cada um de nós cuidar dos interesses da nossa família biológica apenas,

as crianças necessitadas jamais conseguirão se levantar do chão.

Pois elas dependem da
mão amiga de um estranho que as enxergue, que se compadeça, e socorra.

Slide 99

Devemos ter em mente que ao praticarmos
a Caridade e
a Compaixão,

estamos regando e fortalecendo também
a nossa própria alma...

Slide 100

É no encontro com
o oprimido, o sedento,
o faminto, o nu,

que nos aproximamos,
por meio do gesto amoroso,
do nosso Criador.

Slide 101

“Tive fome, e
destes-Me de comer;

Tive sede, e
destes-Me de beber;

Era estrangeiro, e hospedastes-Me;

Estava nu, e vestistes-Me;

Adoeci, e visitastes-Me...”

Slide 102

“Em verdade
vos digo que,

sempre que o fizestes
a um destes Meus irmãos, mesmo dos mais pequeninos,

a Mim o fizestes.”

Bíblia Sagrada,
Novo Testamento

Slide 104

Quem ama
não mata, não humilha.

Slide 105

Quem ama socorre, ampara...

Slide 106

Frágeis corpos modelados pela fome.

Slide 107

Crianças que falam a nossa língua,

mas que habitam um mundo tão distante.

Slide 108

O mundo da exclusão,
da espera, da resignação, da fome...

Slide 109

Sempre que o amor e a justiça
se fazem ausentes...

Slide 110

...resta a desolação,

a seriedade precoce impressa nos olhares.

Slide 111

A indisfarçada vergonha dos que, sentindo fome, não têm o que comer.

Slide 112

Um punhado de farinha de mandioca ralada.

Slide 113

Mais uma noite, seguida por outro dia igual.

Slide 114

Dores caladas.

Slide 115

Olhares que pedem

esperança, dignidade...

Slide 117

Que a espera por aquilo que sacia
a fome,

e que concede
a dignidade,

possa ser breve...

Slide 119

Tema musical: Sonata ao Chiado Antigo,
de Silvestre Fonseca

Formatação: um_peregrino@hotmail.com

Slide 120

O programa “UNICEF e o Semi-árido Brasileiro” conta com o apoio e as doações de particulares.

As quantias recebidas são destinadas à melhoria das condições de vida (alimentação, saúde, educação) das crianças do Nordeste brasileiro.

Slide 121

Para saber mais sobre o programa “UNICEF e o Semi-árido Brasileiro”, e sobre como ajudar, escreva para: semiarido@unicef.org.br ou futurocrianca@unicef.org

Slide 122

Um outro mundo é possível.

Slide 123

“Mudar é difícil,


Paulo Freire

Mas não é impossível.”

Slide 125

“Não te deixes desiludir pelo mundo que te cerca.

Saiba que és chamado
a transformá-lo.”

Frei Betto

Slide 126

Um outro mundo é possível.

Quem plantar haverá de colher...

Feridas_abertas

Author: johnnynababilonia Added: 1 month ago Topic: News & Politics

Summary: Fome no Brasil

13 Views    6 Embeds    Language: Portuguese (Detected)


fome dignidade brasil


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