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“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” XII Congresso de Contabilidade e Auditoria Aveiro 21.novembro.2008 João Francisco Sousa Eleutério Machado
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” A adopção generalizada do Sistema de Bolonha a partir do ano lectivo de 2006/2007 provocou alguma confusão no panorama do nosso ensino superior, uma vez que não se aproveitou para fazer a reestruturação curricular nem a racionalização da exagerada oferta formativa. É importante questionar a forma como o sistema de ensino superior reagiu à introdução do modelo de Bolonha, nas suas diferentes vertentes e, em especial, no que se refere às metodologias que são utilizadas nos novos cursos.
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Esta questão é da maior importância, mas aparentemente não se lhe tem vindo a dar relevância, quer ao nível dos profissionais do ensino superior, docentes ou dirigentes institucionais, quer ao nível das organizações públicas ou corporativas com intervenção no sector. Nas metodologias adoptadas para a formação, a passagem para o modelo de Bolonha não impôs, à partida, quaisquer condições ou indicações específicas sobre os instrumentos e os formatos lectivos, muito embora esteja recomendado o reforço da aprendizagem sobre o ensino e o aumento das componentes práticas .
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Mas dada a fluidez de certos conceitos, como os de ensino, de aprendizagem e de formação prática, poderá acontecer que com alguma imaginação e pouco esforço, se transformem aulas teóricas em teórico-práticas e se crie paralelamente um qualquer esquema tutorial dos alunos fora dos tempos lectivos tradicionais. Com soluções simples deste tipo poder-se-ão considerar cumpridos os desígnios de Bolonha, sem alterar grandemente a forma de intervenção e de trabalho dos docentes e também sem obrigar a um esforço suplementar por parte dos alunos. Parece-nos difícil atingir por essa via os verdadeiros objectivos do modelo.
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” A mudança é necessária, e segundo Tua Pereda (2008): “ Bolonha poderá ser uma óptima notícia para as universidades e para as empresas se o modelo ajudar a resolver alguns dos complexos problemas do ensino superior como a massificação, a perda de qualidade ou o afastamento da academia da realidade. Porque só assim terá reflexos positivos na taxa de empregabilidade.”
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” O ensino superior das Ciências Empresariais segundo os desígnios do modelo de Bolonha A utilização generalizada e eficiente de licenciados com formação superior depende muito da qualidade e das características com que estes são lançados no mercado. As empresas privilegiam, por razões económicas e funcionais, candidatos experientes ou, à falta destes, aqueles que demonstrem ser capazes de ocupar de imediato um posto de trabalho e dar resposta pronta e eficiente ao conjunto de problemas diários que lhe são colocados.
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Estes devem deter um conjunto de competências, obtidas com recurso a um programa de estudos vocacionado para obter um determinado perfil de qualificação: Conhecimento e compreensão Aplicação de conhecimentos Formação de juízos Comunicação Capacidade de aprendizagem
Estas competências traduzem-se em algumas capacidades executivas mais específicas: Visão ética dos negócios; Trabalho em equipas multidisciplinares; Capacidade de decisão em situação de pressão; Capacidade de liderança e de iniciativa; Sentido de avaliação de riscos; Utilização eficiente e equilibrada das TIC “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
Estas competências genéricas para a acção devem ser adquiridas ao longo da formação curricular, de forma integrada e consolidada, constituindo no seu conjunto o perfil de qualificação desejado. “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” As competências específicas para a acção devem ser fruto da introdução de metodologias de ensino/aprendizagem capazes de potenciar o desenvolvimento no formando, pois dificilmente poderão ser “ensinadas” e muito menos “impostas”.
A questão fundamental reside em encontrar os processos pedagógicos necessários para garantir um tal resultado. O que corresponde a encontrar soluções para que o sistema de Bolonha deixe de parecer uma operação de maquilhagem e se transforme num verdadeiro processo de mudança. Passamos a apresentar uma estrutura metodológica com potencial para desenvolver competências para a acção em cursos da área das Ciências Empresariais. “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Organização curricular genérica A estrutura genérica do curso deverá contemplar diferentes tipos de conteúdos curriculares, com distintos pesos em termos de créditos, cargas horárias e metodologias, a saber: Ensino dos fundamentos cognitivos: - conjunto de conhecimentos teóricos considerados indispensáveis à compreensão e utilização racional dos conteúdos instrumentais relativos à profissão; Aprendizagem instrumental: - conjunto de conhecimentos de carácter profissionalizante e outros referenciais informativos que o formando deve dominar e estão directamente relacionados com o exercício das funções básicas associada à profissão principal do curso sem esquecer que este dá acesso colateral a várias outras profissões correlacionadas;
Aprendizagem aplicacional: - conjunto de instrumentais aplicativos complementares da aprendizagem instrumental, para familiarizar o formando com o uso efectivo dos conhecimentos e dos referenciais informativos, nomeadamente com largo recurso a TIC’s; Desenvolvimento de competências executivas: - aferição e desenvolvimento de um conjunto de competências para acção, previamente caracterizadas e descritas sob a forma de uma espécie de “guião” que o próprio formando iria procurando seguir passo a passo, devidamente tutorado, e sobre o qual desenvolveria a sua auto-avaliação continuada, num sistema próximo do que é um vulgar processo de qualificação. Estes diversos tipos de conteúdos não serão distribuídos por blocos lectivos distintos e não haverá separação temporal entre eles, porque poderão e deverão coexistir ao longo de todo o curso. “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
Metodologias a aplicar Pretende-se com as metodologias a utilizar nos novos cursos de Bolonha reforçar o peso da aprendizagem no conjunto do processo, diminuindo o tradicional papel do ensino, criando mecanismos que estimulem o aluno a aprender e a adquirir competências. Identificámos duas vertentes metodológicas: Metodologias de ensino (E) Metodologias de aprendizagem e aquisição de competências (AAC) “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Metodologias de aprendizagem e aquisição de competências (AAC), que contemplam variadas actividades académicas onde o aluno assume um papel preponderante: Seminários (S), sessões de trabalho em grupo, de curta duração e vocacionadas para a aprendizagem instrumental de temas específicos dentro de cada disciplina: Seminários Tutorados (ST), onde um tutor ou orientador organiza e dirige os trabalhos; Seminários Livres (SL), onde, os próprios alunos assumem a condução dos trabalhos e a recolha de resultados; Workshops (W) sobre temas pluridisciplinares transversais, com duração não inferior a uma manhã ou tarde completas, orientados e conduzidos por docentes das áreas envolvidas e por profissionais externos convidados;
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Metodologias de aprendizagem e aquisição de competências (AAC), que contemplam variadas actividades académicas onde o aluno assume um papel preponderante: Trabalhos de Simulação (TS), consistindo na realização individual ou em grupo pequeno de uma tarefa ou conjunto de tarefas de carácter profissional, através das quais o aluno deve pôr em prática um vasto leque de conhecimentos e competências genéricas adquiridos: Trabalhos de Simulação Estruturada (TSE), as tarefas estão previamente definidas pela equipa docente, podendo haver alguma elasticidade nos conteúdos e condicionalismos da execução; Trabalhos de Simulação Interactiva (TSI), criam-se condições de trabalho idênticas às da realidade empresarial, dependendo o seu desenvolvimento da interacção interna dentro de cada grupo e entre grupos; Estágios (E) em empresa, de curta duração e fora dos períodos lectivos.
Avaliação Os processos de avaliação em cada uma das metodologias, devem reflectir o efectivo peso da disciplina em termos de ECT’s Tipos de avaliação: Exames finais (EF), são recomendados para disciplinas com especiais dificuldades de utilização de outra forma de avaliação; Avaliação contínua (AC), incidindo sobre trabalhos individuais ou de grupo realizados em sala, trabalhos realizados à distância ou participação nas aulas e em sessões de trabalho; Avaliação pontual (AP), incidindo sobre participação em Seminários e Workshops, podendo conter uma componente de auto-avaliação; Avaliação multidisciplinar (AM), a aplicar em todos os trabalhos de simulação e nos estágios. “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
“Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade” Quadro curricular genérico de uma “licenciatura de Bolonha” para a área da Contabilidade Licenciatura em Contabilidade (Adequada ao Sistema de Bolonha)
Quadro curricular genérico de uma “licenciatura de Bolonha” para a área da Contabilidade Licenciatura em Contabilidade (Adequada ao Sistema de Bolonha)
Quadro curricular genérico de uma “licenciatura de Bolonha” para a área da Contabilidade Licenciatura em Contabilidade (Adequada ao Sistema de Bolonha) “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
É urgente repensar-se as metodologias de ensino/aprendizagem em utilização após a mudança para o modelo de Bolonha, para que se possa melhorar o ensino dos fundamentos cognitivos e incrementar a aprendizagem instrumental e aplicacional que desenvolvam as competências executivas. Não será uma questão pacífica e não será fácil mudar os modelos e as práticas enraizados no sistema, mas é urgente fazer a sua discussão. “Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade”
Summary: XII congresso de contabilidade e auditoria, Nov. 2008 - ISCA-UA Repensar as metodologias dos cursos superiores das Ciências Empresariais no modelo de Bolonha. Uma proposta para um curso de Contabilidade João Francisco SOUSA – ISCA – Universidade de Aveiro Eleutério Ferreira MACHADO – ISCA – Universidade de Aveiro
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