Castoriadis_Post_scriptum sobre_a_insignificancia

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Post Scriptum sobre a Insignificância Cornelius Castoriadis Mestrandos Ilson S. C. Barros Justina Inez Varela

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Cornelius Castoriádis Κορνήλιος Καστοριάδης (Constantinopla, 1922 —1997) Filósofo, economista, e psicanalista de origem grega, viveu metade de sua vida na França. Defensor do conceito de autonomia política. É considerado um dos maiores expoentes da filosofia francesa do século XX. Em 1949, com Claude Lefort, fundou o grupo Socialismo ou barbárie, que deu origem a uma revista que circulou 1967. Cornelius Castoriadis é considerado um filósofo da autonomia. Entre suas inúmeras obras destacam-se: Instituição Imaginária da Sociedade, Encruzilhadas do Labirinto, Socialismo ou Barbárie.

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Castoriadis é um visionário Sua obra está impregnada de reflexões profundas, contestadoras e que punham um xeque as próprias posições e ideologias por ele defendidas. Seus escritos revelam um destemor diante da adversidade, da controvérsia e do debate. Era capaz de questionar até Mesmo os seus mais altos ideais: “Nós que desejamos ou nós que deliramos?”

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Em seus escritos, a estética permanece num segundo plano. Importa não desistir nunca de debater, sair da apatia e combater o sentimento de insignificância que ele detecta tanto no pensamento de esquerda como no pensar neoliberal. Sua máxima era a defesa das mudanças radicais. Exaspera-se com a mesmice dos debates mornos entre esquerda e direita. (p. 25)

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Pessoas que caçam votos por qualquer meio... Eles não tem nenhum programa. Sua finalidade é ficar no poder ou retornar ao Poder e para isso são capazes de tudo. (p. 27) Os Profissionais da política...

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Política pressupõe duas capacidades: A Primeira: A Liberdade guiando o povo – Delacroix, 1830 Chegar ao Poder – se não se chega ao poder, de nada serve. (p. 28)

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Política pressupõe duas capacidades: A Segunda: Uma vez que se chega ao poder é preciso com ele fazer alguma coisa, isto é: (p. 28) GOVERNAR

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Segue-se a corrente. Se necessário, vira-se a casaca, porque percebe-se que se contavam histórias para chegar ao poder e que estas histórias não são aplicáveis. (p. 29) Uma vez no Poder, o que se faz?...

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Democracia representativa não é democracia. Eles [os políticos] representam a si mesmos ou representam interesses particulares. (p. 29)

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Aristóteles: Cidadão é quem é capaz de governar e ser governado Toda a vida política visa precisamente a que desaprendam a governar. Há, portanto, uma contraeducação política. (p. 30) Omissão leva ao esvaziamento da atividade política e dissolução das ideologias políticas

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Marco da dissolução de ideologias: desabamento da União Soviética, Queda do Muro de Berlim. (p. 33) Não houve reflexão sobre o que aconteceu entre o início da sonhada transformação que desandou em uma “monstruosidade de totalitarismo”, “gulags”, etc. e o que originou o fim melancólico deste mesmo sonho. Intelectual refratário em processo de reeducação

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"GULag" é um acrônimo em russo para o termo: "Direção Principal (ou Administração) dos Campos de Trabalho Corretivo" ("Glavnoye Upravleniye Ispravitelno-trudovykh Lagerey"), um nome burocrático para este sistema de campos de concentração. A. Soljenitsin, autor de Arquipélago Gulag (1973)

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Crítica à intelectualidade: foram omissos diante do avanço do liberalismo puro que foi combatido ao longo de 150 anos. Se o capitalismo tivesse sido deixado a si mesmo, teria desabado cem vezes (p. 35)

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Para Castoriadis, há 150 anos os próprios liberais acreditavam que o progresso acarretaria elevação do bem estar econômico. (p. 36) Eleições diretas investem a representação de uma força maior e dá a ela raízes profundas. Força a riqueza a dissimular sua arrogância. Eleição popular dá ao político a necessidade da popularidade, e o leva às suas bases eleitorais, ficando as raízes de sua existência política na sua propriedade (para votar e ser eleito é necessário ser proprietário). Cfe. COBRA, Ruben Queiroz, in www.cobra.pages.nom.br Cita o pensador e revolucionário suíço, Henri-Benjamin Constant de Rebecque: “os operários não podem votar porque estão embrutecidos pela industria, portanto é preciso um sufrágio [voto] controlado” (p. 37) 1767 - 1830

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A retomada da atividade cívica pode – no dizer do próprio Castoriadis “sendo uma doce e bela utopia” – promover o exercício de direitos e deveres com a finalidade de sair do conformismo generalizado. (p. 39) Fomos convertidos em assalariados da World Company

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A ciência se desenvolve, a humanidade se humaniza, as sociedades se civilizam e, pouco a pouco, assintoticamente, chegaremos a uma sociedade em que praticamente não haverá mais exploração: uma verdadeira democracia. (p. 37)

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Platão: Os filósofos estão acima dos especialistas e devem reinar, pois tem a visão do todo. No entanto, os gregos inventaram a eleição. Eleição quer dizer eleição dos melhores. Como eleger os melhores? A educação do povo é importante, pois aprendem a escolher. (p. 41) Péricles discursa na ágora

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Quem dirige, governa, precisa de assessoramento. Os dirigentes confiam em assessores, desde que... os assessores partilhem de suas opiniões. (p. 42) Especialista ou Generalista?

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Os especialistas devem estar a serviço das pessoas e não de alguns políticos..

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As pessoas aprenderão a governar, governando. (p. 42)

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As instituições atuais repelem, afastam, dissuadem as pessoas de participar dos assuntos... É preciso que as pessoas sejam educadas na coisa pública. (p. 43)

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Entre os atenienses não havia analfabetos; quase todos sabiam ler e é por isso que as leis eram gravadas no mármore. Todos podiam le-las... (p.44)

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O homem é um animal religioso e isso de modo algum é um elogio. O homem não é um animal que deseja o saber [...] deseja a crença, deseja a certeza de uma crença, daí o prestigio das religiões, o prestigio das ideologias políticas. (p. 46) Criação dos Mundos

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Não são necessários grandes discursos. São necessários discursos verdadeiros. (p. 48) É preciso aprender a autolimitar-se [...] saber que há coisas que não se pode fazer, nem mesmo se deve tentar fazer ou que não se deve desejar. (p. 52)

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Penso que deveríamos ser os jardineiros deste planeta. Seria preciso cultiva-lo. Cultiva-lo como ele é e por ele mesmo. E nele encontrar nossa vida, nosso lugar... ... e tudo isso poderia absorver uma grande parte dos lazeres das pessoas, liberadas de um trabalho estúpido, produtivo, repetitivo. (p. 53)

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E a liberdade? A liberdade é muito difícil; Liberdade é atividade. (p. 54) Se quereis ser livres, é preciso trabalhar. Péricles

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Liberdade é atividade E é uma atividade que ao mesmo tempo se autolimita, isto é, sabe que tudo pode fazer mas que não deve tudo fazer. (p. 55)

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Filosofar é pensamento. É o pensamento que sabe reconhecer que há coisas que não sabemos e que jamais conheceremos... (p. 55) O que é Filosofar?

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Referências CASTORIADIS, Cornelius. Post scriptum sobre a insignificância: entrevista a Daniel Mermet. São Paulo: Veras Editora, 2001 Imagens: fontes diversas na Internet, não sendo possível obter dados sobre autoria.

Summary: A retomada da luta pelos valores essenciais. Não à insignificancia e à banalidade.

Tags: castoriadis. post scriptum. insignificancia. ilson barros. consultores. liberdade. politica

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