Há 100 anos

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“HÁ CEM ANOS, ALGUÉM, NESTA ALAMEDA...” - Fernanda de Castro -

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Alguém passou, como eu, nesta alameda, há cem anos, a horas misteriosas. No mistério da noite alguém sofreu a lua branca, a fonte lenta e as rosas.

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Há cem anos alguém, nesta alameda, pisou as folhas destas mesmas tílias... Alguém passou, rasgando nevoeiros, à hora do silêncio e das vigílias.

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Um dia alguém sentiu, nesta alameda, presenças misteriosas no arvoredo, pesado esvoaçar de ave nocturna, e o coração bateu-lhe, teve medo.

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Um dia alguém passou nesta alameda, num halo de silêncio e de neblina, e se abrigou, depois, sob a magnólia, a ver cair a mesma chuva fina.

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Há cem anos, alguém, nesta alameda, passou com o mesmo passo grave e lento, e ouviu, nas longas harpas dos ciprestes, tanger a chuva, dedilhar o vento.

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Um dia alguém chorou, nesta alameda, as lágrimas cansadas que só chora, no limite da noite longa e fria, Alguém que tendo asas fica embora.

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Um dia alguém sentiu, nesta alameda, o doloroso apelo da distância, a angústia sem remédio, a nostalgia do tempo morto, da perdida infância.

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Um dia alguém sonhou nesta alameda e viu depois os sonhos em farrapos, as ilusões em fumo, e em vez de sonhos, na terra, sob os pés, tojos e sapos.

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Um dia alguém passou, nesta alameda, há cem anos, a horas silenciosas. O perfume era o mesmo sob os cedros, a neblina era a mesma sobre as rosas.

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No silêncio da noite a lua branca enlaça, envolve num luar de seda, a sombra tímida, irreal, de alguém que há cem anos passou nesta alameda.

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Imagens: layoutssparks.com Música: Mãos Sagradas Formatação: GinaSF 07-04-2011 9:34

Tags: poema poesia saudade

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