Reencontro com a memória: Brasil nos anos 70

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Reencontro com a memória: Brasil nos anos 70 Paulo Galdino 07/04/2011 Departamento de Português

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Intel lança o primeiro micro- processador do mundo. A missão espacial Vicking I explora o Planeta Marte. Morre o rei do rock Elvis Presley. Dance Music e Punk. TV a cores. Anos 70 – a “Década do Eu” Uma era do individualismo, em que as pessoas se viraram para elas próprias. Fizeram-se muitas loucuras, mas poucas invenções.

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- Fim do Franquismo (1939 a 1976); - Anos de chumbo na Europa; - Grupos armados de esquerda; - Alemanha (Facção do Exército Vermelho 1970 - 1988); - França (Ação Direta - 1979 - 1987); - Itália (Brigadas Vermelhas – 1969 e fim dos anos 80); - Fim da Guerra do Vietnã. Enquanto isso no mundo político… Década de guerras, golpes militares, revoluções e conflitos.

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Revolução dos Cravos – fim do regime ditatorial “Estado Novo” (1933 – 1974) Enquanto isso no mundo político… Década de guerras, golpes militares, revoluções e conflitos. Independência das então colônias portuguesas na Àfrica: Moçambique, Guiné-Bissau, Angola, Cabo Verde e São Tomé e Príncipe.

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Estados Unidos e União Soviética, comprometidos com a hegemonia total, exportavam seus conflitos ideológicos fora dos seus núcleos. Ditaduras foram impostas pela política internacional dos EUA em um jogo com a U.R.S.S., sem levar em consideração a população civil dos países afetados. América Latina polarizada pela Guerra Fria

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Chile (1973 – 1990) Argentina (1976 – 1983) Uruguai (1973-1985 ) Bolívia (1964 – 1982) Paraguai (1954 – 1989) Brasil (1964 – 1985) Nessa década, quase todos os países latino-americanos estavam governados por ditaduras militares Hugo Banzer Juan Bordaberry Augusto Pinochet Juan Carlos Onganía Garrastazu Medici Alfredo Stroessner

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Aliança político-militar entre os vários regimes militares da América do Sul; Criada com o objetivo de coordenar a repressão a opositores dessas ditaduras instalados nos seis países do CONE SUL; Durou até a onda de redemocratização, na década de 80; Foi batizada com o nome “condor”, abutre típico dos Andes que se alimenta de carniça , como os urubus. OPERAÇÃO CONDOR: Unidos para reprimir

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Durante os anos 70, a violação dos direitos humanos chegou a índices sem equivalentes, excetuando-se apenas ao processo de conquista e colonização européia durante os séculos XV e XVI. Torturas, perseguições, prisões, assassinatos e um saldo incalculável de desaparecidos, cifras comovedoras que rondam entre dezenas de milhares de vítimas, expressando a crueldade e o anti-heroísmo desses regimes. Violação dos direitos humanos

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Sob o argumento do combate ao comunismo e a manutenção da estabilidade política, os militares tomaram o poder. A imagem que o autoritarismo do regime militar no Brasil queria passar era a de um governo estável politicamente, de uma nação regida por uma rígida moral cristã e de bons costumes, de um país próspero e em pleno ápice do desenvolvimento. Regime Militar no Brasil - 1964-85

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EMÍLIO GARRASTAZU MEDICI (1969-1974) Anos de Chumbo; Eliminação de guerrilhas de esquerda rurais e urbanas; Proibição de qualquer tipo de manifestação popular e reivindicação salarial por trabalhadores; Utilização maciça da propaganda associando patriotismo ao regime militar; Milagre econômico; Jornais, revistas, livros, peças de teatro, filmes, músicas, e outras formas de expressão artística são censuradas; Muitos professores, políticos, músicos, artistas e escritores são investigados, presos, torturados ou exilados do país. Garrastazu Medici (1969-1974) Governos no período da ditadura militar

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Ernesto Geisel (1974-1979) Fim do milagre economico, aumento da inflação e crise do petróleo; Lento processo rumo à democracia; Suspensa a censura à imprensa; Fim do Ato Institucional N° 5. João Figueiredo (1979-1985) Último general-presidente a comandar o Brasil; Continuação da abertura política; Decretou a Lei da Anistia; Diretas Já. Governos no período da ditadura militar

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Para reverter a visão negativa que a sociedade tinha para com o regime militar, o governo passou a investir maciçamente em propaganda. Os lemas e as canções de incentivo surgiam a todo instante, dando origem a diversas frases de efeito: "Quem não vive para servir ao Brasil, não serve para viver no Brasil". Essas frases eram usadas por adultos e crianças, ostentada em objetos e até mesmo em veículos de transporte. Publicidade do regime militar

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Ao vencer o tri-campeonato mundial de futebol (1970, México), o Brasil assistiu a uma das maiores campanhas publicitárias de massa de sua história. O êxito do futebol brasileiro e as outras vitórias nas demais áreas do esporte passaram a ser utilizados como base de campanha eleitoral. Interferência direta do futebol

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Em função da publicidade institucional do Regime Militar, surgiu então o hino "Pra Frente Brasil", usado até hoje, com pequenas variações (quando se fala da população). Essa música se por um lado ajudava o governo ditatorial do General Medici a realçar aspectos nacionalistas, por outro escondia perseguições e atrocidades praticadas contra milhares de jovens. “Pra frente Brasil”

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A preocupação com o futebol era tanta que a comissão técnica e diretoria da CBD eram dadas a militares! Em 1971 foi criado o Campeonato Brasileiro de Futebol . Novamente houve uso político, com o governo Governo incluía times de algumas cidades a pedidos de políticos. Criou-se o bordão "Onde a ARENA vai mal, mais um no nacional!“. Resultado: número absurdo de participantes. “Futebol é o ópio do povo”

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Anos de Chumbo: período mais repressivo da ditadura militar no Brasil, estendendo-se basicamente do fim de 1968, com a edição do AI-5, até o final do governo Médici, em março de 1974. Feroz combate entre a extrema- esquerda, de um lado, e de outro, o aparelho repressivo policial-militar do Estado, eventualmente apoiado por organizações paramilitares e grandes empresas, tendo como pano de fundo, o contexto da Guerra Fria. Desaparecimento e morte de centenas de militantes, políticos e estudantes de esquerda, além de militares, policiais e civis condenados pelos tribunais revolucionários da extrema-esquerda e em ações terroristas. Porém nos bastidores da ditadura…

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A atual presidente do Brasil, Dilma Rousseff, foi militante do Colina e da VAR-Palmares,  ambas organizações clandestinas que escolheram a luta armada na luta contra a ditadura militar.

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Crescimento médio do PIB de 10% ao ano; Inflação entre 15% e 20%; Redução dos salários reais; Acentuação da desigualdade social; Aumento da pobreza, com cerceamento às liberdades individuais associado à repressão política; Contribuiu, de forma paradoxal, para agravar ainda mais sua desigualdade sócio-econômica. 

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Aumento de 10% da mortalidade infantil . 600 mil menores abandonados só na Grande São Paulo. 30 % dos municípios não tinham abastecimento de água. O Brasil teve o 9º Produto Nacional Bruto do mundo, mas em desnutrição perdia apenas para Índia, Indonésia, Bangladesh, Paquistão e Filipinas. Dados de 1976 mostravam que 70 milhões de brasileiros eram desnutridos ou subnutridos, cerca de 64,5% da população da época. A miséria no Brasil também sofreu o seu “milagre”

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A liberdade de expressão passou a ser vigiada. Todos os veículos de comunicação deveriam ter as suas pautas previamente aprovadas, sujeitas à inspeção local por agentes autorizados. A censura à imprensa gerou diferentes reações. Jornais e revistas quando tinham suas matérias censuradas, deixavam longos espaços em branco, publicavam receitas culinárias indecifráveis, ou recorriam à poesia de Camões no lugar das matérias vetadas. Jornais, Revistas, Músicas… Censura Geral

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Uma das poucas publicações que tiveram coragem de enfrentar a ditadura foi “O Pasquim”, fundado no Rio de Janeiro pelo cartunista e jornalista Jaguar com a colaboração de Ziraldo, Millôr Fernandes, Paulo Francis, Henfil e outros. Todos eles perseguidos durante o regime.

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Reprimidos pela censura em todos os campos, os brasileiros passaram a ter voz através da música. A censura passou a ser a melhor forma da ditadura combater as músicas de protesto que pudessem extrapolar a moral da sociedade dominante e amiga do regime. Música Popular Brasileira nos anos 70

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Atitudes de rebeldia, cabelos longos, modos intelectualizados de compositores e intérpretes marcaram profundamente os anos 70. Apesar de todas essas dificuldades e censura imposta aos nossos artistas, a MPB continuou sua maravilhosa caminhada. Música Popular Brasileira nos anos 70

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Durante essa década, delinearam-se três grandes tendências: Herdeiros da Bossa Nova: compunham uma música que estabelecia relações com o samba e o cool jazz. "Canção de Protesto“: se recusava a aceitar elementos da música pop estrangeira, em defesa da preservação da cultura nacional frente ao imperialismo cultural, e via a canção como um instrumento de crítica política e social; Tropicalistas: dedicados a promover experimentações e inovações estéticas na música formado justamente pelos artistas tropicalistas. 1 2 3 Música Popular Brasileira nos anos 70

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Alguns representantes incipientes da MPB já eram vistos pelos militares como inimigos do regime, entre eles, Caetano Veloso, Gilberto Gil, Taiguara, Geraldo Vandré e Chico Buarque. Música Popular Brasileira nos anos 70

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No período que durou a censura e o regime militar, Chico Buarque foi o compositor e cantor mais censurado. A sua obra sofreu respingos da censura em todas as vertentes, tanto nas canções de protesto, quanto nas que feriam os costumes morais da época. Após o seu retorno do exílio na Itália, o compositor enviou a música “Apesar de Você” para a aprovação da censura, tendo a certeza que a música seria vetada. Inesperadamente a canção foi aprovada, sendo gravada imediatamente em compacto, tornando-se um sucesso instantâneo. Chico Buarque, o alvo predileto da censura militar

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Diante de tantas canções vetadas, Chico Buarque cria os pseudônimos de “Julinho da Adelaide” e “Leonel Paiva”. E sob estes heterônimos a censura deixa passar canções de críticas inteligentes à ditadura, lidas nas entrelinhas: “Jorge Maravilha”, que trazia o verso “Você não gosta de mim mas sua filha gosta”, que era lida como uma referência ao então presidente Geisel, cuja filha Amália Lucy, teria dito em entrevista, que admirava as canções do Chico Buarque. Chico Buarque, o alvo predileto da censura militar

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Movimento de ruptura cultural que misturou manifestações tradicionais da cultura brasileiras à inovações estéticas radicais. Tinha objetivos comportamentais, que encontraram eco em boa parte da sociedade, sob o regime militar. O movimento manifestou-se principalmente na música, mas também afetou o cinema, as artes plásticas e o teatro. TROPICÁLIA: era proibido proibir

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Multiplicaram-se os novos produtores e filmes. Todos rigorosamente controlados e distribuídos pela Embrafilme. O Governo Federal, além de financiar boa parte dos filmes, distribuía os prêmios “Coruja de Ouro”: uma espécie de Oscar subdesenvolvido, com distribuição de dinheiro e troféu. Quem arrecadasse mais, seria beneficiado com o prêmio de “bom comportamento social”. Alguns produtores independentes, para escapar à censura e faturar em cima da passividade crassa dos brasileiros, entraram de cabeça na sociedade de consumo: nasce a pornochanchada. O CINEMA BRASILEIRO nos anos 70

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Em toda a década foram produzidos 821 filmes, mais da metade obscenidades. A pornografia grassou absoluta, enquanto o erotismo sério e as abordagens políticas e sociais ousadas sofriam as perseguições costumeiras: mutilações, interdições provisórias, proibições definitivas. A glória do cinema chulo, um recurso para driblar a ditadura militar

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A telenovela diária surgiu no Brasil nos anos 60, tornando-se o principal produto de consumo do telespectador brasileiro. Mas só a partir dos anos 70 passaram a ter grande poder de formação junto ao público, incomodando então a Censura. A censura se encarregava de verificar se o que ia ao ar estava de acordo com as regras do regime militar e com os seus valores morais. Telenovelas

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Autores como Dias Gomes, Janete Clair, Lauro César Muniz e Mário Prata, tiveram seus textos destruídos pelos censores. Algumas novelas foram inteiramente vetadas, como , “Roque Santeiro” (1975) e “Despedida de Casado” (1976), ambas da Rede Globo. Telenovelas

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Período áureo Mesmo sob tanto controle, os anos 70 marcaram a teledramaturgia brasileira. A telenovela transformou-se em objeto de distração e deleite para a audiência. Segue sendo um dos principais produtos culturais de exportação do país.

Summary: Uma breve descrição dos aspectos políticos, econômicos, sociais e culturais de uma década que o Brasil não deve esquecer.

Tags: ditadura militar guerra fria milagre economico musica cinema telenovelas

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