Matemática e Literatura

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A literatura infantil tem sido apresentada como uma prática pedagógica aberta, atual, que permite à criança conviver com uma relação não passiva entre a linguagem escrita e falada. De algum modo, a literatura aparece à criança como manifestação do sentir e do saber, o que permite a ela inventar, renovar e discordar. A leitura e a Literatura nas aulas de Matemática

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Segundo Yunes e Ponde (1989), enquanto o ensino alimenta uma proposta distante, desarticulada e fragmentada da realidade do aluno, a literatura pode oferecer elementos desta mesma realidade como auxílio para compreender a realidade.

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Ensino de matemática e ensino da Língua materna O trabalho com a matemática de pré-escola à 4ª série seria enriquecido se pudesse ser feita uma conexão com a literatura infantil. A literatura poderia ser um modo desafiante e lúdico para as crianças pensarem sobre algumas noções matemáticas e, ainda, servir como um complemento para o material tradicionalmente utilizados nas aulas: a lousa, o giz e o livro didático.

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Integrar literatura às aulas de matemática representa uma substancial mudança no sentido tradicional da matemática. Em atividades deste tipo, os alunos não aprendem primeiro a matemática para depois aplicar na história, mas exploram a matemática e a história ao mesmo tempo.

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relacionar as idéias matemáticas à realidade, de forma a deixar clara e explicita sua participação, relacionar as idéias matemáticas com as demais disciplinas ou temas de outras disciplinas; reconhecer a relação entre diferentes tópicos da matemática, relacionando várias representações de conceitos ou procedimentos umas com as outras; explorar problemas e descrever resultados, usando modelos ou representações gráficas, numéricas, físicas e verbais. Estabelecer conexão em matemática pode implicar:

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Por meio da conexão entre literatura e matemática, o professor pode criar situações na sala de aula que encorajem os alunos a compreenderem e se familiarizarem mais com a linguagem matemática, estabelecendo ligações cognitivas entre a linguagem materna, conceitos da vida real e a linguagem matemática formal, dando oportunidades para eles escreverem e falarem sobre o vocabulário matemático, além de desenvolverem habilidades de formulação e resolução de problemas enquanto desenvolvem noções e conceitos matemáticos.

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A LITERATURA INFANTIL E A RESOLUÇÃO DE PROBLEMAS EM MATEMÁTICA Os problemas que propomos aos nossos alunos são do tipo padrão. Podem ser resolvidos pela aplicação direta de um ou mais algoritmos; A tarefa básica, na sua resolução, é identificar que operação ou algoritmo são apropriados para mostrar a solução e transformar a linguagem usual em linguagem matemática; •A solução numericamente correta é ponto fundamental; • A solução sempre existe e é única;

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O problema é apresentado por meio de frases, diagramas ou parágrafos curtos e vem sempre após a apresentação de determinado conteúdo ou algoritmo; • Todos os dados de que o resolvedor necessita aparecem explicitamente no problema; • Não exige qualquer forma de resolver mais elaborada para sua solução.

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Ao utilizar livros infantis, os professores podem provocar pensamentos matemáticos por intermédio de questionamentos ao longo da leitura, ao mesmo tempo em que a criança se envolve com a história. Assim, a literatura pode ser usada como um estímulo para ouvir, ler, pensar e escrever sobre matemática. TRAZENDO A LITERATURA PARA AS AULAS DE MATEMÁTICA

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É importante que: O professor goste de ler e tenha em mãos os livros com os quais queira trabalhar para que possa conhecer a história, visualizar as gravuras, que, muitas vezes, sugerem a exploração de um ou mais temas; Os alunos conheçam a história e se interessem por ela. O professor pode recorrer aos mesmos recursos que utiliza ao trabalhar as histórias nas aulas de língua materna.

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Para desenvolver uma atividade com literatura infantil e matemática, não há necessidade de um livro para cada criança, pois a classe pode ouvir a história ou lê-la em duplas ou grupos. Após os alunos terem lido ou escutado a história, eles podem expressar o que perceberam, usando recursos como: cartazes, murais, álbum seriado, flanelógrafo, dramatização ou então, por meio de diferentes formatos escritos como: anúncios ou artigos de jornal ou mesmo pequenos textos que mostrem idéias apresentadas no livro.

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A matemática pode aparecer relacionada ao próprio texto, enredo do livro ou estar implícita a ele, e necessitar de algumas problematizações para ser percebida pelos alunos. Em ambos os casos, é preciso deixar claro que uma mesma história deve ser lida e relida entre uma atividade e outra, para que as crianças possam perceber todas as suas características e, por isso, um mesmo texto pode ser utilizado em diferentes momentos do ano.

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O livro conta a história de 10 porquinhos. Eles aparecem na história de dois em dois, numa correspondência com os dedos das mãos. Conta também o modo de ser desses porquinhos que fazem muitas travessuras e, ao dormir, dão beijinhos. Este livro permite abordar noções de contagem, correspondência um a um, adição, multiplicação, subtração e divisão, além das habilidades de previsão, checagem, percepção, localização espacial, representação gráfica e discriminação visual. Meus porquinhos Audrey Wood e Don Wood, Editora Ática, 1991. Categoria: histórias variadas. Indicado para pré-escola e primeira série.

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O professor, com seus alunos, pode fazer uma leitura oral do livro ou utilizar retroprojetor ou mesmo cartazes. Após este primeiro contato com o livro, o professor pode, num outro momento, fazer uma nova leitura questionando as crianças: Sugestões de trabalho Quantos porquinhos vão aparecer agora? Quais serão os próximos porquinhos a aparecer? A bailarina aparece na mão direita ou esquerda? Em quais dedos das mãos estão os porquinhos miudinhos? Qual a diferença entre essas duas páginas? Quantos porquinhos aparecem na página 4?

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As respostas à última pergunta podem ser diferentes, já que o livro não apresenta páginas numeradas e a forma como cada um fizer a contagem poderá interferir na resposta ao problema. O problema deve discutir todas as respostas que surgirem e procurar fazer com que as crianças percebam porque elas são diferentes.

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Quantos são os porquinhos que aparecem na história? Se eu juntar os porquinhos bobinhos, os miudinhos e o porquinho esperto, quantos porquinhos eu terei? Faça o contorno de suas mãos. Em que dedos da sua mão você colocaria os porquinhos mais compridos? E os porquinhos miudinhos? Desenhe. Outros questionamentos possíveis são:

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O professor pede a dez crianças da classe que representem os “porquinhos”. O professor poderá utilizar o recurso da dramatização Vamos colocar os porquinhos no chiqueiro. De quantos chiqueiros precisaremos se colocarmos os porquinhos: • de dois em dois? • de três em três? • de cinco em cinco? • de um em um?

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A cada questionamento, o professor pede que as crianças da classe façam uma previsão do número de chiqueiros necessários para colocar os porquinhos. Após um tempo de discussão, as dez crianças escolhidas anteriormente formam os grupos para que os demaispossam checar sua previsão. Ao final, os alunos desenham os grupos formados.

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Antes de iniciar a representação, o professor pode fazer perguntas às crianças como, por exemplo: todos os porquinhos estarão num chiqueiro? O que poderemos fazer com o porquinho que ficar sozinho? No agrupamento de 3 em 3, pode acontecer dos alunos responderem que são necessários três chiqueiros e um porquinho vai ficar solto, ou ainda eles podem concluir que são necessários quatro chiqueiros.

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É importante que o professor não diga qual é a resposta certa, mas que discuta com a classe cada sugestão colocada e que formule novos questionamentos para que juntos cheguem a uma conclusão. Ao fazer esta atividade com a primeira série, o objetivo é que os alunos usem contagem e realizem experiências para mostrar e fazer agrupamentos de modo a trabalhar com as noções de multiplicação e divisão.

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Se esta atividade for usada quando o sinal relacionado à divisão estiver sendo introduzido, então o professor pode aproveitar para apresentar expressões do tipo: “10 porquinhos em 2 chiqueiros dá 5 porquinhos em cada chiqueiros” relacionadas com 10: 2 = 5.

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... eu ponho todos juntos, numa fila para dois beijos gordinhos, dois beijos espertos, dois beijos compridos...” Quantos beijos até aqui? Quais os terceiros porquinhos a se beijarem? Quando os bobinhos se beijam quantos beijos já foram dados? Do mesmo modo para multiplicação:

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Minha mão tem cinco dedos Que me ajudam a brincar Mas na hora do serviço Todos sabem trabalhar Mão direita mão esquerda Quantos dedos elas tem Dez dedinhos , dez amigos Que me servem muito bem. O professor pode usar o texto para trabalhar o nome de cada dedo. O amigo mais gordinho É o dedo polegar Este é o dedo indicador Gosta muito de apontar O mais alto é o dedo médio O do lado é o anular E o amigo mais fraquinho Gosta muito de descansar. (Olga B. Pohlman)

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Desenhem o contorno de suas mãos e pintem: • de verde, o polegar. • de azul, o indicador. • de amarelo, o médio. • de vermelho, o anular. • de rosa, o mínimo. Pode-se estabelecer uma relação com o tipo dos porquinhos e os dedos nos quais eles ficam. A seguinte atividade pode ser feita:

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Por se utilizar de recursos tão variados, não há necessidade de que as crianças saibam ler para realizar as atividades. Muitas podem ser feitas oralmente, porém, é indispensável que as crianças façam, individualmente ou em duplas, registros do que realizam. Podem ser usados desenhos, colagens ou algum outro recurso que o professor julgar conveniente. Ao finalizar as atividades, o professor pode pedir que as crianças reescrevam ou façam cartazes da história.

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A princesa e o sapo Roseli Araujo

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Era uma vez um príncipe que foi enfeitiçado por uma velha corcunda e virou sapo, sendo então obrigado a deixar o castelo onde morava. Em busca de uma residência mais adequada à sua nova condição, acabou se estabelecendo no poço de um outro castelo, junto ao qual uma princesinha costumava brincar com sua bola de ouro. Um dia ela deixou a bola cair dentro do poço e o sapo se ofereceu para tirá-la de lá; em troca, a princesa teria de beijá-lo. Ela disse que aceitava e a história tem final feliz, como se sabe.

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Mas o caminho até ele não chega a ser cor-de-rosa, pois Will Eisner transforma esse conto de fadas num pequeno estudo da ironia. A graça maior de seus personagens talvez esteja no pragmatismo com que enfrentam as situações. A princesa, por exemplo, só dá um beijinho no sapo depois de muita repugnância, e ainda assim revela um prudente ceticismo ao vê-lo adquirir a forma humana: “Pode ser outro passe de mágica… E se você virar um cachorro ou um gato?”. Eisner consegue criar uma versão realmente nova para uma história que vem sendo contada há séculos.

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