Síndrome da Ardencia Bucal

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O sintoma ardencia bucal pode ter várias causas, tanto sistemicas como locais, como por exemplo xerostomia, Síndrome de Sjögren, candidíase, etc.

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Para detecçao das possíveis causas para ardencia bucal são necessários: Exame intraoral adequado Cultura oral Fluxo salivar estimulado e não estimulado Testes para verificação de alergias Observação de medicamentos utilizados – incluindo inibidores enzimáticos da enzima de conversão da angiotensina Exames de sangue

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Quando todos os fatores forem excluídos, chega-se ao diagnóstico de síndrome da ardencia bucal. Alguns autores dividem a síndrome em primária (etiologia indefinida) e secundária (quando um dos fatores levam a ardencia bucal). Particularmente não gosto desta divisao.

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Algo interessante de se observar na literatura é que antes dos critérios de diagnóstico que excluem outras causas para ardencia serem difundidos, os relatos de remissao expontanea eram mais frequentes, o que decaiu quando os grupos com SAB começaram a seguir critérios de classificaçao mais rígidos.

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Ainda não há uma fisiopatologia definida. É importante a princípio, para se entender a SAB, compreender como ocorre a inervaçao no local.

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Recentemente foram publicados vários achados fisiopatológicos que podem guiar a compreensao da SAB. Neste slide estao alguns deles.

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Saliva – concentração de Na, K, proteína total, albumina, ácido úrico, lisoenzima, amilase, imunoglobulina M, G e A e secreção de IgA. Apesar de alteraçoes na degustaçao, os achados na saliva ainda são inconclusíveis.

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Alterações nas vias de dor poderiam afetar as funções neurais da sensibilidade gustativa. Disfunção do corda do tímpano – a sensação gustativa da língua 2/3 anteriores é inervada pelo corda do tímpano, ramo do facial. Outras modalidades sensoriais são inervadas pelo nervo lingual, ramo do trigêmeo. Os autores supõem que a disfunção do corda do tímpano poderia desbalancear o equilibrio entre os dois nervos, levando a uma hiperfunção do nervo lingual e a sensação da ardência. Ainda, o fato de ser bilateral, os autores atribuem à sensibilidade central, e ao fato do nervo corda do tímpano cruzar e inervar o lado oposto, à 2 cm da ponta da língua. SAB – menor limiar de dor ao estímulo quente. SAB – nível grande de somatização Segundo Lauria – SAB seria causada por axonopatia primária. (degeneração de fibras nervosas epiteliais e sub epiteliais). As fibras nervosas epiteliais teriam contatos sinápticos com papilas fungiformes e sua estimulação poderia induzir uma sensação de ardência e afetar a percepção gustativa.

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O aumento do bloqueio de receptores D2 poderia refletir a depleção da dopamina endógena em putamen. Estes achados podem suportar a hipótese de hipofunção dopaminérgica na patofisiologia da SAB. SAB e dor facial atípica – aumento de densidade de recepetores D2 disponíveis em putamen,. Avaliar de forma cautelosa – pequeno grupo de pacientes. Dados neuroanatômicos prévios sugerem que tanto as vias dopaminérgicas estriatais como extraestriatais provavelmente participam nas dimensões sensório-descriminativas como afetivas da percepção da dor e na modulação nociceptiva. Chama a atençao aqui o estrógeno como neuroprotetor, o que Woda et al., 2009 também cita em sua hipótese.

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Fisiopatologia ainda incerta – tratamento ainda incerto também! Vários medicamentos já foram relatados na literatura. O ácido alfa lipóico que em dois estudos se mostrou eficaz no tratamento, em estudos mais recentes não pode ter sua eficácia comprovada. Capsaícina sistemica provocou efeitos colateriais importantes. Levolssupirida – agente antidepressivo que se liga seletivamente e de forma reversível os receptores dopaminérgicos. É um inibidor específico da população d2, sódio dependente. Aumenta o turnover da dopamina sem mudar a concentração A amissulprida, benzamida modificada de recente desenvolvimento na Europa, ganhou status de atípico ao demonstrar, em doses baixas (50mg a 150mg/dia), ação sobre sintomas negativos e afetivos secundários de esquizofrênicos crônicos, além de baixo risco de efeitos motores extrapiramidais nos ensaios clínicos, confirmado, por achados de seletividade límbica, ausência da up-regulation estriatal e propriedades de agonismo dopaminérgico nos experimentos com animais in vivo e in vitro. Clonazepam – 66% de melhora em 14 dias. 1 mg 3 vezes por dia por 3 minutos

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Outras alternativas vem sendo testadas como a sucralose.

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Síndrome da Ardência Bucal Profa. Juliana Stuginski Barbosa www.julianadentista.com

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Ardência Bucal Uma série de condições tem como sintoma a ardência bucal Abordagem inicial em pacientes com ardência bucal: Anamnese Histórico médico e odontológico Exames clínico: odontológico, neurológico Exames laboratoriais

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Ardência bucal

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Síndrome da Ardência Bucal

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Síndrome da Ardência Bucal Condição crônica e dolorosa, caracterizada por ardência em mucosa oral associada a sensação de boca seca e/ou alteração do paladar.

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Classificação Internacional das Cefaleias (IHS, 2004) Parte III: Neuralgias cranianas e causas centrais de dor facial 13.18.5: Síndrome da ardência bucal Critérios diagnósticos: Dor na boca presente diariamente e persistindo a maior parte do dia. A mucosa oral de aparência normal. Doenças locais e sistêmicas foram excluídas Comentário: A dor pode ser limitada à língua (glossodínia). Secura subjetiva da boca, parestesias e alteração no paladar podem ser sintomas associados.

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Síndrome da Ardência Bucal – Remissão espontânea Gilpin SF Glossodynia JAMA 1936 25 indivíduos 32% remissão espontânea Grushka M Spontaneous remission in BMS J Dent Res 1987 43 indivíduos 20% remissão espontânea em 7 anos Danhauer SC Impact of criteria-based diagnosis of BMS J Orofac Pain 2002 26 indivíduos 3.8% remissão espontânea Sardella A BMS: a retrospective study on spontaneous remission Oral Dis 2006 53 indivíduos 3% remissão espontânea em 5 anos

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Síndrome da Ardência Bucal – Características Clínicas Intensidade moderada a forte Varia durante o dia Bilateral na maior parte dos casos Não segue trajetória anatômica dos nervos periféricos, relatada em mais de um local. Locais mais afetados por ordem: 2/3 anteriores da língua, lábios, palato e bochechas. Mais prevalente no gênero feminino, na fase pós menopausa. Sem fatores precipitantes evidentes. Associada a ansiedade e depressão.

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Fisiopatologia da SAB

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Inervação da língua

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Pistas para decifrar a fisiopatologia Presença de alterações sensoriais Hipoestesia em língua (72 a 85% dos pacientes) Alterações na gustação: diminuição no limiar Aumento significativo na razão gustação/formigamento fRMI: Processamento de estímulos térmicos de forma anormal em relação ao grupo controle

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Saliva e fatores locais Não há diferenças significativas no fluxo salivar entre pacientes e grupo controle Há aumento de concentração de fatores bioquímicos e imunológicos nos pacientes com SAB. Alterações na gustação foram significantes para os sabores, exceto salgado. Hershkovich, Nagler, 2004 Resultados sugerem disfunção do sistema de gustação periférico – possivelmente relacionado a uma disfunção do sistema nociceptivo periférico

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Sistema nervoso periférico Alterações sensoriais e gustativas sugerem patologia em nervos periféricos. Neuropatia trigeminal de fibras finas (Lauria, 2005). Evidência de hipofunção do nervo corda do tímpano (Eliav et al., 2007).

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Sistema nervoso central Redução dos níveis de dopamina endógena em putamen – Evidências do envolvimento do sistema dopaminérgico nigroestriatal (Hagelberg et al., 2003). Estrógeno como neuroprotetor do sistema dopaminérgico – pode explicar a ocorrência de SAB no gênero feminino e pós menopausa.

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Síndrome da Ardência Bucal - Tratamento

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Síndrome da ardência bucal: dor neuropática Considerando a heterogeniedade dos resultados obtidos nos estudos apresentados, não se pode concluir por uma fisiopalogia central ou periférica. Há evidências de que ocorra uma anormalidade generalizada e em vários níveis, do processamento da informação somato-sensitiva em pacientes com SAB. Mais estudos relacionados à neurofisiologia, patologia e neuroimagem são ainda necessários para esclarecer a contribuição das diferentes estruturas do sistema nervoso na fisiopatologia desta síndrome.

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Continue acompanhando o Por Dentro da Dor Orofacial! www.julianadentista.com Profa. Juliana Stuginski Barbosa 2011

Summary: Aula introdutória para Síndrome da Ardencia Bucal (SAB) de Profa. Juliana Stuginski Barbosa, do blog Por Dentro da Dor Orofacial

Tags: dor orofacial neuropática ardencia bucal síndrome da burning mouth syndrome sab bms

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