Reconquista Cristã

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Reconquista cristã É a designação historiográfica para o movimento cristão com início no século VIII que visava a recuperação cristã das terras perdidas para os árabes durante a invasão da Península Ibérica. Em 711, os Árabes (que incluem sírios, egípcios, persas e berberes) a partir do Norte de África, comandados por um chefe de Tânger de nome Tarique, atravessam o estreito de Gibraltar e penetram profundamente na Península, ocupando-a quase totalmente.

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Os muçulmanos não conseguiram ocupar a região montanhosa das Astúrias, onde resistiram grandes povoações, e de uma delas surgiria Pelágio (ou Pelaio), que se pôs à frente dos refugiados, iniciando imediatamente um movimento para reconquistar o território perdido

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Não se sabe muito sobre Pelágio: Um escritor árabe coevo diz que se tratava de um galego; Um historiador moderno supõe que seria um servo que se conseguiu impor aos companheiros no período de crise que seguiu à queda da monarquia; Um outro considera-o um nativo das Astúrias; Outros autores consideram que Pelágio era duque da Cantábria, parente, segundo a tradição, do rei Rodrigo. Pelágio seria então o chefe daquele heróico grupo de montanheses que escaparam à dominação árabe da Península, refugiados nas montanhas quase inacessíveis das Astúrias.

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Batalha de Covadonga ou Cangas de Onis Foi a primeira grande vitória das forças militares cristãs a seguir à invasão árabe. Em 722, a vitória na Batalha de Covadonga assegurou a sobrevivência da soberania Cristã no Norte da Península Ibérica, e é considerada por muitos autores como o início da Reconquista. Seguiu-se uma prolongada guerra civil, cerca de 740, em consequência da qual as terras para o norte do Douro ficaram quase livres dos invasores.

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Afonso I Rezam as crónicas que foi Afonso I (um chefe das Astúrias) quem reconquistou uma enorme região, que incluía toda a Galiza, o Minho, o Douro e parte da actual Beira Alta, passando os mouros a fio de espada e levando consigo, para as Astúrias, todos os cristãos que encontrou no território. Os cristãos consideravam que o seu protector era São Tiago (ainda hoje patrono da Espanha), apelidado de Santiago Matamouros

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Os Reinos Cristãos O primeiro reino cristão foi o das Astúrias, fundado por Pelágio, mais tarde Reino de Leão. Nos princípios do século X a província de Navarra tornou-se independente, formando o Reino de Navarra. No século XI, Sancho de Navarra, rei de Navarra, anexou o condado de Castela e, por sua morte, os seus estados foram divididos pelos três filhos, sendo nessa altura os condados de Aragão e de Castela elevados à categoria de reinos. O reino de Castela coube a Fernando I, o Magno, mas este em breve se apoderou também do reino de Leão.

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Fernando, rei de Leão e Castela, notabilizou-se na luta contra os muçulmanos recuperando muitas terras, entre as quais Coimbra (1064), alargando assim definitivamente os limites da reconquista até ao Mondego.

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Afonso VI de Castela Fernando I, ao falecer (1065), repartiu os seus domínios pelos filhos: Sancho ficou com Castela, Afonso com Leão e Astúrias, e Garcia com a Galiza (que incluía o condado de Portugal). Depois de várias lutas entre os irmãos, morto Sancho e destronado Garcia, Afonso VI de Castela reuniu novamente todos os estados de seu pai, tornando-se assim rei de Leão, de Castela e da Galiza. Afonso VI, aproveitando as lutas entre os principados muçulmanos após a desagregação do califado de Córdova (1031), prosseguiu a guerra contra os infiéis e conquistou Toledo, onde fixou a capital.

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Batalha de Zalaca - 1086 Alarmados com as vitórias dos cristãos, alguns emires pedem auxilio aos Almorávidas da Mauritânia, e estes, vindo à Península, derrotam os exércitos cristãos na Batalha de Zalaca (1086). Porém, Afonso VI, aproveitando agora a luta dos Almorávidas para a submissão dos príncipes muçulmanos, conquista Santarém e a seguir Lisboa e Sintra (1093), estendendo assim a reconquista até ao Tejo.

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D. Henrique e D. Raimundo Acudindo aos apelos de Afonso VI, entre os cavaleiros de além Pirinéus, vem Raimundo, filho do conde de Borgonha, que casaria com D.Urraca, filha do rei de Leão e recebe deste (1093) o governo de toda a Galiza até ao Tejo. No ano seguinte chega à Península D. Henrique, irmão do Duque de Borgonha e primo de Raimundo, que recebe a mão de D. Teresa, filha ilegítima de Afonso VI e recebe, depois, o governo do Condado Portucalense, que fazia parte do Reino da Galiza - terra que seu filho Afonso Henriques (revoltando-se contra ela e o seu padrasto Fernão Peres de Trava) alargou e tornou um reino independente. Depois de D. Afonso VI, a reconquista contra os Almóadas foi prosseguida pelos reis de Portugal, Castela, Aragão e pelos condes de Barcelona.

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Batalha de São Mamede - 1128 De Guimarães o campo se tingia, Co sangue proprio da intestina guerra, Onde a mãy que tam pouco o parecia, A seu filho negaua o amor, & a terra, Co elle posta em campo ja se via, E não ve a soberba, o muito que erra. Contra Deos, contra o maternal amor: Mas nella o sensual era maior. Não passa muito tempo, quando o forte Principe, em Guimarães está cercado, De infinito poder, que desta sorte, Foy refazerse o immigo magoado: Mas com se offerecer aa dura morte, O fiel Egas amo, foy liurado. Que de outra arte podêra ser perdido, Segundo estaua mal aperçebido. Mas o leal vassallo conhecendo, Que seu senhor não tinha resistencia, Se vay ao Castelhano, prometendo, Que ele faria darlhe obediencia. Leuanta o inimigo o cerco horrendo, Fiado na promessa, & consciencia De Egas moniz mas não consente o peito Do moço illustre, a outrem ser sogeito. Chegado tinha o prazo prometido, Em que o Rei Castelhano ja agoardaua, Que o Principe a seu mando sometido, Lhe desse obediencia que esperaua. Vendo Egas, que ficaua sementido, O que delle Castella não cuydaua, Determina de dar a doçe vida, A troco da palaura mal comprida. E com seus filhos & molher se parte, A aleuantar co elles a fiança, Descalços, & despidos, de tal arte, Que mais moue a piedade que a vingança. Se pretendes Rei alto vingarte, De minha temeraria confiança, Dizia, eis aqui venho offerecido, Ate pagar co a vida o prometido. De Os Lusíadas, canto terceiro D. AFFONSO HENRIQUES Pae, foste cavalleiro. Hoje a vigilia é nossa. Dá-nos o exemplo inteiro E a tua inteira força! Dá, contra a hora em que, errada, Novos infieis vençam, A benção como espada, A espada como benção! in Mensagem de Fernando Pessoa

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Reconquista definitiva da Península Em 1492, com a conquista do reino de Granada, a Reconquista chegava ao fim. Já os reinos da Galiza, Leão, Castela, Navarra e Aragão iniciavam uma relativa unificação ao possuir um único rei (embora mantendo a autonomia económica, administrativa e comercial), que posteriormente recebeu o nome de reino de Espanha. Juntamente com o reino independente de Portugal, debatiam-se estes dois estados pelas conquistas marítimas. Granada: Entrega das chaves da cidade pelo próprio rei Boabdil à rainha Isabel I de Castela

Summary: Reconquista Cristã.

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