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MEMÓRIAS de meu querido avô José Randolfo Lorena 04-02-1876 – 08-08-1961 ENTER Parte 4
MEMÓRIAS DE JOSÉ RANDOLFO LORENA Conforme texto original manuscrito pelo vô Lorena em 1951. Acervo do Museu da Família Lorena
Fatalmente, deverá ser o espiritismo a religião que fará de cada homem um sacerdote, de cada lar um santuário e, como criação de Deus, assistirá aos funerais de todas as crenças hipócritas, ávidas pelas ambições dos homens, porque está escrito: “Toda árvore que o pai não plantou, será arrancada pela raiz e reduzida a cinzas.” Como funcionário público, músico, maçom e espírita tenho cumprido meu dever, por que a decrepitude ainda não me bateu à porta, naturalmente para dar tempo a fazer algo de útil, já que até agora nada fiz. Continuarei trabalhando pelo ideal cristão, corrigindo meus defeitos, ensinando com a palavra e o exemplo àqueles que sofrem mais que eu, até que Deus me ponha um paradeiro na vida, mandando-me pregar noutra freguesia. Não tenho vaidades e, nesta arenga mal alinhavada, deixo apenas o desejo de legar aos meus filhos um exemplo de boa vontade, abnegação, algum progresso espiritual, embora pouco, mas conseguido com meu esforço pessoal. O meu maior desejo é, quando morrer, deixar o meu nome limpo de maneira que meus filhos possam nunca se envergonharem de usá-lo. A grande maioria de meus amigos já passou para outra vida, assim como aqueles que procuravam fazer-me mal. Observo muito e, creiam meus filhos que quando envelhecemos ricos, temos amigos até o fim, que nos afirmam inteligente, honrado e chamando-nos santo, oram na sepultura, lamentam nossa falta, e é só lamuria! Agradam os filhos e tecem elogios com grande hipocrisia. Quando envelhecemos pobres, nos tornamos incômodos até à própria família, acham ruim a nossa presença, fogem de nós, chamam de velho surdo, os amigos desaparecem, alguns nos toleram por necessidade, se receberem carta convite para o funeral, vão por consideração a algum parente moço que possa ainda servir-lhe, com os companheiros ainda zombam do morto, contam, pilhérias, riem-se e dizem, a terra lhe seja leve, que deste já estou livre!...
As verdades são essas, e só desejo aos homens de boa vontade que comecem por onde eu termino, evitando os abrolhos que encontrei na vida, tateando como um cego, sem um guia, à mercê de meu instinto. Tenho consciência que não fui mau filho e, ainda jovem, segui os conselhos do meu saudoso Pai, que bastante me iluminou o caminho. Os católicos romanos, impiedosamente desrespeitam a dor, mesmo no leito de morte, servindo-se da desorientação das famílias, para tripudiarem seus adversários, impingindo-lhes todas suas quinquilharias dogmáticas, como fizeram a Coelho Neto e Guerra Junqueiro, para contarem sua vitória, não respeitando nem as cinzas daqueles que baixam à campa. Eu, em pleno uso de minha razão, declaro que como maçom e espírita, combatendo o erro e o obscurantismo, não tenho o direito e nem admito cerimônias de credos dogmáticos. Só posso admitir aquilo que preconizam os Evangelhos, analisados a luz da razão e da lógica, concedido àqueles que cheios de fé, com a consciência tranqüila esperam o julgamento do Supremo Criador de todas as coisas. Aos meus dois filhos e a alguns de meus genros, que saibam conservar a minha estima, recomendo que façam valer os meus sentimentos, quando eu já não possa mais agir, certos de que o mais cedo possível, voltarei a patentear o meu grande reconhecimento. Mais um fato: na revolução de 1932 (fig.18), retirei-me para Aparecida do Norte, onde tinha parentes, visto ter ouvido, de um oficial paulista, que as forças federais vinham desrespeitando famílias, manchando lares e outros horrores. Retirei-me com a família e aluguei uma casa na ladeira que vai para a igreja. Uma manhã, em que saí à rua para conseguir uma lata de leite condensado para uma netinha amamentar-se, fui abordado por um soldado, que me convidava para ir até a delegacia, pois o delegado queria falar-me.
1 3 2 4 8 5 7 6 Fig.18 – Imagens da Revolução de 1932 no Vale do Paraíba 1) Estação de Engº Neiva bombardeada. 2) Soldados paulistas entrincheirados. 3) Guaratinguetá bombardeada. 4) Tunel da Estrada de Ferro na divisa com Minas. 5) Tropas na divisa S.Paulo e Minas. 6) Concentração de Tropas em Cachoeira Paulista, mãe se despede do filho e um amigo. 7) Soldado com tanque Mattuck na Serra da Mantiqueira. 8) Tropas em EngºNeiva.
Atendi imediatamente, e ali chegando fui metido numa prisão, sem saber por que, e 10 minutos depois embarcado em um caminhão, com outros presos, em direção a São Paulo! Chegando em Pindamonhangaba, demoramos horas detidos na delegacia regional e, novamente embarcados seguimos viagem, estacionando em Taubaté, onde devido ao adiantado da hora, resolveram trancar-nos na cadeia, onde dormimos. Os presos eram: Agente da Estação Central, Mário; telegrafista, Mafra; um telegrafista do Nacional; Dentista Amorim; Tintureiro José Braga e um Soldado de Itu. Ficamos incomunicáveis e os companheiros que eram católicos, em desolação, choravam, lamentavam-se e o Mafra teve uma vertigem! Eu, único espírita, uma vez no cárcere, retirei-me para uma janela que dava para o pátio, fiz uma prece e senti-me confortado, não liguei para mais nada e logo que vi o carcereiro, chamei-o, pedi comida. Ele me disse que já havia providenciado e, pouco depois chegava um soldado com pratos, colheres, 3 caldeirões, com feijão, arroz, carne de porco, por sinal tudo bem temperado e bom. Enchi meu prato, sentei-me no parapeito da janela e comecei a comer com vontade. Nessa ocasião o Agente, choroso, disse que não queria comer e chamando o soldado deu o prato, mas eu pulei da janela, mandei esperar, tirei a carne do prato, passei para o meu e entreguei feijão e arroz ao guarda. Ao término, pedi café, que veio logo e bom, em seguida pedi cama, que não demorou, escolhi o melhor colchão, travesseiro e um cobertor, deitei-me e dormi socegadamente até meia noite, quando acordei. Estando acordado e com a cabeça coberta, ouvi um dizer ao outro: Este Lorena é admirável! Comeu bem, deitou-se e daí a 5 minutos já roncava!
Foi uma providência esse homem ser preso conosco, pois nos deu coragem!...Descobri a cabeça e o Agente Mário e Mafra, estavam deitados com os travesseiros nas costas e cabeças na parede, dizendo ainda não ter dormido, por muito pensar na família! Respondi que a família estava em casa e ela é quem devia pensar na gente e não nós pensarmos na família! Travesseiro é pra deitar a cabeça e não as costas! Passei a contar pilhérias e um preso, num cárcere perto do nosso, dava gargalhadas tão alto que o guarda veio nos advertir que o Capitão estava dormindo no sobrado em cima e acordando com tanto barulho, podia vir zangar-se. Então declarei aos companheiros que a sessão estava acabada. Amanhã depois do almoço temos matiné até o jantar, com novo e variado programa! Virei para o canto, cobri a cabeça e dormi logo. Às 5 horas da manhã, os companheiros, alegres, acordaram-me pois o carcereiro entrara na prisão declarando que tinha um telegrama mandando por em liberdade os presos políticos. Exclamei admirado, não saber que eu já tinha sido elevado ao grau de preso político! Não sabia que eu tinha tanta importância assim! Insistiram para que eu me levantasse, declarei que não, pois ia dormir mais um pouco e que sairia só depois do almoço! O Carcereiro vendo que eu não me levantava, veio pedir-me que fizesse o favor de levantar pois não podia conservar-me na prisão! Declarei: já que pede por favor, sou forçado a corresponder a gentileza. Fomos identificados na Delegacia Regional e ao ser interrogado e me perguntarem a nacionalidade, declarei não ser brasileiro e sim Paulista! Julguei que São Paulo batia-se pela independência, entretanto, só mais tarde verifiquei que apenas queriam depor um que estava de cima, para subir os de baixo, que estavam com fome! Hoje verifico com a experiência, que patriotismo igual ao de Floriano e de Rio Branco, não existe e, por ora, todos são iguais.
A lição serviu para compreender que a política é puramente a escola do crime, por isso desinteresso-me por tudo que possa cheirar a política. Fora das leis traçadas pelo Cristo, nada mais há que possa prestar. Ainda hoje, ignoro a causa dessa arbitrariedade. Na casa onde hoje é a padaria do José dos Santos (Cascudo) havia um armazém de café pertencente ao Ramalho, cunhado dos Mendes. Uma tarde estando no armazém a conversarem, Ramalho, Zico Pinto e Chico Fortes, todos três gostavam muito de quanta molecagem havia, avistaram na rua ainda à distância, o Balduino Miranda e combinaram chamá-lo, improvisando uma sessão espírita no armazém. O Presidente seria o Ramalho, o mais sério do grupo, o médium seria o Chico Fortes, o Zico um verdadeiro crente. Conseguiram uma mesinha, sentaram-se em torno, colocaram uma garrafa servindo de castiçal com uma vela acesa, fecharam a porta e com o armazém às escuras, deram começo à sessão. O Fortes deu um grito, dizendo ser o Marechal Floriano e que ali quem mandava era ele! Deu um murro na mesa, que a garrafa caiu e apagou a vela, em seguida, um forte tapa na cara do Balduino, que gritou por Nossa Senhora, em seguida outro murro na cara do Balduino, que só gritava por Nossa Senhora e saiu da mesa a procurar a porta de saída, apanhando pontapés na bunda e bofetadas, o Fortes a dizer, eu sou Floriano, e tome bofetadas, até que o homem achou a porta e, quando conseguiu abrir, levou ainda um pescoção que foi parar quase no meio da rua, enquanto os outros fecharam a porta e caíram na gargalhada. Dia seguinte Ramalho disse: “Precisamos doutrinar o espírito de Floriano, hoje”, ao que o Balduino disse: “Deus me livre, não quero mais saber de espiritismo”. Convém dizer que nesse tempo os três eram materialistas e, de pândega, deram uma surra no homem.
Houve uma época de política nesta terra, chefiada por Manoel Bento (português) e Casimiro Pinto, Zico Pinto, Virgilio Neves e outros. Os adversários não, desejando perder o poder, entraram em luta e acirraram os ódios, até que um dia o Dr.Rocha Júnior, moço impulsivo e de coragem, indo para a Margem Esquerda em uma charrete, avista Manoel Bento na calçada, junto à casa hoje de Manoel Borges, pula da charrete e de revolver em punho dispara a carga toda no adversário, pegando uma bala no dedo de uma das mãos, a outra varou o chapéu e, não conseguindo matá-lo, correu, homiziando-se no hotel do Balduino, que era onde hoje é a fábrica de leite Bruno, em frente à estação. (fig.19) No largo da estação, aglomerado de gente, os políticos do lado de Rocha, chamaram o Quinzote, moço sem responsabilidade, capanga dos políticos, que veio imediatamente, atirando em Manoel Bento que, virando-se um pouco, recebeu a bala no braço esquerdo na fronteira do coração. Quinzote, em seguida correu, entrou na casa de Frutuoso, Agente do Correio e escondeu-se dentro do guarda roupa, onde foi encontrado perseguido pelo populacho. Metidos na cadeia os dois criminosos, procurei trabalhar pela libertação do Dr.Rocha que era orador da Loja Bom Jesus, da qual eu era o Venerável. Consegui que o Casimiro, Zico, Virgílio Neves e outros, adversários de Rocha, mas irmãos da mesma ordem, virassem a seu favor. O Promotor Dr.Álvaro, a favor de Manoel Bento, pediu licença e retirou-se, em virtude de uma carta que seu sogro Norival Linhares, em Lorena escrevera à sua filha pedindo que o seu marido não acusasse o réu. Trabalhei bastante, escolhendo os jurados, escolhemos um promotor substituto que era maçom e conseguimos no júri libertar o nosso irmão Dr.Rocha, orador de nossa Loja. Manoel Bento cortou relação com os maçons, e como “onde passa a vaca passa o bezerro”, os políticos seus adversários trabalharam e também libertaram o capanga Quinzote.
Fig.19 - A imponente Estação de Cachoeira Paulista, à época dos fatos.
Esta política foi tão odiosa que, numa tarde, vindos da Margem Esquerda, Coronel João Porto, Manoel Fontes e Balduino Miranda, próximo à estação, Pedro Taquara, capanga de Manoel Bento, atacou os três que chegavam, dando umas bordoadas no Cel.João Porto, que o fez ficar de cama seguramente mais de um mês, deu bordoada em Manoel Fontes que gritou: me acudam! E Balduino tratou de correr, por isso não apanhou. Foi por esse motivo que o Dr.Rocha deliberou atirar em Manoel Bento, por que o Cel.João Porto era sogro dele. Na casa que hoje é a Prefeitura, morava o Dr. Oliveira Braga, deputado federal, estando uma tarde a descansar numa cadeira de braços ao pé da janela, atiraram da rua uma dinamite que caindo a chiar em baixo da cadeira, teve ele tempo de apanhá-la e atirá-la à rua, onde estava sentado na calçada um seu afilhado, este pegou a dinamite sem saber o que era, resultando nesse momento a explosão e hoje temos ai, o velho Roldão, de barbas e cabelos brancos e sem uma das mãos. Outra tarde, na casa que existiu onde é a sede do Clube Literário (fig.20), morava o Dr.Evangelista. Seu quarto dava para um lado da rua e foi atirada uma dinamite que, por felicidade, bateu em uma ameixeira próxima à janela explodindo fora da casa, pois, se entrasse no quarto poderia matar a família que ali estava. Contava-me Virgílio Neves, que foi Antonio Balbino, trabalhador do Depósito de Máquinas, amansador de animais, que atirara a dinamite na casa do Dr. Braga, fazendo isto, a troco de uma égua arreada. Bento Fernandes (português) morador de Cachoeira, estando certo dia com Virgílio Neves, este lhe perguntou: Por que será que os portugueses, gostam de trocar o B pelo V? Ao que aquele respondeu de pronto: “Fique sabendo que em Portugal é onde se fala melhor o Português, pois os que vêm para aqui, são os mais atrasados, e assim mesmo só trocam o B por V, aqueles que são muito Vurros! “
Fig.20 - Sede do Clube Literário e Recreativo (1940 -1968) construída no no local onde era a casa do Dr.Evangelista, à Rua Prefeito Antonio Mendes. Projeto arquitetônico e retrato a óleo de Nelson Lorena.
Quando eu era muito pequeno, mas cheguei a conhecê-los todos, vivia na Margem Esquerda desta comarca o Padre Antonio Caetano Ribeiro, que tinha em sua casa, D.Bernardina e, com esta, ele constituiu família grande, composta de filhos e filhas que me lembro, uma chamava-se D.Joaquina, outra, Manoelita, outra Beraldina, outra, mulher de um Francisco Gomes que tinha um salão de bilhar, o filho Antonio que foi em vida, Geógrafo e um preto que criou, por nome Benedito. Em uma quarta feira de cinzas, toda esta família veio à Margem Direita ouvir a missa e tomar cinzas; quando voltaram, encheram a barca que transportava gente de uma margem para outra, pois a ponte colonial que havia em frente à Casa de Comissão e que era pouco acima do hoje Depósito (casa de Manoel Marques Pinto) havia caído há tempos, devido à velhice. (fig.21) Quando a barca zarpou, foi um tanto inclinada por estar muito cheia e ao chegar ao meio do rio Paraíba afundou, de repente, ficando a ponta presa ao cabo de aço que sustentava o transporte. A família do padre e inclusive ele, foram nadando e os canoeiros da Margem Esquerda, que viviam da pesca, acudiram de pronto, salvando-os todos e como o Padre usava colarinho grande, foi agarrado pelo colarinho e posto a salvo. Tomaram um grande susto e um banho, sem esperarem. Disse o povo que foi castigo, pois, nesse tempo, achavam que Deus só dava castigo e nada mais! Da família do Padre, ainda existiam as netas, Marieta, mulher de Bento Fernandes e Andradina, viúva do Zico Pinto. Casimiro Pinto que mora em frente ao Centro Espírita, é bisneto do referido Padre. Beraldina, filha do padre, aprendeu música com meu Pai, tornando-se boa pianista e compositora consciente; mais tarde, ainda solteira, ficou tuberculosa e morreu. Eu, ainda menino, já era músico de meu Pai e toquei no enterro desse Padre.
Fig.21 - Construção da ponte de alvenaria ligando as margens do rio Paraíba em Cachoeira Paulista, em 1908, no local onde a família do padre quase se afogou.
Meu Pai contava que no armazém da Margem Esquerda, em frente da antiga ponte de rodagem, esteve estabelecido com comissões de café, um homem por nome Costa Neves, que fez sociedade com o Padre acima citado e, certo dia em que o Padre dizia missa na Igreja do Bom Jesus, em meio da celebração foi passando uma tropa, com a barulhada de campainhas, o que até hoje é costume. O Padre escutando e não querendo deixar perecer os seus negócios, paramentado como estava, correu à porta da Igreja e gritou para o tropeiro: Olha! Vá bater na porta do Costa Neves. Era uma remessa de café que vinha da roça. (Ainda tenho o que continuar...)
E aqui, lamentavelmente, foram interrompidas as narrativas de José Randolfo Lorena, retratos de uma época por esta personalidade singular em sua incessante busca de aperfeiçoamento, moral e espiritual. Que os seus exemplos de solidariedade, retidão e amor aos semelhantes possam contribuir para reabilitar nossa Fé, na natureza humana e na esperança de um mundo melhor. Milton Lorena Lorena, 06/04/2009
Os inesquecíveis, vô Lorena e vó Dudu. Fotografados no aniversário de 76 anos do Maestro, em 04-02-1952.
MEMÓRIAS DE JOSÉ RANDOLFO LORENA Formatação e Pesquisa MILTON LORENA Abril/2009 Colaboradores: Ney Lorena, José Maurício do Prado.
MÚSICAS SAXOFONE, POR QUE CHORAS (Ratinho) - Luiz Americano ACARICIANDO (Zé da Velha e Silvério) DELÍRIO (Tonheca-Dantas) - Filarmônica 11 de Dezembro - Editada BREJEIRO/APANHEI-TE CAVAQUINHO (Ernesto Nazareth) - Maria Teresa Madeira e Pedro Amorim Fim
Summary: Memórias de José Randolfo Lorena em apresentação nos blogs http://oslorenas.blogspot.com e http://museumaestrolorena.blogspot.com
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