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Como eu comecei Histórias de uma tradutora técnica que entrou para a tradução literária. Uma apresentação de Rafa Lombardino
Meu nome é Rafa Lombardino e eu sou de Santos, no estado de São Paulo. Comecei a trabalhar como tradutora independente em 1997. Tinha terminado o Ensino Médio Técnico e recebido o diploma de inglês depois de estudar em uma escola de idiomas desde os 11 anos de idade. Não sabia se poderia arcar com as despesas da faculdade e, apesar de ter recebido meu Certificado Profissional em Processamento de Dados, não estava pronta para me dedicar à programação e informática. Comecei então a procurar emprego e logo fui contratada por uma escola de idiomas para dar aulas de inglês para crianças, adolescentes e adultos. De tempos em tempos, algumas pessoas procuravam a escola para saber se alguém poderia traduzir documentos e cartas. Como ninguém queria fazer essas traduções, eu aproveitava a chance de ganhar um dinheirinho extra e economizar para o Ensino Superior.
Em 1999, recebi meu certificado de proficiência em inglês da Universidade de Michigan e finalmente entrei para a Faculdade de Artes e Comunicação Social para me formar em Jornalismo. No primeiro ano de faculdade, tínhamos uma matéria chamada "Inglês instrumental", cujo objetivo era ensinar aos futuros jornalistas como usar um dicionário para compreender melhor o contexto de artigos escritos em inglês para, assim, usarem as principais informações para escrever suas próprias matérias em português. O professor percebeu que eu não estava somente substituindo uma palavra por outra, mas reescrevendo os textos para que fossem lidos de maneira natural em português, exatamente o que uma matéria informativa e fiel ao original deveria ser. Além de professor universitário, ele também tinha uma agência de tradução e trabalhava como tradutor quando não estava lecionando, então começou a repassar alguns projetos para mim.
Sem dúvida, uma das nossas melhores colaborações (que considero um dos destaques da minha carreira até hoje) foi um contrato de seis meses com um site de notícias sobre tecnologia. Eu traduzia cerca de cinco matérias por dia de segunda à sexta. Aprendi muito com essa experiência, que me permitiu combinar meus conhecimentos em informática e tecnologia, as habilidades jornalísticas que eu estava adquirindo na faculdade e as técnicas de tradução que eu estava desenvolvendo na prática. A coisa mais importante que o meu mentor me ensinou é que traduzir é uma carreira de verdade, não simplesmente um "bico".
Segui os conselhos do meu mentor quando vim para a Califórnia em 2002 e continuei trabalhando como tradutora independente. Depois que eu me mudei, fiquei numa espécie de limbo profissional, pois precisava aguardar o greencard para poder procurar emprego. Porém pude continuar trabalhando como profissional independente e, depois que a papelada ficou pronta, não saí mais do ramo. Em 2004, formei uma parceria chamada RML Language Services e comecei a trabalhar com outros tradutores. Em 2009, essa parceria passou pelo processo de incorporação e hoje se chama Word Awareness.
Para expandir meus conhecimentos e obter uma educação formal na área que escolhi como profissão, em 2005 eu comecei a frequentar o curso de extensão do Certificado Profissional de Tradução em Inglês e Espanhol oferecido pela Universidade da Califórnia em San Diego. Recebi o certificado três anos mais tarde. Em 2007, decidi fazer o exame da Associação Americana de Tradutores (conhecida como ATA) e passei, obtendo minha credencial como tradutora de inglês para português. Em 2010, comecei a dar aulas de Ferramentas e Tecnologia na Tradução no curso de extensão da UCSD no qual eu me formei.
Como tradutora profissional, preciso utilizar várias ferramentas. Além dos programas habituais do Microsoft Office, também uso a versão gratuita Open Office. Como ferramentas de assistência à tradução, já usei Trados e Wordfast e hoje uso exclusivamente o Swordfish, que é compatível com vários formatos. Cheguei a trabalhar com agências de tradução que exigiam apenas Trados ou Wordfast, mas nem perceberam que, na verdade, eu havia usado Swordfish, pois não ocorreu nenhum problema com os arquivos. Para converter arquivos para PDF, uso o Foxit. Para converter arquivos de PDF, uso o Omnipage. Também uso o Babylon, que reúne vários dicionários, para fazer pesquisas de vocabulário.
Meus principais campos de atuação são: Informática e tecnologia, incluindo a tradução de sites, interface de programas, arquivos de ajuda e manuais de usuário, especificações de hardware, aplicativos e joguinhos para celulares e treinamento para pessoal de assistência técnica. Em comunicação, traduzo comunicados à imprensa, boletins informativos, circulares empresariais, e material publicitário. Administração de empresas e recursos humanos são duas áreas bastante populares também, já que muitas multinacionais precisam traduzir todas as políticas empresariais, descrições de cargos, pacotes de preparação de líderes e gerentes, e toda a papelada de RH, que inclui diversos treinamentos, regras e programas de incentivo, entre outros materiais. Em educação, traduzo desde documentos pessoais, como históricos escolares, certificados e diplomas, como também comunicados das escolas e universidades sobre bolsas de estudos e outros programas para explicar aos pais de alunos ou estudantes estrangeiros como a instituição de ensino funciona. Alimentos, bebidas e cosméticos é outro campo que também está ficando popular, principalmente por causa das empresas de marketing direto, que vendem produtos naturais por meio de revendedores. Muitos desses clientes têm kits de treinamento e boletins informativos para se comunicarem com os participantes do programa. Apesar de a química não ter sido uma matéria forte para mim na escola, acabei trabalhando com algumas empresas nesse setor e que têm filiais no Brasil. Além dessas traduções incluírem material de administração e recursos humanos, comunicação e até informática, também há muito material técnico, como rótulos e as chamadas MSDS, ou “Material Safety Datasheet” que são fichas de informação sobre a segurança de produtos químicos. Também tocando na área administrativa, recebo muitos materiais de EHS, que em inglês representa Meio Ambiente, Saúde e Segurança. Traduzo não só a parte de treinamento dos funcionários, mas também revistas sobre as iniciativas empresariais que privilegiam programas ecológicos e de assistência às comunidades vizinhas. E, apesar de não me especializar nessa área tão técnica, traduzo alguns materiais jurídicos, desde os documentos oficiais como certidões de nascimento, casamento e óbito, como também alguns contratos e acordos simples.
Sempre que a minha carga de trabalho permite, gosto de dedicar alguns dias por ano a organizações sem fins lucrativos e projetos culturais. Traduzi programas de computador gratuitos e de código livre. Para o Greenpeace, traduzi matérias sobre a proteção do meio ambiente, desenvolvimento sustentável, e energia solar. Fiz a legendagem de documentários musicais, para um filme sobre músicos folclóricos no Chile e para outro sobre um cantor de hip hop que vive em uma favela do Rio de Janeiro. Foi fazendo essas legendas que aprendi a usar o DotSub, um ótimo site que oferece uma plataforma gratuita para legendagem e sincronização com vídeo. De vez em quando, também trabalho com uma revista sobre fibrose cística da Cystic Fibrosis World Wide. Essa é uma doença pulmonar de difícil tratamento, portanto a conscientização é bastante importante. Outra questão social relevante é a defesa dos direitos da mulher, principalmente o combate à violência doméstica. Já traduzi algumas campanhas a respeito. Finalmente, em 2011 dei início a um site que publica contos brasileiros traduzidos para o inglês. O site se chama Contemporary Brazilian Short Stories, ou CBSS. O objetivo é promover a literatura de escritores amadores contemporâneos junto aos leitores da língua inglesa.
Em 2011, dei os primeiros passos para dar uma guinada na minha carreira e finalmente trabalhar com um tipo de material que há muito tempo despertou meu interesse em tradução: a literatura. Com os avanços em livros eletrônicos e a atividade intensa e bem-sucedida de escritores publicados independentemente, celebrei alguns contratos para a tradução de livros a fim de dedicar cada vez mais tempo à tradução literária. O incentivo começou mesmo quando ganhei um Kindle no fim de 2010. Esse aparelho me permitiu aprender mais sobre o mundo dos livros eletrônicos. Hoje em dia, ficou muito mais fácil publicar um livro sem a ajuda de intermediários. E, como conquistar seu lugar ao sol junto a uma editora é tão difícil para os tradutores como para os escritores, hoje temos a oportunidade de entrar em contato direto com o autor de um livro e propor uma parceria para traduzir seu trabalho em outro idioma. Em outras palavras, os tradutores precisam mais é se aproveitarem das facilidades que a tecnologia nos proporciona atualmente e entrar no mercado de traduções literárias diante dessa mudança no paradigma do universo editorial.
Desde que entrei nessa em janeiro de 2011, meu portfólio literário conta com 8 projetos. Em janeiro de 2012, 3 livros já tinham sido traduzidos e publicados e o quarto estava na fase de revisão, sendo que outros 4 estavam na lista de espera para serem traduzidos durante o ano de 2012.
Como dicas para quem quer entrar no ramo da tradução literária, posso dizer o seguinte: Fiquem antenados sobre o que está acontecendo no mundo editorial. Leia sobre escritores independentes, lançamentos de livros e premiações. Para criar um portfólio, entre em contato com escritores que possam estar interessados em publicar seus livros em outro idioma. Outra dica é traduzir títulos que já estão no domínio público. Para encontrá-los, basta ir no site do Projeto Gutenberg, pois todos os livros distribuídos ali gratuitamente são ótimos candidatos. Quando você tiver alguns títulos publicados, seja independentemente ou em parceria com os escritores, crie um bom currículo e entre em contato com editoras, assim elas poderão verificar a qualidade das suas traduções existentes.
Continue se especializando, fazendo cursos não só de tradução, mas também nas áreas do seu interesse. Informe-se sobre programas de incentivo à tradução literária, não só os oferecidos pelo governo brasileiro, mas se você fala outra língua, verifique as oportunidades para bolsas em outros países e apresente uma proposta para a tradução de livros para o português.
Para obter mais ideias, uma dica legal é ler a série de resenhas que escrevi sobre quatro palestras que discutiram a tradução literária durante a Conferência da ATA em Boston, realizada em outubro de 2011. Os títulos incluem: Na verdade não existem diferenças entre escritores e tradutores A profissão de tradutor é conhecida principalmente pela tradução literária Teoria nos ajuda a defender nosso trabalho diante do cliente Quer virar tradutor literário? Corre atrás!
Obrigada pela atenção e fique à vontade para entrar em contato. Até mais!
Como eu comecei Histórias de uma tradutora técnica que entrou para a tradução literária Rafa Lombardino © 2012 CONTATO E-mail: rlombardino@wordawareness.com Blog: http://bit.ly/literarynewsPT LinkedIn: http://linkd.in/rafa-linkedin Twitter (Empresarial): @WordAwareness Twitter (Literário): @RafaLombardino Facebook: http://on.fb.me/rafa-fb Talent.me: http://bit.ly/rafa-talentme
Como eu comecei Tradutora desde 1997 Ensino médio técnico Processamento de Dados Diploma de inglês Trabalhando em uma escola de idiomas Projetos esporádicos Documentos técnicos para mestrado Documentos pessoais Rafa Lombardino © 2012
Na faculdade Artes e Comunicação Bacharelado em jornalismo Certificado de proficiência em inglês da Universidade de Michigan Aula de Inglês Instrumental Professor virou meu mentor, pois também tinha uma agência de tradução Rafa Lombardino © 2012
Destaque Contrato de 6 meses com um site de notícias de tecnologia Cinco matérias por dia, cerca de 4.000 palavras, de segunda à sexta Unindo o útil ao agradável: experiência em informática e desenvolvimento da redação jornalística Aprendi que tradução não é “bico”, mas uma carreira de verdade Rafa Lombardino © 2012
Na Califórnia Limbo profissional, esperando o greencard Continuei como tradutora independente Papelada pronta, não mudei de profissão RML Language Services formada em 2004 Word Awareness incorporada em 2009 Rafa Lombardino © 2012
Educação contínua Exame da Associação Americana de Tradutores (ATA, EN PT, 2007) Conferências da ATA em 2009 e 2011 Curso de Extensão em tradução de inglês e espanhol na Universidade da Califórnia em San Diego (UCSD, EN/ES, 2005-2008) Comecei a dar aula de Ferramentas e Tecnologia na Tradução na UCSD em 2010 Rafa Lombardino © 2012
Ferramentas Microsoft Office e Open Office Ferramentas de assistência à tradução (CATs) 2005-2008: Trados 6.0 a 7.0 2008: Wordfast Clássico e Pro 2008-atualmente: Swordfish Conversor para PDF: Foxit Conversor de PDF: OmniPage Babylon Rafa Lombardino © 2012
Campos de atuação Informática e tecnologia Comunicação Administração de empresas e recursos humanos Educação Alimentos, bebidas e cosméticos Química Meio Ambiente, Saúde e Segurança (EHS) Jurídico Rafa Lombardino © 2012
Voluntariado Software de código livre Greenpeace Documentários sobre música Revista sobre fibrose cística Matérias sobre os direitos da mulher Contos brasileiros traduzidos em inglês: Contemporary Brazilian Short Stories (CBSS) http://bit.ly/CBSS-site Rafa Lombardino © 2012
Literatura O que me atraiu para a tradução Ganhei um Kindle em dezembro de 2010 Análise do mundo da leitura eletrônica Conquistar seu lugar ao sol junto a editoras é bem difícil (para tradutores e escritores) Contato direto com escritores independentes Mudança no paradigma do universo editorial Rafa Lombardino © 2012
Portifólio literário 4 livros em 2011: +4 livros para 2012 Rafa Lombardino © 2012 publicados em fase de revisão
Dicas Fique antenado sobre o ramo Crie um portifólio Entre em contato com escritores independentes Traduza livros que estão em domínio público Projeto Gutenberg: http://Gutenberg.org Crie um bom currículo e entre em contato com editoras Rafa Lombardino © 2012
Dicas Continue se especializando, fazendo cursos, participando de eventos Informe-se sobre incentivos do governo e bolsas para tradução literária Monte um projeto com escritores e apresente a proposta para editoras Rafa Lombardino © 2012
Dicas Para obter mais ideias, leia: Na verdade não existem diferenças entre escritores e tradutores A profissão de tradutor é conhecida principalmente pela tradução literária Teoria nos ajuda a defender nosso trabalho diante do cliente Quer virar tradutor literário? Corre atrás Rafa Lombardino © 2012
Obrigada pela atenção! Rafa Lombardino © 2012 CONTATO E-mail: rlombardino@wordawareness.com Blog: http://bit.ly/literarynewsPT LinkedIn: http://linkd.in/rafa-linkedin Twitter (Empresarial): @WordAwareness Twitter (Literário): @RafaLombardino Facebook: http://on.fb.me/rafa-fb Talent.me: http://bit.ly/rafa-talentme
by word_awareness | Added: 4 months ago
Language: Portuguese | Topic: Jobs & Career
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Summary: Histórias de uma tradutora técnica que entrou para a tradução literária
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