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Amor de Perdição Camilo Castelo Branco 1 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Segundo o meu juízo de valor, um diário de leitura consiste num pequeno caderno onde registamos todos os aspectos interessantes e que consideramos fundamentais de referir. E foi isso mesmo que fiz. Porém, achei que o meu testemunho seria mais expressivo, se lhe acrescenta-se imagens e sons, que conjuntamente com as palavras indicam melhor as minhas emoções ao longo deste livro, sendo esta a segunda etapa deste trabalho. Com este diário / testemunho de leitura, pretendo suscitar em todos vos os sentidos que me assolaram ao ler estas páginas tão sábias da obra Amor de Perdição . Introdução 2 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Após a leitura de Amor de Perdição, de Camilo de Castelo Branco, fiquei inteiramente encantada e como tal recomendo vivamente. Só para vos deixar um pouco curiosos, vou apresentar-vos os motivos da escolha deste livro. Primeiramente, li um pequeno resumo da obra e a partir daí, estimulada a curiosidade, quis saber mais relativamente a esta história. Por outro lado, o facto de toda a acção decorrer numa época anterior à nossa, levou-me a quer conhecer e saber mais como as coisas se passavam no século XIX. Recomendação da leitura … Apesar de a obra ter sido escrita a alguns anos atrás, e a linguagem utilizada ser um pouco diferente daquela a que estamos habituados actualmente, tal facto não constitui uma grande dificuldade para mim. 3 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Hoje acabei de ler toda a obra, intitulada de Amor de Perdição. Fiquei completamente rendida à história de amor que envolve três jovens, numa época bem diferente da nossa. Um factor relevante que surge ao longo da obra, e que a enriquece bastante, é o das cartas de amor que os jovens trocavam às escondidas, e cuja mensagem era bastante profunda. Á medida que ia avançando na história, parecia que eu própria estava a participar nela, Camilo Castelo Branco, com a sua forma de escrever, conseguiu completamente levar-me a sentir na realidade a intensidade daquelas palavras. Nunca tinha lido nenhuma das suas obras, mas a forma como esta me marcou, não será decerto o último dos seus livros que irei contemplar. Por tudo isto, recomendo vivamente que leiam e desfrutem destas belíssimas páginas. Impressão global da obra 4 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Neste obra não consigo nomear uma só personagem que me tenha marcado mais, dado que para mim os três protagonistas, em torno dos quais a história se desenrola, são igualmente relevantes. Apesar de pertenceram a classes sociais diferentes, Simão, Mariana e Teresa (Simão e Teresa pertencem à nobreza e Mariana ao povo), a nível das emoções encontram-se no mesmo patamar. Assim, vou descrever um pouco cada um dos intervenientes. Personagens marcantes 5 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Com mudanças de comportamento súbitas, Simão Botelho, quando se apaixona por Teresa, tem uma mudança radical, tornando-se mais maduro e consciente. Simão Botelho Algumas das características de Simão: Aventureiro, corajoso; Idealista apaixonado, fiel; Rebelde; Lutador… “Aos quinze anos, Simão têm aparência de vinte. É forte de compleição: belo homem com as feições de sua mãe, e a corpulência dela; mas de todo avesso em génio. Na plebe de Viseu é que ele escolhe amigos e companheiros." Relativamente a este jovem, gostaria de destacar esta citação: 6 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
No que diz respeito a Teresa de Albuquerque, considero-a, à primeira vista, a personagem mais frágil, mas com o decorrer da história, vai demonstrando o seu forte e inigualável personalidade. Disposta a lutar contra todos, até mesmo contra o seu pai, demonstra uma enorme coragem. Não se importa com os requisitos que as raparigas de famílias ricas como a dela tinham de respeitar. Teresa Albuquerque No fundo, é o paradigma da mulher-anjo, pela sua beleza, pela sua delicadeza e pela grandiosidade dos seus sentimentos. A força de alma de Teresa sucumbe, porém, à fragilidade física: Teresa morre por amor. 7 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Ao assistir ao grande amor que Simão tinha por Teresa, Mariana era incapaz de expressar os seus próprios sentimentos, controla cegamente o ciúme. Mariana, é considerada a figura mais humana e mais complexa da obra. Mariana "O ferrador tinha uma filha, moça de vinte e quatro anos, formas bonitas, um rosto belo e triste." Caracteriza-se pela sua intuição, pelo poder de predição, enfim, pelo misticismo. Assim decidi salientar a seguinte expressão: 8 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Resumo da obra 9 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Simão Botelho e Teresa de Albuquerque, membros de famílias rivais da cidade de Viseu, apaixonam-se perdidamente um pelo outro. Com efeito, cedo percebem a impossibilidade da realização desse amor por meio do casamento, pois as suas famílias eram declaradamente inimigas. Desprezado e ofendido, Baltasar alia-se ao tio e juntos tramam o pobre destino de Teresa. Decididos, procuram que ela esqueça Simão, sob pena de a mandarem para um convento. Tadeu de Albuquerque, pai de Teresa, ao descobrir o romance, trata de prometer a mão de sua filha a seu sobrinho Baltasar Coutinho. No entanto, Teresa explica tudo a seu primo, dizendo-lhe que este é somente seu amigo, e nunca casaria com ele porque não o ama. 10 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Por outro lado, na casa de Simão Botelho, concomitantemente a esta situação, o pai do jovem enamorado, muito irritado com aquela desditosa paixão, resolve pôr fim ao romance entre seu filho e Teresa, mandando o jovem Simão para Coimbra a fim de concluir os seus estudos. Simão, enlouquecido pela saudade de sua amada, decide ir a Viseu encontrar-se com ela. Furtivamente, é hospedado pelo ferreiro João da Cruz, homem destemido, forte e fiel. Sob protecção de João, Simão tenta chegar à casa de Teresa. O astuto Baltasar consegue perceber a ansiedade de Teresa e deduz o que estava para acontecer. Teresa mesmo confinada em sua casa, escrevia a Simão, contando os dissabores por que passava e haveria de passar. 11 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
No meio da festa a jovem tenta falar com Simão no jardim, contudo o casal é surpreendido e gera-se uma confusão que culmina com a morte de dois criados de Baltasar. Os amantes ainda mantinham comunicação por meio de uma velha mendiga que passava com frequência sob a janela do quarto de Teresa. Para punir a rebeldia da filha, Tadeu de Albuquerque decide mandá-la para um convento. É em Viseu que Mariana, a filha de João da Cruz, fica encarregue de cuidar do ferido Simão, no seguimento da perseguição que lhe fizeram. Deste modo, surge na rapariga um intenso amor pelo jovem, amor esse, não declarado. 12 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Mariana vai até o convento com a desculpa de visitar uma amiga, conseguindo mesmo falar com Teresa, que envia um recado ao seu amado. Simão, ao tomar conhecimento dos factos, fica furioso e ao defrontar-se com Baltasar, mesmo diante de várias testemunhas, atingindo-o com um tiro mortal. Fê-lo para proteger a sua amada, no entanto o jovem é preso . Quando Simão é preso, este recebe a notícia de que o seu fiel amigo João da Cruz havia sido assassinado. Mariana, sem ter mais ninguém, resolve acompanhar Simão ao degredo. 13 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Assim, enquanto para Mariana o degredo é sinónimo de esperança, para Simão, a Índia é sinónimo de humilhação, miséria e tristeza por ficar longe de quem mais gosta. A linda fidalga Teresa, parece ter perdido a vontade de viver, o seu fim está iminente. Ao partir rumo á Índia, Simão contempla Monchique (convento) e vê, pela última vez no mirante do convento, a mulher que fora responsável por tudo aquilo. E sabe posteriormente que o seu amor acaba por morrer . Alguns dias após a viagem, Simão morre vitimado pela febre. Mariana, não resistindo à perda do amado, rompe o silêncio com gritos que saem do mais fundo do seu coração. Ao ver que seria impossível viver sem Simão, a filha do ferreiro entrega-se às tenebrosas águas do mar, colocando fim à vida. 14 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Palavras, leva-as o vento … Uma imagem vale mais que mil palavras ! Pequenas passagens do livro consideradas marcantes 15 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Apesar de todo o livro ser muito rico no que diz respeito a episódios engraçados e comoventes, decidi destacar três, entre os quais, aquele em que Simão mata Baltasar, quando João da Cruz constata que Simão não tem dinheiro e a parte final decerto, a mais emocionante para mim. “Baltazar Coutinho lançou-se de ímpeto a Simão. Chegou a apertar-lhe a garganta nas mãos; mas depressa perdeu o vigor dos dedos. Quando as damas chegaram a interpor-se entre os dois, Baltazar tinha o alto do crânio aberto por uma bala, que lhe entrara na fronte”. A primeira passagem foi seleccionada por demonstrar, mais uma vez, a valentia e determinação de Simão. Disposto a tudo, este jovem rapaz não planeia nenhum esquema ardiloso para Baltazar, fazendo aquilo que o seu coração lhe diz. 16 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Vendo Simão desanimado e sem dinheiro, Mariana e seu pai, João da Cruz, os grandes amigos de Simão, decidem dar-lhe algum dinheiro. Contudo saberiam que o jovem nunca o iria aceitar, assim de ânimo leve. Como tal, João da Cruz sai de casa, e Mariana diz a Simão que sua mãe tinha chamado o ferreiro. “ Enquanto Simão contava as onze moedas menos um quartinho, maravilhado da estranha liberalidade, Mariana, abraçando o pai no repartimento vizinho da casa, exclamava: - Arranjou bem a mentira!” Estas duas personagens, na minha opinião são como que os “anjos da guarda” de Simão, por estarem sempre presentes em todos os momentos da vida difícil deste jovem. 17 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Por outro lado, e como não poderia deixar de ser, tenho a destacar o desfecho trágico deste romance. Apesar de lutarem contra tudo, Simão e Teresa não conseguem ser felizes durante a sua vida. Amor proibido, que termina de forma fatídica. Outro dos motivos para seleccionar esta passagem, do último capitulo, foi a forte determinação e convicção de Mariana, ao acompanhar sempre o seu amado. Após a morte de seu pai, Mariana afirma que para além de Simão, mais nada a prende, e que vai estar constantemente a apoiar o jovem no seu degredo. Assim, acompanha-o na prisão e … Podemos, então, constatar a forte relação de amor existente entre estas personagens (Simão, Teresa e Mariana), apesar de não ser igual. 18 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Citações preferidas Seleccionei as seguintes citações por todas as emoções que despertam e pela determinação que acarretam estas palavras. 19 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
“O amor aos quinze anos é uma brincadeira: a última manifestação do amor às bonecas; é a tentativa da avezinha que ensaia o voo fora do ninho, sempre com os olhos fitos na ave-mãe, que está da fronte chamando: tanto sabe a primeira o que é amar muito, como a segunda o que é voar para longe.” “Considero-te perdida, Teresa. O sol da manha pode ser que eu o não veja. Tudo, em volta de mim, tem uma cor de morte. Parece que o frio da minha sepultura me está passando o sangue e os ossos.” 20 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
“ É necessário arrancar-te daí. Esse convento há-de ter uma evasiva. Procura-a, e diz-me a noite e a hora em que devo esperar-te. Senão poderes fugir, essas portas hão-de abrir-se diante minha cólera, Se dai te mandarem para outro convento mais longe, avisa-me, que eu irei, sozinho ou acompanhado, roubar-te ao caminho.” Apesar de tudo o que se tinha passado com Simão, sua mãe queria vê-lo, estar com ele, mas o pai sempre irredutível e fiel aos seus princípios sem excepção para o próprio filho. “ Teve a minha mãe a afoiteza de se lhe apresentar um dia, pedindo licença para ir a Viseu. Meu inexorável pai negou-lha, e invectivou-a furiosamente.” 21 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Vida e obra do autor … Porém, e segundo o que se diz, terá sido registado como filho de mãe incógnita, porque o seu pai e a sua avó não queriam que o nome Castelo Branco estivesse associado com alguém de tão humilde condição. A fatídica morte de seu pai obrigou-o a ir viver para Trás-os-Montes. Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco nasceu em Lisboa a 16 de Março de 1825. Filho de Jacinta Rosa do Espírito Santo Ferreira e de Manuel Joaquim Botelho Castelo Branco. 22 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
A Brasileira de Prazins Amor de Perdição Coração, Cabeça e Estômago Os Brilhantes do Brasileiro Coisas que Só eu Sei Algumas das suas obras Ao longo da sua existência declarou-se um falhado nos estudos e nos amores. As viravoltas da sua vida fazem-lhe despoletar a ideia de que a fatalidade e a desgraça são destinos a que não pode escapar. Foi um profissional das letras multifacetado, cuja obra o colocou como uma das figuras mais distintas da literatura portuguesa. Viria a suicidou-se a 1 de Junho de 1890, em Vila Nova de Famalicão. 23 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Por vezes ler, leva-nos a mundo diferente em que tudo é mágico e surpreendente. 24 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Gostei imenso de ler esta obra. Do ponto de vista literário encontra-se muito bem escrita, de forma bastante expressiva e o enredo, simplesmente fabuloso. Uma das grandes dificuldades que tive, para realizar este diário de leitura, foi o facto de não conseguir seleccionar uma passagem ou personagem marcante, dado que, para mim, todas as personagens e diversos episódios são bastante importantes. As imagens que serviram de fundo a esta apresentação foram seleccionados por estarem relacionados os as emoções que o livro nos desperta, ora tristes e sombrias, ora mais emocionantes. Conclusão 25 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
Trabalho realizado por: Ana Catarina Marques nº1 11º A Fim Escola Secundária de Santo André 26 Ana Catarina Marques Escola Secundária de Santo André
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