Oração a mim mesmo

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Texto: ORAÇÃO A MIM MESMO Oswaldo Antônio Begiato Fotografias: Gregory Colbert Música Coeurs D’Or Clayderman

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Que eu me permita olhar e escutar e sonhar mais. Falar menos. Chorar menos.

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Ver nos olhos de quem me vê a admiração que eles me têm e não a inveja que prepotentemente penso que têm.

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Escutar com meus ouvidos atentos e minha boca estática, as palavras que se fazem gestos e os gestos que se fazem palavras.

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Permitir sempre escutar aquilo que eu não tenho me permitido escutar.

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Saber realizar os sonhos que nascem em mim e por mim e comigo morrem por eu não os saber sonhos.

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Então, que eu possa viver os sonhos possíveis e os impossíveis; aqueles que morrem e ressuscitam a cada novo fruto, a cada nova flor, a cada novo calor, a cada nova geada, a cada novo dia.

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Que eu possa sonhar o ar, sonhar o mar, sonhar o amar, sonhar o amalgamar.

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Que eu me permita o silêncio das formas, dos movimentos, do impossível, da imensidão de toda profundeza.

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Que eu possa substituir minhas palavras pelo toque, pelo sentir, pelo compreender, pelo segredo das coisas mais raras,

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pela oração mental (aquela que a alma cria e que só ela, alma, ouve e só ela, alma, responde).

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Que eu saiba dimensionar o calor, experimentar a forma, vislumbrar as curvas, desenhar as retas, e aprender o sabor da exuberância que se mostra nas pequenas manifestações da vida.

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Que eu saiba reproduzir na alma a imagem que entra pelos meus olhos fazendo-me parte suprema da natureza, criando-me e recriando-me a cada instante.

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Que eu possa chorar menos de tristeza e mais de contentamentos.

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Que meu choro não seja em vão, que em vão não sejam minhas dúvidas.

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Que eu saiba perder meus caminhos mas saiba recuperar meus destinos com dignidade.

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Que eu não tenha medo de nada, principalmente de mim mesmo: - Que eu não tenha medo de meus medos!

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Que eu adormeça toda vez que for derramar lágrimas inúteis, e desperte com o coração cheio de esperanças.

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Que eu faça de mim um homem sereno dentro de minha própria turbulência,

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sábio dentro de meus limites pequenos e inexatos,

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humilde diante de minhas grandezas tolas e ingênuas (que eu me mostre o quanto são pequenas minhas grandezas e o quanto é valiosa minha pequenez).

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Que eu me permita ser mãe, ser pai, e, se for preciso, ser órfão.

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Permita-me eu ensinar o pouco que sei e aprender o muito que não sei,

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traduzir o que os mestres ensinaram e compreender a alegria com que os simples traduzem suas experiências;

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respeitar incondicionalmente o ser; o ser por si só, por mais nada que possa ter além de sua essência,

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auxiliar a solidão de quem chegou, render-me ao motivo de quem partiu e aceitar a saudade de quem ficou.

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Que eu possa amar e ser amado. Que eu possa amar mesmo sem ser amado,

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fazer gentilezas quando recebo carinhos; fazer carinhos mesmo quando não recebo gentilezas. Que eu jamais fique só, mesmo quando eu me queira só.

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Amém.

Summary: O lindo poema de Oswaldo Antonio Begiato, acompanhado das belíssimas fotos de Gregory Colbert, nos eleva o espírito e faz bem à alma.

Tags: gestos palavras olhar escutar sonhos viver silêncio compreender oração vislumbrar aprender

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